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Em manifesto, Fórum de Mulheres da Copani quer tornar protagonismo das nikkeis ‘mais visível’

Considerado um dos mais importantes encontros da comunidade nikkei internacional, a Convenção Panamericana Nikkei (Copani) retornou a São Paulo nos dias 5, 6 e 7 de junho, depois de 19 anos – a última vez que a capital paulista sediou o evento tinha sido em 2007. Em sua 22ª edição, a Copani Brasil 2026 teve como palcos o Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social e o Nippon Country Club, em Arujá.

A 22ª edição teve como tema “Liderando a Mudança” e reuniu cerca de 500 participantes, entre lideranças, autoridades, empresários, jovens e representantes de organizações nikkeis de diversos países, promovendo diálogo, integração e fortalecimento institucional. Além do país anfitrião, estiveram presentes representantes do Peru, Paraguai, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Venezuela, Uruguai, Japão, México, Canadá e Estados Unidos, e países convidados (Cuba e El Salvador).

No sábado, dia 6, os destaques foram a sessão temática dos jovens, com a construção de plano de ação e elaboração do Manifesto dos Jovens da Copani, o Fórum de Mulheres – II Encontro Nacional de Mulheres Nipo-Brasileiras, reunindo lideranças femininas nikkeis em debates sobre protagonismo e transformação social; o Encontro Latino-Americano Gaimusho Kenshusei; o III Simpósio de Museus de Imigração Japonesa; o Seminário sobre Língua Japonesa; além da área de Negócios e Empreendedorismo, dedicada à geração de oportunidades, conexões e parcerias internacionais.

O painel “Fortalecendo Comunidades na Era Digital: Conexão, Engajamento e Futuro” reuniu os influencers Yuma Ono e Ana Chiyo. Já a disputada palestra “Legado Vivo: Como Manter Cultura, Relevância e Adaptação ao Mundo Atual Através das Gerações” apresentou o ator e diretor executivo da Maurício de Sousa Produções, Mauro Sousa, num delicioso bate-papo sobre a Turma da Mônica & Cia.

Idealizado e coordenado pela presidente da REN Brasil, Lesley Ishii, o Fórum de Mulheres reuniu lideranças de diversos países como a primeira-dama do Estado do Paraná, Luciana Saito Massa; a empresária e fundadora do Canal Moyashi Paraguai, Mika Nishijima; e a ex-cônsul geral do Japão em Manaus, Hitomi Sekiguchi, entre outras lideranças femininas.

Ao lado da presidente da Federação Cultural Nippo-Brasileira da Bahia e vice-presidente da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Salvador, Lika Kawano, Lesley Ishii leu a Carta das Mulheres que encerrou o Fórum. Nela, as representantes da comunidade nikkei das Américas afirmam o “compromisso com a liderança feminina como elemento essencial para a continuidade, a renovação e a projeção de nossas comunidades”.

A carta diz ainda que o “legado das mulheres nikkeis é um dos pilares estruturantes de nossas comunidades” e reconhece que “persistem os desafios estruturais que limitam o pleno exercício da liderança feminina”. “Essa carta não representa um ponto final, mas um marco de continuidade. Ela parte do reconhecimento do legado, atravessa desafios, valoriza os caminhos e projeta compromissos. Reafirmamos que a liderança feminina nikkei é fundamental para a construção de comunidades mais sustentáveis, inclusivas, inovadoras e conectadas com o futuro”, diz o trecho entregue à Associação Panamericana Nikkei e à Organização da Copani 2026 para que conste nos anais oficiais do evento.

Presidente da Comissão de Administração do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil e coordenadora do III Simpósio de Museus da Imigração, Lidia Yamashita disse que ficou surpresa com a quantidade de depoimentos e explicou que a ideia é criar uma conexão internacional para que todos possam compartilhar e participar junto de novos projetos, com o intuito de preservar a história dos nikkeis no mundo.

Presidente do Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior (Ciate), o advogado Masato Ninomiya traçou um histórico do ensino da língua japonesa no Brasil e agradeceu os “abnegados, que não pensaram em benefícios econômicos quando escolheram a profissão de ser professor de língua japonesa”.

Bruno Minami, um dos fundadores da Academia do Futuro do Nippon Country Club, e Douglas Mitsuyuki, do Nipo de Bragança, fizeram um balanço da Sessão Temática Jovem, que contou com a participação de mais de 100 jovens de 14 países para discutir “o nosso passado, o nosso presente e o nosso futuro”.

No Pan-Americano, Brasil ficou em primeiro na disputa por Equipes

À noite, aconteceu o Concurso Panamericano da Canção Japonesa com a participação de 25 cantores da Argentina, Brasil, Paraguai e Peru. Na categoria Individual, a argentina Karen Yonashiro ficou em primeiro, com as brasileiras Tais Iwano e Chinobu Tadea na segunda e terceira colocações, respectivamente. Na disputa por Equipes, o Brasil sagrou-se campeão.

(Aldo Shiguti)