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JCI Brasil-Japão e ACAL mobilizam voluntários para o RevitaLiba 2026

Uma realização da JCI Brasil-Japão com apoio da Acal – Associação Cultural e Assistencial da Liberdade – o Revitaliba – uma iniciativa de mobilização comunitária que une voluntariado, zeladoria urbana e conscientização ambiental para promover o cuidado coletivo com o bairro da Liberdade – ganhará uma nova edição em 2026.

A ação acontecerá no dia 19 de setembro e pretende mobilizar reunir pelo menos 100 voluntários. Com o lema “Juntos por uma Liberdade Mais Limpa”, o RevitaLiba foi realizado pela primeira vez em 2017. Em 2021 teve uma edição em Mogi das Cruzes, quando mais de 300 voluntários se reuniram para participar de um mutirão de limpeza e conservação. Desde então o projeto foi interrompido.

Desta vez, o projeto de zeladoria urbana iniciado pela JCI Brasil-Japão conta com a participação da Associação Cultural e Assistencial da Liberdade (ACAL), do Grupo Kaen e o apoio e parceria do Consulado Geral do Japão em São Paulo e Prefeitura da Cidade de São Paulo através da Subprefeitura da Sé, além de parceiros locais.

Segundo o presidente da Acal, Danilo Fujita, o “start” para esta nova empreitada está ligada a uma experiência observada no Japão e à vontade de adaptá-la à realidade brasileira.

Plogging – A proposta inicial combinava atividade física e limpeza das vias públicas, em uma dinâmica semelhante ao plogging, prática que associa corrida ou caminhada à coleta de resíduos encontrados pelo caminho.

A ideia, porém, foi além da atividade física. O objetivo passou a ser trazer para o Brasil um aspecto da cultura japonesa relacionado à responsabilidade individual pelo lixo em torno de uma questão simples, mas fundamental para a vida nas cidades: cada um é responsável pelo seu lixo.

Mudança – “O japonês sabe que se jogar lixo na rua ele está interferindo no espaço coletivo. E, para o brasileiro que vai para o Japão é meio desesperador. Você está acostumado com uma cultura e chega no Japão não encontra lixeiras para jogar o lixo porque todo estabelecimento tem uma lixeira para jogar o lixo produzido naquele lugar”, conta Fujita, acrescentando que no Japão é comum que as pessoas simplesmente carreguem seus resíduos até encontrar um local apropriado para o descarte.

A intenção do RevitaLiba, explica o presidente da Acal, é justamente estimular essa mudança de comportamento. A proposta não é simplesmente defender a instalação de mais lixeiras ou aumentar a frequência da coleta pública. O projeto procura discutir a origem do problema: o hábito de cada pessoa em relação ao próprio resíduo.

Para a diretora de Comunicação e Marketing da JCI Brasil-Japão, Michele Yang, “existe uma forma de agir no Japão que é diferente da observada no Brasil”. “Muitas vezes, as pessoas desejam tomar a iniciativa de limpar os espaços públicos, mas não sabem por onde começar ou sentem-se isoladas nesse propósito”, conta ela, explicando que esta nova edição do RevitaLiba tem justamente o objetivo de mobilizar e incentivar essas pessoas. “A ideia é oferecer o primeiro passo e unir forças, permitindo que aqueles que compartilham desse sentimento de coletividade possam agir em conjunto”, destaca Michele.

União – Para o presidente da JCI Brasil-Japão, Willian Goya, o desejo de retomar a iniciativa surgiu de diversas convergências: relatos familiares sobre a rotina de limpeza comunitária no Japão, a experiência prévia da JCI com projetos similares e o engajamento de novos parceiros e entidades, que somam esforços para mobilizar a juventude.

Ele reforça que o foco principal é, acima de tudo, a conscientização. “Queremos transmitir a mensagem de que não é preciso haver lixeiras em cada esquina se houver a responsabilidade individual de descartar o lixo apenas em locais apropriados.”

Limpeza nos estádios – Outro elemento que ajudou a fortalecer a proposta foi a repercussão internacional do comportamento de torcedores japoneses durante as Copas do Mundo, que ficaram conhecidos por recolher seus próprios resíduos e limpar as arquibancadas após as partidas.

A prática, entretanto, não se limita aos grandes eventos esportivos. Ela faz parte de uma educação cotidiana no Japão.

Danilo Fujita e Michele Yang lembram que, nas escolas, por exemplo, os próprios estudantes participam da limpeza dos ambientes. A mesma lógica pode ser observada em atividades esportivas e culturais, como artes marciais e taiko.

Barulho – O RevitaLiba procura transportar esse princípio para o contexto brasileiro. Para o vice-presidente da JCI Brasil-Japão, Manabu Migita, que também é fundador e idealizador do Kaen Team – um dos novos parceiros do RevitaLiba – a ideia é “fazer barulho”.

Segundo ele, embora alguns possam questionar a eficácia de um evento curto — alegando que o local voltará a ficar como antes —, “acreditamos que o valor reside no impacto visual e no engajamento da comunidade”.

Para a ação, Migita espera contar com participantes do Kaen Team, organização sem fins lucrativos que busca promover a integração e o desenvolvimento dos jovens da comunidade nikkei por meio de eventos esportivos, culturais, sociais e recreativos, além de colaborar em diversas atividades e iniciativas da comunidade nikkei.

Para Michele Yang, a escolha da Liberdade possui um significado especial pois reúne uma forte presença da cultura japonesa e, ao mesmo tempo, representa um dos espaços mais movimentados e multiculturais do centro de São Paulo.

Essa característica cria, segundo Michele, uma oportunidade natural para conectar a cultura japonesa a uma iniciativa de cidadania e revitalização urbana.

Dia Mundial da Limpeza – O RevitaLiba também estará alinhado ao World Cleanup Day, movimento internacional de mobilização contra a crise dos resíduos e em favor da participação comunitária. Em 2026, a data oficial do movimento será 20 de setembro, um dia após a realização do RevitaLiba.

Para os organizadores, a proximidade entre as datas reforça a dimensão da iniciativa e permite que uma ação realizada na Liberdade dialogue com uma mobilização que ultrapassa fronteiras.

Trajetos – De acordo com os organizadores, a concentração será às 7h30, na sede da Acal, na Avenida Liberdade, onde ocorrerão o credenciamento e o alinhamento das equipes. Todos os participantes receberão um kit contendo camiseta e lanche.

O início está previsto para as 8h, com a realização inicial do Rádio Taiso, tradicional ginástica rítmica japonesa.

Na sequência, os voluntários serão divididos em cinco equipes (com cerca de 20 voluntários cada), cada uma com um trajeto específico e um líder responsável pela orientação do grupo, segurança, percurso e coleta dos resíduos. Uma equipe ficará responsável pela Av. Liberdade; outra pela Rua da Glória; uma terceira pela Rua Galvão Bueno; uma quarta equipe ficará encarregada pelas ruas paralelas e uma quinta equipe atuará na Praça Almeida Júnior e Largo da Pólvora.

A organização também procurou incorporar critérios de acessibilidade. O formulário de inscrição pergunta aos participantes sobre eventuais limitações físicas, permitindo direcionar pessoas com restrições de mobilidade para trajetos mais adequados.

Michele explica que a ação terá duração aproximada de duas horas e meia, com retorno previsto para as 10h30. A dispersão deverá ocorrer às 11h.

(Aldo Shiguti)

REVITALIBA 2026 – JUNTOS POR UMA LIBERDADE MAIS LIMPA
Data: 19 de setembro de 2026
Horário: 7h30 às 11h
Local de concentração: Associação Cultural e Assistencial da Liberdade (Av. Liberdade, 365)
Credenciamento e alinhamento: 7h30
Início da ação e Rádio Taiso: 8h
Retorno das equipes: 10h30
Encerramento: 10h30 às 11h
A participação é aberta a voluntários e mediante inscrição prévia pelo formulário