Realizado pela Acenpro (Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Promissão) nos dias 25 e 26 de julho, no Recinto de Exposições de Promissão, a segunda edição do Festival do Japão da Noroeste – Promissão Matsuri, se consolidou como uma dos principais eventos da região. A festa, que celebra a cultura japonesa por meio de apresentações, gastronomia, bazaristas e atividades para toda a família, tem como destaque a realização de três das principais manifestações japonesas: o Tooro Nagashi, que chegou a sua oitava edição; o Tanabata Matsuri (Festival das Estrelas), em sua quarta edição; e o Bon Odori da Noroeste, realizado pelo segundo ano.
Tanabata Sky – A segunda edição do Promissão Matsuri apresentou como destaque o trabalho de reciclagem coordenado por Flavio Nakaoka (ex-presidente da ABJICA – Associação Brasileira de Bolsistas da Jica-SP) e a 1ª edição do Tanabata Sky, uma inovação incorporada ao evento pelo presidente Fabio Maeda, que se inspirou nos festivais japoneses.
No Japão, o tradicional festival de balões iluminados por leds e presos a fios de nylon tem como principais palcos as províncias de Saitama e Kyoto e ocorre, geralmente, no mês de agosto.

“Nesta primeira edição soltamos cem balões e, pelo jeito, o público aprovou”, disse Fabio Maeda, explicando que a experiência “veio para ficar”. Em 2027, a ideia é soltar 119 balões, número correspondente ao aniversário da imigração japonesa no Brasil. “E a partir daí pretendemos acrescentar um balão a cada representando os anos da imigração japonesa”, antecipa Maeda, lembrando que, apesar da chuva de sábado, 25, a programação foi integralmente cumprida sem prejuízo para o público e artistas.
Missa – Como é de costume, o Festival do Japão da Noroeste foi aberto com a celebração de uma Missa em Memória aos imigrantes pioneiros, aos antepassados e às vítimas das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, pela Paz Mundial, pela sacerdotisa Chijo Okayama, do Templo Budista Hompa Hongwanji de Lins.
Decorado com enfeites gigantes de tanabata – cedidos pela Acal – Associação Cultural e Assistencial da Liberdade – o Recinto de Exposições foi pouco a pouco recebendo o público.
Já era final da tarde quando teve início a Cerimônia de Abertura, que, pela primeira vez, contou com a presença da cônsul geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki.
Também estiveram presentes o prefeito de Promissão, Hamilton Foz; o vice, José Aparecido Gargaro; a presidente da Câmara Municipal, vereadora Isabel Cristina Roz de Carvalho Santaella; o Chefe do Departamento Consular, Taku Ichiyama; lideranças de associações da região e o presidente da Acal, Danilo Fujita, entre outros.

Em seu discurso, o presidente da Acenpro, Fábio Maeda, destacou que o festival nasceu com o propósito de valorizar a história da imigração japonesa, preservar suas tradições e fortalecer os laços entre os dois países. Segundo Maeda, o evento representa um momento de reconhecimento e gratidão aos pioneiros japoneses que contribuíram para o desenvolvimento da região com trabalho, honestidade, perseverança e espírito comunitário.
“Temos a responsabilidade de manter viva a memória dos pioneiros, que enfrentaram inúmeros desafios, mas nunca perderam a esperança de construir um futuro melhor para suas famílias e para as próximas gerações”, afirmou.
O presidente também ressaltou a importância de transmitir às novas gerações valores tradicionais da comunidade nipo-brasileira, como respeito, gratidão, disciplina, dedicação aos estudos e ao trabalho, amor à família e compromisso com a comunidade.
Ao recordar a visita da princesa Kako ao Brasil, realizada no ano passado, Maeda afirmou que a mensagem deixada pela integrante da Família Imperial reforçou a importância da valorização dos antepassados, da educação e do respeito às crianças e aos idosos, princípios que continuam inspirando as ações da comunidade.
Maeda encerrou agradecendo aos voluntários, patrocinadores, apoiadores, expositores e autoridades que contribuíram para a realização do festival.

Legado dos pioneiros – O prefeito de Promissão, Hamilton Foz, lembrou a histórica relação entre o município e a imigração japonesa. Segundo ele, a chegada dos primeiros imigrantes, liderados por Shuhei Uetsuka em 1918, coincidiu praticamente com a criação do município, oficializado em 1919.
“O legado deixado pelos pioneiros japoneses foi fundamental para a formação da nossa cultura. Recebemos deles valores como trabalho, honra, honestidade e disciplina, que até hoje fazem parte da identidade de Promissão”, afirmou. O chefe do executivo também ressaltou a forte integração entre a comunidade japonesa e a população local, lembrando que sua própria família representa essa união cultural.
“Sou descendente de italianos, minha esposa, Márcia, é descendente de japoneses, e nossos filhos e netos carregam essa mistura de culturas que enriquece ainda mais a nossa comunidade”, comentou.
O prefeito agradeceu à Acenpro pela organização do evento e reafirmou o apoio da administração municipal para a continuidade do festival.
Orgulho – Em entrevista ao Jornal Brasil Nikkei, Hamilton Foz afirmou que a população promissense sente orgulho da contribuição da imigração japonesa para o desenvolvimento da cidade.
“Os pioneiros deixaram um legado de muito trabalho, perseverança e honestidade. Hoje, a comunidade japonesa continua participando ativamente da vida do município”, disse.
O prefeito contou ainda que, apesar de sua esposa não preparar pratos japoneses em casa, ele próprio gosta de cozinhar. “Eu faço sushi e outras comidas japonesas”, revelou.
Para Foz, o festival permite que as novas gerações conheçam não apenas a gastronomia e as manifestações artísticas japonesas, mas também a história e os valores trazidos pelos pioneiros.
Brasil-Japão – Representando o governo japonês, a cônsul-geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki, destacou a importância do Festival do Japão da Noroeste para preservar a memória da imigração japonesa e fortalecer os laços de amizade entre os dois países.
Ela lembrou que Promissão passou a realizar, em 2019, a cerimônia do Tooro Nagashi em homenagem aos pioneiros da imigração e às vítimas das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.
Segundo ela, mesmo durante a pandemia a tradição foi mantida graças ao empenho da comunidade, servindo de inspiração para o nascimento do Promissão Matsuri.
“Fico muito feliz em ver o festival chegar à sua segunda edição e continuar crescendo”, disse a cônsul, acrescentando que “este festival renovará os sentimentos de gratidão aos antepassados e permitirá que crianças e jovens conheçam melhor a cultura japonesa e sua história, garantindo que esse valioso legado continue sendo transmitido às próximas gerações”.
Encerrada a cerimônia de abertura, os convidados se dirigiram ao Parque das Águas, cenário do Tooro Nagashi, onde foram soltos cerca de 500 barquinhos. E, após isso, retornaram ao Recinto de Exposições.
Programação – Durante dois dias, o público teve oportunidade de vivenciar uma imersão na cultura japonesa através da gastronomia e apresentações artísticas. Destaques para a cantora Karen Ito e o Desfile e Concurso de Cosplay.
Hóspede Oficial – Durante sua primeira visita oficial ao município, a cônsul manifestou o desejo de conhecer os locais históricos ligados à imigração japonesa e ressaltou a importância de manter vivo o legado dos pioneiros. Acompanhada pelo presidente Fabio Maeda, ela visitou a Praça Shuhei Uetsuka, que em 2018 recebeu a Princesa Mako; o Santuário Cristo Rei dos 26 Mártires – primeira igreja católica no Brasil construída por imigrantes japoneses – e o túmulo do Dr. Shuhei Uetsuka, Pai da Imigração Japonesa no Brasil.
Na segunda-feira, 27, antes de retornar a São Paulo, a cônsul foi recebida pelo prefeito de Promissão em seu Gabinete, onde Hamilton Foz entregou o título de Hóspede Oficial do Município de Promissão.
(Aldo Shiguti)





