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Graziela Tamanaha vence o 1º Concurso de Histórias Sobre Família Nikkei

No dia 7 de junho, um domingo, o salão nobre do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, no bairro da Liberdade, ficou lotado. O público, no entanto, não estava ali para assistir nenhuma apresentação artística. Eles eram os personagens principais do 1º Concurso de Histórias Sobre Família Nikkei, evento promovido pelo Bunkyo e pela Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei. Idealizado pelo jurista Kiyoshi Harada, o concurso teve como objetivo despertar o interesse dos jovens nikkeis e transmitir a cultura japonesa ao longo das gerações.

Aberto a jovens da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho e do Bunkyo, ou associados e militantes em qualquer entidade nikkei de todo o Brasil ou da América Latina, com limitação de idade de até 50 anos, a primeira edição recebeu 79 trabalhos que foram avaliados por dois grupos de sete jurados. O primeiro, presidido pelo ministro Massami Uyeda – que também presidiu a Comissão Geral –, e o segundo, presidido pelo advogado Marcelo Molero.

A vencedora foi Graziela Tamanaha, autora de “Eu e minha avó centenária”, que o Brasil Nikkei publica nesta edição especial. Bacharel em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, pela Faculdades Integradas Alcântara Machado, Graziela Tamanaha é sansei, com raízes em Okinawa, Hokkaido e Kumamoto e atua ativamente na comunidade nikkei.

Iniciou suas atividades com as entidades nipo-brasileiras aos 19 anos e atualmente é uma liderança jovem dentro do Bunkyo. Participou de eventos no Japão e América Latina para entender a comunidade nikkei e o seu papel como fomentadora cultural, criando pontes e network entre os países.

Como prêmio, ela recebeu R$ 20 mil ofertado pelo idealizador do concurso.

A Mesa de Trabalho contou com a presença de autoridades importantes: o embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi; o cônsul geral Adjunto do Consulado Geral do Japão em São Paulo, Jiro Takamoto; o presidente do Bunkyo, Roberto Nishio; a presidente da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho, Marcia Kawase (que deixou o cargo no dia 15 de junho em cerimônia realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo); o idealizador e patrocinador do concurso, Kiyoshi Harada; e o coordenador do concurso, Rodolfo Wada.

Rodolfo Wada destacou que o concurso nasceu da generosidade de Harada ao identificar a necessidade de estimular jovens a olharem para a convivência com pais, avós e ancestrais. “A bolsa do Ministério de Negócios Estrangeiros do Japão é um grande privilégio e vem com a responsabilidade de contribuir com a comunidade nipo-brasileira. Este concurso renova esse compromisso”, afirmou.

Como um de seus últimos atos como presidente da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei, Márcia Kawase saudou todos os participantes e familiares. “Não estamos reunidos [no dia de hoje] apenas para premiar uma história, estamos reunidos para celebrar memórias, homenagear nossos antepassados e reconhecer o valor das famílias que construíram com muito trabalho e perseverança a trajetória da comunidade nikkei no Brasil. Cada família guarda um tesouro único, de valor imensurável. Suas lembranças, seus desafios, suas conquistas e os valores transmitidos de geração em geração. Este concurso nasceu justamente do desejo de preservar e resgatar esta história para que ela não se perca com o tempo e continue inspirando as futuras gerações”, disse Márcia, que lembrou o entusiasmo de Harada ao criar o projeto: “Quem conhece o Dr. Harada sabe, as ideias não ficam nas gavetas. Ele arregaça as mangas e faz acontecer”.

O idealizador do prêmio explicou o propósito do concurso. “O concurso visa perpetuar a memória dos nossos pais, dos nossos ancestrais, passando a milenar cultura japonesa de geração em geração. A cultura japonesa é uma espécie de herança tátil. Com a força da miscigenação, a fisionomia muda, mas a cultura permanece. Educação, respeito, responsabilidade, dignidade, lealdade e honradez são as bases”, disse.

Para o ministro Uyeda, que anunciou a vencedora, a tarefa dos jurados não foi fácil. Ele classificou a premiação como “marco dentro da história do desenvolvimento da comunidade nikkei”. “Com mais de 40 anos de carreira profissional como juiz, acostumado a decidir processos de conflitos de interesses, eu confesso que, ao analisar as monografias que foram apresentadas, tive muita dificuldade porque a qualidade dos escritos, os enredos e as histórias contidas nos emocionaram. Foi difícil realmente fazer essa seleção. Todos seriam vencedores, mas temos que dar o prêmio a um deles”, disse Massami Uyeda ao revelar a dificuldade de escolha.

Ex-presidente da Comissão de Jovens do Bunkyo em 2022 e atual coordenadora do 29º Sakura Matsuri, Graziela Tamanaha contou a história de sua avó Kame, descendente de Okinawa que viveu até os 102 anos. “Tirei um tempinho para resgatar essa história em homenagem à minha avó. Me emocionei diversas vezes escrevendo. Ser ponte entre o passado e o presente e o futuro é muito importante”, disse Graziela, revelando que foi o primeiro concurso que participou. “Mas meu pai, que faleceu em 2018, sempre me incentivou a escrever desde criança”, disse Graziela.

(Aldo Shiguti)