Home / Comunidade / Nambei Shibu celebra a “Caminhada das Flores” no Centro Cultural São Paulo

Nambei Shibu celebra a “Caminhada das Flores” no Centro Cultural São Paulo

Realizada de 17 a 20 de setembro no Centro Cultural São Paulo pela Associação de Arte Floral Kado Iemoto Ikenobo da América do Sul — Nambei Shibu, a Exposição Anual de Ikebana reuniu cerca de 40 arranjos de professoras e alunas que traduzem a arte milenar como um estilo de vida.

A cerimônia de abertura, no dia 17, reuniu o diretor do CCSP, José Mauro; a presidente da Associação de Ikebana do Brasil, Cristina Sototuka; o presidente do Bunkyo, Roberto Nishio; o presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Teodoro Sato; o diretor da SP Negócios, Aurélio Nomura; e o presidente da Enkyo, Paulo Saita; além de mestras e praticantes da escola.

Ao abrir a solenidade, Kazuko Ichinohe, presidente da Nambei Shibu, agradeceu o esforço coletivo nas quase duas semanas de preparação, marcadas pela chuva. Para ela, o tema deste ano remete à própria jornada da vida. “Tudo se entrelaça: as flores, a família, as conexões sociais e as experiências culturais. A existência divide-se em ciclos e fases, cada qual com sua singularidade.” Kazuko destacou o Ikebana como espelho da alma. “Quando não estamos bem, o resultado reflete essa desarmonia. É necessário um certo distanciamento para discernir os caminhos.” E completou com uma reflexão sobre o tempo: “Tal como o curso de um rio, sempre em movimento, sempre transformando-se. Esta é a essência da vida.”

Representando o Centro Cultural, José Mauro ressaltou o papel comunitário do espaço, que recebe a exposição desde 1989. “Este espaço foi idealizado para ser um ponto de encontro e é em momentos como este que sua verdadeira função se concretiza. Somos passageiros e deixamos aqui apenas uma pequena contribuição, como quem assenta alguns tijolos em uma casa destinada a todos.”

O presidente do Bunkyo, Roberto Nishio, fez uma ponte entre a arte e a ética. “Embora eu não domine os detalhes técnicos da cultura japonesa, admiro profundamente seus valores. O Brasil atravessa um momento moral desafiador e acredito que a incorporação desses princípios pode contribuir para legarmos aos nossos filhos um país melhor.” Lembrou ainda a ida a Brasília em 23 de setembro de 2025 para a celebração do Dia Nacional do Ikebana, que classificou como uma vitória de todas as escolas.

Cristina Sototuka celebrou a vitalidade da arte no Brasil. “É importante celebrar o 23 de agosto, Dia Nacional do Ikebana. O Brasil é pioneiro mundial nesta institucionalização e o fato de o termo constar no dicionário como substantivo feminino atesta seu enraizamento. Cerca de metade de nossos professores não possui ascendência japonesa, evidenciando a universalidade do Ikebana.”

Aurélio Nomura resgatou a história da mostra no CCSP. “Nossa parceria começou em 1980. A escola Ikenobo, matriz de todos os estilos, com mais de 500 anos de história, tem inovado continuamente. Tenho convicção de que esta exposição integra definitivamente o calendário oficial do Centro, proporcionando uma experiência de meditação visual.”

Encerrando os discursos, Teodoro Sato convidou o público à contemplação. “Diante de um arranjo, cada espectador é conduzido a uma interpretação pessoal. O que representa o galho mais elevado? O que simboliza aquele caule inclinado? Até a escolha do vaso faz parte de uma narrativa.” Ao lembrar de um arranjo recebido recentemente em bambu, definiu: “O bambu se curva diante das adversidades, balança, mas não se quebra — um exemplo de resistência e integridade.”

(Aldo Shiguti)