A cultura japonesa ganhou novamente espaço de destaque na Liberdade, em São Paulo, nos dias 29 e 30 de agosto, durante a realização do Bunka Matsuri – A Festa da Cultura Japonesa, nas dependências do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, no bairro da Liberdade, em São Paulo.
Em uma edição especialmente simbólica, o evento celebrou 20 edições, reunindo diferentes gerações em uma programação que mostrou a diversidade da cultura japonesa e sua capacidade de dialogar com o mundo contemporâneo.
A cerimônia de abertura contou com a presença do presidente do Bunkyo, Roberto Nishio; da vice-cônsul Utena Yamazaki; do presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Teodoro Sato; do presidente da Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil –, José Taniguti; do presidente da Japan House São Paulo, Carlos Roza; dos vereadores George Hato e Kenji Ito e do diretor de Projetos Estratégicos da SP Negócios, Aurélio Nomura, além de representantes de associações. Também estiveram presentes os candidatos a deputado estadual Goulart e a Delegada Raquel e o candidato a deputado federal, Walter Ihoshi, além do secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Cidade de São Paulo, Rodrigo Hayashi Goulart.

Significado especial – As manifestações tiveram como ponto comum o reconhecimento da importância de preservar as tradições e, ao mesmo tempo, criar espaços para que os jovens sejam protagonistas na continuidade desse legado.
Ao abrir oficialmente a programação, Isabela Chiam, que presidiu a Comissão Organizadora pelo segundo ano consecutivo, destacou que a edição comemorativa tinha um significado especial por marcar duas décadas de trajetória.
Segundo Isa – como é mais conhecida – o Bunka Matsuri é muito mais do que um festival. “É um ponto de encontro, é o espaço onde a tradição, trazida através do oceano, encontra novas pessoas, lugares e formas de expressão. Aqui, promovemos o intercâmbio cultural e o incentivo à juventude através das artes, da música, da dança, da gastronomia e da cultura pop. Acima de tudo, valorizamos as pessoas que mantêm viva a nossa essência”, disse a coordenadora, que agradeceu a todos que construíram – e continuam a construir – essa história.

Ela destacou que é inspirador ver os espaços do Bunkyo ocupado por pessoas que se dispõem a trocar experiências e a levar um pouco desta vivência para suas próprias trajetórias. Isa concluiu sua fala com esperanças que este vigésimo aniversário “não seja apenas uma celebração do caminho que percorremos, mas também o ponto de partida para muitos outros capítulos”.
Novas gerações – Representando o Consulado Geral do Japão em São Paulo, a vice-cônsul Utena Yamazaki destacou o papel do Bunka Matsuri como instrumento de aproximação entre os dois países.
Em seu discurso, ela ressaltou que o evento consegue apresentar ao público brasileiro uma cultura japonesa plural, reunindo manifestações tradicionais e expressões contemporâneas.
Para Yamazaki, a cultura é um elo capaz de aproximar pessoas e nações. “Ao longo dos anos, o Bunka Matsuri tem contribuído significativamente para aproximar o público brasileiro da cultura e das tradições do Japão, reunindo e apresentando toda a sua diversidade. Aqui, encontramos tanto elementos da cultura tradicional quanto manifestações contemporâneas, o que demonstra uma pluralidade de ideias e diversas formas de reverenciar a herança japonesa”, disse a vice-cônsul, explicando que as relações entre o Japão e o Brasil foram construídas ao longo de muitas décadas, com a prioridade de preservar tradições e contribuir para a sociedade brasileira, garantindo que esse legado perdure no futuro.

“É fundamental que as novas gerações também façam parte dessa história, encontrando novas formas de conhecer, vivenciar e transmitir a cultura japonesa”, disse Yamazaki que, ao final, parabenizou os organizadores, voluntários, patrocinadores e todos os envolvidos pela realização da edição comemorativa.
Bunkyo x Bunka Matsuri – Representando todos os patrocinadores e colaboradores, Teodoro Sato ressaltou a importância do apoio recebido para a realização do evento e destacou o trabalho dos voluntários.
Segundo ele, empresas e instituições avaliam diversos aspectos antes de apoiar uma iniciativa, entre eles a seriedade da organização, seus objetivos e o impacto do projeto. Mas, além dos recursos, existe outro elemento essencial: o trabalho voluntário.
São essas pessoas, destacou, que transformam o planejamento em realidade.

Sato também aproveitou a cerimônia para explicar a diferença entre Bunkyo e Bunka Matsuri. “O ‘Bunkyo’ é a nossa associação, o pilar que abriga diversas comissões voltadas ao fomento de nossa cultura. Já o termo ‘Bunka’ refere-se à cultura em si, enquanto ‘Matsuri’ designa festividades, celebrações ou homenagens a divindades, tradições que permeiam toda a história do Japão. Portanto, ao celebrarmos o Bunka Matsuri, estamos reverenciando a própria essência de nossas raízes”, explicou Sato, afirmando, porém, que “nada disso seria possível sem a liderança e a equipe dedicada que conduz este evento com tanto zelo”.
Banquete – Representando o secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Cidade de São Paulo, Rodrigo Hayashi Goulart, o diretor da SP Negócios, Aurélio Nomura classificou o Bunka Matsuri como um verdadeiro “banquete” das tradições japonesas.

Em sua fala, recordou que o projeto foi idealizado há duas décadas pelo então jovem Marcelo Hideshima, justamente com a intenção de aproximar a juventude e promover o engajamento na preservação cultural.
Nomura destacou o crescimento do evento e a participação de pessoas de diferentes idades, avaliando que esse envolvimento demonstra a existência de uma nova geração disposta a manter viva a cultura japonesa.
A mesma preocupação com identidade e continuidade foi abordada pelo vereador George Hato, que parabenizou Isabela Chiam e toda a equipe organizadora. O parlamentar ressaltou que eventos organizados por jovens têm papel fundamental na manutenção da identidade da comunidade nipo-brasileira e na valorização do legado deixado pelos antepassados.
Já Kenji Ito sintetizou a dimensão da cultura para além das manifestações visíveis: “Cultura não é somente o que a gente vê. Cultura é aquilo que a gente vê, aprende e passa para todas as gerações.”

Legado – Presente na cerimônia de abertura, a candidata a deputada estadual e Delegada de Polícia, Raquel Kobashi Gallinati, destacou a importância de apoiar eventos que preservam e transmitem os valores trazidos pelos pioneiros japoneses. “Este ano, em especial, estamos comemorando 20 edições deste evento que une o Japão tradicional e o moderno”, disse Raquel.

Ao Brasil Nikkei, Antonio Goulart, também candidato a deputado estadual e pai do vereador licenciado e secretário municipal Rodrigo Goulart, destacou que “é sempre uma alegria prestigiar os eventos da comunidade japonesa e reencontrar tantos amigos que fazem parte da minha história”.
“Mais do que participar dessas celebrações, faço questão de manter esses laços e valorizar a contribuição da comunidade japonesa para São Paulo. Quero continuar trabalhando para que essa parceria siga cada vez mais forte”, disse Goulart, que é casado com Kazuko Hayashi Goulart.
Tradição e modernidade – Ao longo dos dois dias, o público teve oportunidade de experimentar diferentes dimensões da cultura japonesa. A programação foi um dos destaques. Entre as atrações tradicionais estiveram a Cerimônia do Chá e o Ikebana.
Também foi realizado o tradicional Miss Nikkey São Paulo Capital, cuja vencedora, Sara Midori de Sena Baba, garantiu vaga para a final do Miss Nikkey São Paulo 2027 que será realizado em julho, no palco do Festival do Japão.

A programação reservou ainda espaço para o público jovem, com o concurso de Cosplay, aproximando a cultura pop japonesa das novas gerações e reforçando uma das características do Bunka Matsuri: unir os elementos tradicionais e modernos.
Outro convite feito durante a abertura foi para que os visitantes conhecessem o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, instalado nas dependências do Bunkyo.
A visita ao museu permitiu ao público entrar em contato com parte fundamental da trajetória da imigração japonesa no Brasil e compreender o processo de formação da comunidade nipo-brasileira.
(Aldo Shiguti)





