O salão multiuso do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – no bairro da Liberdade, em São Paulo, foi palco, no dia 20 de setembro, da celebração dos 60 anos de fundação da Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil, entidade que congrega as associações representativas das 47 províncias do Japão no Brasil.

Estiveram presentes o embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi; a cônsul geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki; o secretário-geral da Associação Nacional dos Governadores de Províncias do Japão, Ko Osada; o presidente do Bunkyo, Roberto Nishio; o presidente da Enkyo, Paulo Saita; o presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, Cláudio Takeda; o vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, Wagner Suzuki; o representante chefe da Jica Brasil, Akihiro Miyazaki; o deputado federal Kim Kataguiri; o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Hayashi Goulart; o vereador George Hato e o diretor da SP Negócios, Aurélio Nomura.
Após um minuto de silêncio em homenagem aos antepassados falecidos, o presidente da Associação Ishikawa-ken do Brasil e vice-presidente da Kenren, Geraldo Issamu Kobori, deu as boas-vindas e declarou aberta a solenidade.
O presidente da Kenren, José Taniguti, lembrou que a Federação foi fundada em 1966 para coordenar as atividades dos Kenjinkais que, até então, agiam de forma independente. “Com a fundação da Kenren, surgiram atividades de interesse comum como o ‘Ireihi’ e as viagens ‘Imin no Furusato Meguri’. O mais famoso é o Festival do Japão, considerado o maior festival da cultura japonesa”, disse Taniguti, explicando que, ao longo de seis décadas de história da Kenren, passaram 17 presidentes — sendo 14 isseis e 3 nisseis.

Segundo ele, uma das características que se observa é a drástica redução de nikkeis que falam a língua japonesa, sobretudo os yonseis, e isso gera dúvida sobre a forma de comunicação entre os japoneses brasileiros. Outra questão é a grande miscigenação de pais com múltiplas raízes no Japão, o que acaba dificultando o jovem nikkei de conhecer a origem de seus antepassados. “Isso se agrava quando há casamento inter-racial”, afirmou, acrescentando que “estamos numa encruzilhada em que o conceito de Kenjinkai está perdendo o seu sentido porque não existem mais cidadãos genuínos originários das províncias.”
“Um nikkei sansei por ter quatro avós de províncias diferentes tem dificuldade de escolher a associação em caso de filiação. Geralmente ele escolherá aquele que seu coração bater mais forte. Isso quando ele escolhe. Em geral, os jovens são atraídos por outros interesses e os Kenjinkais estão se esvaziando com o passar do tempo”, disse Taniguti.
Para ele, uma tendência que se verifica é a realização de atividades agrupando os Kenjinkais por blocos, como ocorre nos Undokais, realizados por blocos como Tohoku, Kyushu e Chugoku, entre outros. “A Kenren, pensando no futuro dos Kenjinkais, está preparando o Kenren Center, ou seja, um espaço para acomodar todos os Kenjinkais que estão com poucos associados e que possam permanecer enquanto viver, junto com outros Kenjinkais na mesma situação”, disse Taniguti.
O presidente do Bunkyo, Roberto Nishio, manifestou gratidão aos pioneiros e voluntários que fortaleceram a comunidade e a cultura nipo-brasileira, exemplificada pelo sucesso do Festival do Japão. “Sessenta anos representam uma longa caminhada, construída com trabalho, dedicação, união e, acima de tudo, com o espírito de servir à comunidade. A Kenren nasceu da união das associações locais que mantiveram vivos os laços entre os imigrantes japoneses e suas províncias de origem. Estes pioneiros trouxeram ao Brasil não apenas os seus sonhos de uma vida melhor, mas também sua cultura, costumes e valores. Aqui, constituíram famílias, enfrentaram desafios e contribuíram decisivamente para o desenvolvimento do nosso país.”

O representante chefe da Jica Brasil, Akihiro Miyazaki, parabenizou a Kenren pelo 60º aniversário e destacou o papel fundamental da entidade na preservação da memória, na integração cultural e no fortalecimento dos laços entre Brasil e Japão. Ressaltou a importância das parcerias entre a Jica e a Kenren — especialmente no apoio à comunidade nikkei, na formação de novos líderes e na realização de eventos como o Festival do Japão — e reafirmou o compromisso da agência em continuar apoiando o desenvolvimento sustentável das associações provinciais e a transferência de conhecimento para as futuras gerações.
Lembrando que também nasceu em 1966, o embaixador Yasushi Noguchi explicou que tem uma ligação especial com a Kenren. Ele relembrou que, quando foi cônsul-geral do Japão em São Paulo entre 2017 e 2020, contou com valioso apoio da Kenren, então presidida por Yasuo Yamada, e agradeceu o trabalho contínuo da entidade. O embaixador destacou duas importantes contribuições da Kenren: a realização do Festival do Japão, que reúne cerca de 180 mil visitantes em três dias e funciona como vitrine da cultura japonesa; e a administração do monumento Ireihi, em homenagem aos pioneiros falecidos. Ressaltou ainda que a Kenren, ao atuar como elo entre as associações de províncias e seus governos no Japão, viabiliza o envio de delegações oficiais, inclusive de governadores, para celebrações das entidades no Brasil.

Ko Osada leu a mensagem do presidente da Associação Nacional de Governadores das Províncias do Japão, Shuichi Abe, parabenizando a Kenren pelos 60 anos. Já a cônsul Yoriko Suzuki foi a responsável pela leitura da mensagem enviada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Toshimitsu Montegi, na qual ele lembra que o Brasil é o único país do mundo onde existem associações representativas de todas as 47 províncias do Japão. Para Montegi, isso demonstra a solidez dos laços que unem a comunidade nikkei brasileira às suas origens.
Durante a solenidade, foram homenageados três ex-presidentes: Mikihisa Motohashi, Yasuo Yamada e Toshio Ichikawa, que fez o discurso de agradecimento. Representando os ex-presidentes da Federação, Ichikawa destacou o papel fundamental da organização na preservação da memória e cultura dos imigrantes japoneses no Brasil e elencou cinco iniciativas principais da Kenren: a criação do Memorial aos imigrantes falecidos (Ireihi), o Monumento do Desembarque em Santos, o projeto “Imin no Furusato Meguri”, a promoção do Dia Nacional da Imigração Japonesa e a organização do Festival do Japão em São Paulo.
Na sequência, a Kenren também homenageou a Enkyo com uma placa entregue ao presidente Paulo Saita, que parabenizou a Federação pelos 60 anos, destacando a importância da federação em unir as 47 províncias japonesas e preservar suas tradições no Brasil. O vereador George Hato também homenageou a Kenren e a Associação Nacional dos Governadores de Províncias do Japão.

Ao jornal Brasil Nikkei, o deputado federal e candidato à reeleição, Kim Kataguiri, disse que é uma alegria celebrar os 60 anos da Kenren. “Durante muitos anos, fui voluntário no Festival do Japão, trabalhando na barraca de Nara. Embora meus avós sejam de Nagano, criei esse vínculo especial com Nara como uma forma de gratidão pela bolsa de estudos que a província concedeu à minha irmã. Foi uma experiência que me ensinou muito sobre comunidade, trabalho voluntário, preservação das nossas raízes e, principalmente, sobre retribuir aquilo que recebemos.”\

Para o candidato a deputado federal Walter Ihoshi, a Kenren é uma entidade muito importante que congrega as 47 províncias do Japão no Brasil. “Cada qual desempenhando um papel fundamental na promoção do intercâmbio com o Japão, especialmente junto às novas gerações, por meio da oferta de bolsas de estudo”, disse Ihoshi, acrescentando que a Kenren também tem exercido protagonismo notável no Festival do Japão.
(Aldo Shiguti)






