A promoção da igualdade de gênero e os desafios enfrentados pelas mulheres em ambientes profissionais predominantemente masculinos foram os temas centrais da palestra “Liderança e Diversidade: Experiências de uma Mulher Líder”, ministrada pela cônsul-geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki, no dia 8 de outubro, na Japan House São Paulo.

Realizada pelo Consulado Geral do Japão em São Paulo, pela Japan House São Paulo e pelo Comitê de Diversidade da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, a palestra proporcionou uma oportunidade de conhecer os avanços e as dificuldades enfrentados pelo Japão nessa área.
Ao compartilhar experiências de sua trajetória diplomática, a representante japonesa refletiu sobre as condições necessárias para que mais mulheres possam desenvolver suas capacidades, conquistar posições de liderança e participar das decisões que influenciam a sociedade.
Suzuki destacou que o Japão ainda apresenta características sociais e culturais conservadoras, que podem dificultar o avanço das mulheres no mercado de trabalho, na política e em cargos de maior responsabilidade. Embora o país tenha promovido mudanças legislativas e institucionais ao longo das últimas décadas, a transformação das práticas organizacionais e das expectativas sociais exige esforços contínuos.
A experiência pessoal da diplomata ilustra parte desse percurso. Ela ingressou no Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão (MOFA) em 1992, quando, segundo seu relato, a presença feminina naquele ambiente era extremamente reduzida. Ao longo da carreira, atuou em diferentes representações diplomáticas e missões internacionais, incluindo experiências no Brasil, no México e junto a organismos multilaterais.
Ao abordar sua trajetória, Suzuki ressaltou a importância da preparação profissional, da persistência e da confiança nas próprias capacidades. Também enfatizou o valor do apoio mútuo entre mulheres, do compartilhamento de experiências e da existência de referências femininas capazes de inspirar novas gerações. Visualizar o próprio futuro profissional e reconhecer as possibilidades de crescimento, segundo as reflexões apresentadas, são elementos importantes para construir uma carreira sem se deixar limitar por estereótipos de gênero.
Avanços – Os obstáculos à igualdade de gênero também se refletem nos indicadores internacionais. No Global Gender Gap Report 2026, do Fórum Econômico Mundial, o Japão ocupa a 117ª posição entre 145 países avaliados, resultado que evidencia desigualdades persistentes, especialmente na participação econômica e na representação política.
Entre as medidas discutidas na palestra estão a legislação trabalhista, as políticas de licença parental e as iniciativas voltadas à participação feminina na política. A Lei de Normas Trabalhistas, promulgada em 1947, estabeleceu parâmetros para as condições de trabalho e proibiu a discriminação salarial entre homens e mulheres. Já as políticas de licença parental buscam favorecer a conciliação entre vida profissional e responsabilidades familiares, embora sua efetividade dependa também de mudanças nas práticas das empresas e na distribuição das tarefas de cuidado.
Na esfera política, a legislação de promoção da igualdade de gênero aprovada em 2018 procura incentivar uma participação mais equilibrada de homens e mulheres como candidatos em eleições. O Plano Básico para a Igualdade de Gênero, por sua vez, estabelece diretrizes para orientar as políticas públicas japonesas nessa área.
Mulheres, paz e segurança – A palestra também abordou a agenda internacional Mulheres, Paz e Segurança (Women, Peace and Security — WPS), que reconhece a importância da participação feminina na prevenção e resolução de conflitos, nas negociações e na construção da paz. A iniciativa reforça a necessidade de incluir mulheres nos processos de tomada de decisão relacionados à segurança e à estabilidade internacional.
Outro aspecto destacado foi o apoio a iniciativas de base por meio da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), com o compartilhamento de experiências e conhecimentos japoneses. Suzuki também ressaltou a importância da formação de novas gerações de pesquisadores nas áreas de feminismo e estudos de gênero, reconhecendo o papel da cooperação internacional e da produção acadêmica na construção de sociedades mais inclusivas.
Desafios – No campo diplomático, a incorporação da perspectiva de gênero às políticas externas constitui outra frente de atuação do Japão. A ampliação da presença feminina nas representações internacionais e nos postos de maior responsabilidade permanece um desafio, assim como a criação de oportunidades para que mulheres de diferentes gerações desenvolvam suas carreiras.
Por fim, Yoriko Suzuki explicou que vem atuando buscando não reforçar sua condição de mulher e deixou algumas ações que considera importantes como o network; a busca por referências (mentores) e procurar visualizar o seu “eu”, isto é, qual o seu objetivo dentro da sociedade.
(Aldo Shiguti)






