Uma comitiva da província de Wakayama, no Japão, formada por 11 integrantes, participou, no dia 14 de outubro, de um jantar de boas-vindas oferecido pelo Wakayama Kenjinkai do Brasil, em sua sede, na zona sul de São Paulo. Entre os integrantes da delegação estavam o vice-governador de Wakayama, Yasunori Tomoi; o presidente da Assembleia Legislativa da província, Tatsuo Hori; e o diretor executivo da Associação de Intercâmbio Internacional de Wakayama (WIXAS), Noriyuki Suzukawa.

A delegação chegou ao Brasil após passar pela Argentina, onde participou das celebrações dos 140 anos da imigração japonesa naquele país.
Durante a recepção, o presidente do Wakayama Kenjinkai do Brasil, José Taniguti, falou sobre as transformações ocorridas na associação nas últimas duas décadas, período em que o perfil dos associados mudou, com a predominância de descendentes de japoneses (nikkeis) em relação aos imigrantes da primeira geração (isseis). Diante dessa realidade, a entidade passou a adotar o português em suas reuniões.
Compromisso – Taniguti também destacou a crescente diversidade das origens familiares dos descendentes de japoneses no Brasil. “Um fenômeno que se verifica é a mistura de sangues, muito comum no Brasil”, afirmou. Segundo ele, os isseis podem se casar com pessoas de outras províncias japonesas, fazendo com que os filhos passem a ter raízes em duas províncias. Na terceira geração, esse vínculo pode se estender a até quatro províncias.
“Isso se complica quando há casamentos inter-raciais. E, como a grande maioria não fala mais japonês, é cada vez mais difícil a comunicação com os japoneses”, observou.
O presidente também chamou a atenção para o envelhecimento do quadro associativo e a consequente redução do número de integrantes das entidades. Como alternativa para enfrentar esse cenário, Taniguti apontou a união entre diferentes kenjinkais na organização de eventos, prática que já ocorre em iniciativas como o Undokai.
Ao concluir sua fala, reafirmou o compromisso da entidade com a preservação dos vínculos com a província de origem. Segundo ele, enquanto houver associados, o Wakayama Kenjinkai continuará desenvolvendo suas atividades para manter essa conexão.
Patrimônio – Em seu discurso, o vice-governador Yasunori Tomoi ressaltou o papel da associação como elo entre Wakayama e o Brasil. “Os laços que vocês construíram são insubstituíveis para a província e constituem um patrimônio precioso a ser transmitido às futuras gerações”, afirmou.

Tomoi também lembrou que o governo de Wakayama planeja realizar a 3ª Convenção Mundial das Associações de Wakayama Kenjinkai. A segunda edição ocorreu em 2023. A iniciativa tem como objetivo preservar os vínculos históricos e culturais entre a província e seus descendentes no exterior, além de incentivar a continuidade das associações e a transmissão desse legado às novas gerações.
O presidente da Assembleia Legislativa da Província de Wakayama, Tatsuo Hori, recordou sua visita ao Brasil, há nove anos, para participar das comemorações do centenário da imigração de Wakayama para o país. A cerimônia foi realizada em 2017, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Hori encerrou seu pronunciamento manifestando a expectativa de estreitar ainda mais os laços com a associação brasileira.
Intercâmbio – Já Noriyuki Suzukawa, diretor executivo da WIXAS, anunciou que, em janeiro de 2027, a entidade receberá em Wakayama um jovem enviado pelo Wakayama Kenjinkai do Brasil, como parte do programa de intercâmbio destinado às associações provinciais japonesas no exterior.
Suzukawa também destacou iniciativas voltadas à preservação da língua e da memória da imigração japonesa. Entre elas estão os programas de “herança da língua japonesa”, destinados ao ensino do idioma a pessoas com ascendência japonesa, e os projetos de “história oral”, que buscam registrar e transmitir às futuras gerações a trajetória da emigração.
Homenagens e confraternização – A programação incluiu a entrega de certificados aos associados idosos e homenagens a pessoas que prestaram relevantes serviços à entidade. Também houve troca de presentes entre o Wakayama Kenjinkai do Brasil e os representantes do governo da província japonesa. A cerimônia foi encerrada com um jantar de confraternização.
Antes de retornar ao Japão, a comitiva de Wakayama fez uma escala no Peru.
(Aldo Shiguti)






