Realizado nos dias 12 e 13 de setembro, no Salão Nobre do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, na Liberdade, em São Paulo, o 18º Fórum de Integração Bunkyo (FIB) reuniu dirigentes e representantes de entidades nipo-brasileiras para discutir os desafios atuais e as perspectivas da comunidade.
Com o tema “Conexões que Transformam”, o encontro contou com palestras, workshops e troca de experiências, buscando fortalecer o relacionamento entre lideranças e estimular novas formas de participação comunitária. Criado em 2007, o FIB consolidou-se como espaço de integração entre entidades e regiões do país.
Uma das novidades desta edição foi a criação da Medalha Masayoshi Morimoto, destinada a homenagear pessoas e entidades que se destacam na difusão da cultura japonesa, dos valores nikkeis e no fortalecimento dos laços entre Brasil e Japão.
Os primeiros homenageados foram Teodoro Sato, presidente da Fundação Kunito Miyasaka, e Toshio Koketsu, vice-presidente da Associação Cultural Nipo-Brasileira da Alta Sorocabana (Hansoro). Uma terceira medalha será entregue pelo presidente de honra do Bunkyo, Renato Ishikawa, ao próprio Morimoto, que atualmente se encontra em tratamento médico no Japão.

Outro destaque do primeiro dia foi o bate-papo entre o presidente do Bunkyo, Roberto Nishio, e o cônsul-geral adjunto, Jiro Takamoto.
Nishio compartilhou aspectos de sua trajetória e contou como o trabalho voluntário transformou sua vida. Após enfrentar um período difícil com o fim do Banco América do Sul, onde era funcionário, recebeu, em 2003, convite do ex-desembargador Kazuo Watanabe para colaborar nos preparativos do Centenário da Imigração Japonesa. Segundo Nishio, a experiência proporcionou novas amizades, aprendizados e um novo propósito. “Acredito que essas conexões foram fundamentais para transformar a minha trajetória”, afirmou, explicando que as homenagens como a Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro e Prata — recebida do governo japonês em 2018 — e o título de Cidadão Paulistano, concedido em 2019 pelo então vereador Aurélio Nomura, foram importantes sobretudo pelas experiências e relações que proporcionaram.
Takamoto, por sua vez, lembrou uma conversa com Renato Ishikawa, em 2022, na qual ouviu que o segredo do sucesso era “tratar bem as pessoas”. Para o cônsul, boas relações criam oportunidades, mas é preciso estar preparado para reconhecê-las e aproveitá-las. Ele também defendeu que cada participante encontre seu próprio propósito dentro das instituições, seja por negócios, aprendizado, projetos ou pelo desejo de contribuir. Ao abordar o futuro da comunidade, propôs uma reflexão sobre o significado de “ser nikkei”. Para Takamoto, além de descendência, etnia ou sobrenome, existe uma dimensão de identificação pessoal e afetiva com a cultura japonesa. “Se o indivíduo sente essa ligação em seu coração, ele é nikkei”, afirmou.
O quadro “Conexões Internacionais: Copani e Kaigai Nikkeijin Taikai” reuniu Renato Ishikawa, Claudio Kurita, diretor de Eventos, Operações e Institucional da Japan House São Paulo e presidente da Comissão Organizadora da 22ª Copani, e Graziela Tamanaha, ex-presidente da Comissão de Jovens do Bunkyo.
Kurita destacou a importância da Copani. Para ele, o evento permite reencontrar amigos, conhecer pessoas de outros países que compartilham a mesma origem e trocar experiências sobre projetos e comunidades nikkeis. Ishikawa falou sobre sua participação na Convenção dos Nikkeis e Japoneses Residentes no Exterior, evento criado pelo governo japonês para reconhecer a contribuição dos nikkeis no pós-guerra.
A participação dos jovens foi outro tema central. Toshio Koketsu, da Hansoro, explicou que procura levar anualmente uma delegação de jovens ao FIB. Nesta edição, foram 21 participantes, principalmente de Presidente Prudente, além de jovens de outras associações e diferentes religiões. Segundo ele, o contato com o Bunkyo, palestrantes e dirigentes de várias regiões proporcionam aprendizado e integração. A iniciativa já gerou resultados: grupos como Senenkai e Senenbu passaram a organizar eventos, arrecadar recursos e promover excursões, fortalecendo a integração entre entidades.
Hiroshi Taniguchi, presidente da Associação de Assistência Nipo e Brasileira do Sul (Enkyosul), destacou a importância de compartilhar a cultura japonesa com toda a sociedade, especialmente em uma comunidade pequena e geograficamente dispersa como a do Rio Grande do Sul.
A criação da Medalha Masayoshi Morimoto marcou um dos momentos mais significativos do Fórum. Com carreira internacional na Sony Corporation e passagens pela Aiwa e Benesse, Morimoto também atuou como consultor e professor visitante. Em 2020, recebeu o Diploma de Honra ao Mérito do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão por sua contribuição às relações Brasil-Japão e à comunidade nikkei. Sua ligação com o FIB começou em 2014, após convite apresentado por Maurício Miyazaki e Ricardo Nishimura. Desde então, tornou-se presença constante no evento e construiu fortes vínculos com integrantes da comunidade.
A programação do FIB prosseguiu com outras atividades, incluindo visita guiada ao Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil.
(Aldo Shiguti)






