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Cerimônias religiosas marcam celebração dos 118 Anos da Imigração Japonesa no Brasil

Os 118 anos da imigração japonesa no Brasil foram celebrados com cerimônias religiosas em São Paulo. De manhã, católicos se reuniram na Igreja São Gonçalo, no centro da cidade, para a Missa em Ação de Graças à Memória dos Imigrantes Japoneses Precursores, coordenada pela Panib – Pastoral Nipo-Brasileira em conjunto com o Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social. A missa foi celebrada em japonês e em português.

Na sequência, a Federação das Escolas Budistas do Brasil, a Associação dos Admiradores de Buda Shakyamuni e a Aliança Feminina Budista do Brasil realizaram dois ofícios budistas em memória dos pioneiros.

Por volta das 10 horas, com a presença da cônsul geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki, foi realizada a Homenagem aos Pioneiros Imigrantes Japoneses no Parque Ibirapuera, junto ao Monumento aos Imigrantes Japoneses – Ireihi. O reverendo Tsukamoto expressou gratidão a todos os pioneiros e reafirmou o compromisso de honrar sua memória.

A cônsul Yoriko Suzuki expressou condolências aos imigrantes pioneiros que repousam em terras brasileiras. Destacou que, desde que assumiu o cargo, em outubro do ano passado, tem visitado associações nipo-brasileiras que receberam os imigrantes japoneses, o que tem permitido refletir sobre as dificuldades enfrentadas por eles ao chegarem ao Brasil. “É impossível imaginar a dor daqueles que se separaram de seus entes queridos e amigos, em busca de seus sonhos”, disse a cônsul.

No Bunkyo, Federação das Escolas Budistas do Brasil realizou cerimônia

À tarde, no Grande Auditório do Bunkyo, foi celebrada a Cerimônia Memorial Budista aos Pioneiros Imigrantes Japoneses, com a presença da cônsul Yoriko Suzuki, do representante chefe da Jica Brasil, Akihiro Miyazaki, do presidente da Enkyo, Paulo Saita, e do presidente do Bunkyo, Roberto Nishio.

Em sua mensagem, Nishio lembrou que “homens, mulheres e crianças deixaram sua terra natal para enfrentar os desafios de uma nova realidade”. “Embora as dificuldades da migração fossem imensas, eles carregavam consigo valores preciosos. Nutrimos uma profunda gratidão por nossos antepassados, pois as experiências vividas — a distância da terra natal, a saudade e as diferenças culturais — foram fundamentais para a construção de uma nova vida. Ainda assim, eles se reinventaram, construindo laços, oferecendo dedicação e deixando um legado de contribuição inestimável ao país”, disse Nishio, acrescentando que “hoje, temos a honra de ser a maior comunidade japonesa fora do Japão”.

A cônsul destacou que, desde 1908, quando o Kasato Maru atracou no Porto de Santos, cerca de 260 mil imigrantes cruzaram o oceano para chegar ao Brasil. “As dificuldades enfrentadas por esses pioneiros, em meio a vastas colônias, barreiras linguísticas e um ambiente cultural inteiramente novo, foram imensuráveis. Esses imigrantes foram os pilares da construção da comunidade nipo-brasileira e a base da amizade duradoura entre o Japão e o Brasil”, disse a cônsul, afirmando que “ao longo de mais de um século de trajetória, os membros da comunidade nipo-brasileira pautaram sua vida pela honestidade, dignidade e sinceridade”.

O presidente da Enkyo, Paulo Saita, destacou a coragem dos pioneiros que, mesmo diante das adversidades, jamais desistiram. “Com coragem, disciplina e perseverança inabaláveis, cultivaram a terra, consolidaram comunidades, educaram seus filhos e contribuíram para o desenvolvimento de nossa nação.” Ele finalizou lembrando que “aqueles que atuam na diplomacia entre o Japão e o Brasil jamais devem esquecer que a estreita relação entre os dois países não foi construída da noite para o dia, mas por meio de inúmeros sacrifícios e esforços dos nossos pioneiros”.

(Aldo Shiguti)