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FÓRUM QUER DAR VOZ AOS CUIDADORES DE PESSOAS IDOSAS PARA CONSTRUÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM SP

Comissão de Assistência Social do Bunkyo, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, quer ouvir quem vive o cuidado na prática; ação percorrerá as cinco regiões da capital até novembro

O rápido envelhecimento da população brasileira tem colocado um novo desafio para a sociedade: quem cuida de quem cuida? Embora os cuidadores de pessoas idosas sejam protagonistas na garantia da qualidade de vida de milhões de brasileiros, eles ainda enfrentam desafios relacionados à formação, reconhecimento profissional, apoio psicológico e condições adequadas de trabalho.

Com o propósito de transformar essa realidade, a Comissão de Assistência Social da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, através de emenda parlamentar, realizará, entre agosto e novembro, o 1º Fórum Itinerante dos Cuidadores de Pessoas Idosas: Desafios, Ação e Transformação, uma iniciativa inédita que percorrerá as cinco regiões da capital paulista para ouvir, acolher e construir propostas junto aos próprios cuidadores.

O primeiro encontro acontece no dia 19 de agosto, das 9h às 16h30, no Espaço Cultural do Bunkyo, no bairro da Liberdade. Ao longo dos meses seguintes, o projeto seguirá para a Biblioteca Álvares de Azevedo, na Vila Maria, e para o Centro Dia para Idosos (CDI – Camp Pinheiros), em Pinheiros, respectivamente, nos dias 9 e 23 de setembro, além de encontros nas zonas leste e sul em outubro, em locais ainda a serem definidos.

O ciclo será encerrado no dia 18 de novembro, novamente no Espaço Cultural do Bunkyo, quando serão apresentados os resultados coletados durante toda a jornada, que tem a frente a gerontóloga, doutora em Saúde Coletiva e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ana Cláudia Bonilha Gregnani, como coordenadora técnica.

Cada encontro será organizado em torno de quatro eixos: o cuidador e a família, o cuidador e a pessoa idosa, o cuidador profissional: aspectos jurídicos e cuidar de quem cuida e o autocuidado. O objetivo é promover um ambiente de diálogo, estimular a formação continuada dos cuidadores, discutir a regulamentação da profissão e refletir sobre a importância do apoio emocional e de condições dignas para quem exerce essa atividade essencial.

Todos os encontros têm entrada gratuita e vagas limitadas, mas é preciso fazer a inscrição. Para esse primeiro, no Bunkyo, é necessário fazê-lo pelo link https://forms.gle/ERwSa63wdkGRQZF59 do formulário. A meta da comissão organizadora é reunir cerca de cem participantes em cada edição, que terá cinco mesas de discussão supervisionadas por facilitadores com experiência na temática.

Dar voz aos cuidadores – Mais do que uma série de debates, o fórum nasce com uma proposta inovadora: colocar os cuidadores como protagonistas da discussão sobre o cuidado. A ideia é ouvir familiares que cuidam de pais e mães idosos, cuidadores profissionais, gestores de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e CDIs, pessoas interessadas em ingressar na profissão e todos aqueles que vivenciam os desafios do envelhecimento em diferentes territórios da cidade.

“O grande diferencial do projeto é que ele nasce da escuta. Não queremos apenas falar sobre os cuidadores, mas ouvi-los. Cada território tem uma realidade diferente, e ninguém melhor do que quem vive o cuidado diariamente para apontar os desafios e indicar caminhos. Nosso objetivo é transformar essas experiências em propostas concretas que possam fortalecer as políticas públicas para esse público”, afirma Zilah Daijo, presidente da Comissão de Assistência Social do Bunkyo.

Segundo o IBGE, só na cidade de São Paulo vivem pouco mais de 2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, que totalizam 17,7% dos 11,45 milhões de habitantes da capital, o que representa um dos maiores contingentes de idosos do país. Ao mesmo tempo, projeções indicam que, até 2050, mais de 30% da população brasileira estará nessa faixa etária, reforçando a urgência de discutir políticas públicas voltadas ao cuidado.

Um estudo do Estudo SABE (Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento), organizado pela Organização Pan-Americana de Saúde, apontou que mais de 90% dos cuidadores de idosos em São Paulo eram membros da própria família e mais de 75%, mulheres, com idade média de 54 anos. “São pessoas que fazem um trabalho essencial na sociedade, mas invisíveis para a maioria esmagadora das pessoas, sem direitos garantidos e muitas vezes sem vida social”, afirma Zilah.

Território como ponto de partida para construir soluções – Um dos principais diferenciais do projeto é justamente sua metodologia participativa. Ao invés de apresentar respostas prontas, o fórum propõe um espaço de escuta ativa, onde os próprios cuidadores poderão compartilhar experiências, identificar dificuldades e construir propostas que reflitam as diferentes realidades da cidade.

“Historicamente, as discussões sobre o cuidado foram construídas muito mais a partir da visão das instituições do que da experiência de quem cuida. Essa iniciativa inova justamente por inverter essa lógica. Queremos que os cuidadores sejam protagonistas, expressem suas necessidades, compartilhem suas vivências e contribuam diretamente para a construção de políticas mais efetivas”, diz Ana Cláudia.

Cada região de São Paulo possui características sociais, econômicas e culturais próprias. Por isso, os encontros buscarão compreender como essas diferenças impactam o cotidiano do cuidado e quais soluções podem ser construídas a partir da realidade de cada território. O documento final com os resultados, antecipa Ana Cláudia, poderá subsidiar futuras políticas públicas voltadas à formação profissional, apoio psicológico, valorização do cuidador e melhoria das condições de trabalho na cidade.

Como lembra Zilah Daijo, a iniciativa dialoga diretamente com as diretrizes da Política Nacional de Cuidados, instituída pelo governo federal, que reconhece o cuidado como um direito social e uma responsabilidade compartilhada entre Estado, famílias e sociedade.

Experiência no cuidado com a pessoa idosa – A realização do Fórum Itinerante reforça uma trajetória construída pelo Bunkyo ao longo dos últimos anos na promoção do envelhecimento saudável e no apoio aos cuidadores. Entre as iniciativas já desenvolvidas pela entidade estão o Programa de Orientação a Cuidadores de Pessoas Idosas, realizado com apoio da Fundação Kunito Miyasaka; o programa Cuidando do Cuidador, que completa dez anos oferecendo acolhimento e escuta aos cuidadores; o Núcleo de Convivência para Pessoa Idosa (NCI), desenvolvido com a Prefeitura de São Paulo; além do tradicional Encontro Anual de Cuidadores de Pessoas Idosas, que chega à sua 10ª edição em 2026.

Agora, a proposta avança um passo além, levando o debate diretamente aos territórios e colocando os cuidadores no centro da construção das soluções. “Escutar as pessoas nos territórios é reconhecer que o cuidado acontece de formas diferentes e que essas diferenças precisam ser consideradas”, diz a gerontóloga Ana Cláudia.

Serviço

Evento: 1º Fórum Itinerante dos Cuidadores de Pessoas Idosas: Desafios, Ação e Transformação

Data e horário: 19 de agosto, das 9h às 16h30

Local: Espaço Cultural da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo)

Endereço: Rua São Joaquim, 381 – Liberdade

Inscriçõeshttps://forms.gle/ERwSa63wdkGRQZF59

Informações: (11) 93250-1202 e contato@bunkyo.org.br