A Associação Cultural Niigata do Brasil comemorou 70 anos de fundação no dia 23 de agosto, na Associação Hokkaido de Cultura e Assistência, na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo. A solenidade reuniu dirigentes da comunidade nipo-brasileira, autoridades japonesas e uma comitiva de 37 integrantes de Niigata, entre empresários e representantes do governo provincial.
A delegação foi liderada pelo governador de Niigata, Hideyo Hanazumi, e pelo presidente da Assembleia Legislativa da província, Yoshinori Kojima. Também participaram Norio Yoshida, secretário-representante da Associação Japonesa de Executivos Corporativos de Niigata.
Entre as autoridades brasileiras e representantes da comunidade estiveram Roberto Nishio, presidente do Bunkyo; Paulo Saita, presidente da Enkyo; José Taniguti, presidente da Kenren; Akihiro Miyazaki, representante-chefe da Jica Brasil; e Tetsuya Inoue, diretor-presidente da Jetro São Paulo.
Após um minuto de silêncio em homenagem aos antepassados, o 2º vice-presidente Ricardo Sasaki abriu a solenidade destacando sua ligação pessoal com Niigata. Ele contou que realizou mestrado e doutorado em Direito japonês durante nove anos na Universidade de Niigata. Sua esposa, Akiko, é natural da província, e o filho atualmente realiza pesquisa sobre Direito japonês na mesma universidade, como bolsista.

Intercâmbio econômico – Em seu discurso, o presidente Masao Suzuki defendeu uma nova missão para os kenjinkais: aproximar as províncias japonesas da sociedade brasileira, com atenção especial ao intercâmbio econômico.
Segundo Suzuki, uma das prioridades deve ser a formação de jovens nipo-brasileiros capazes de atuar como pontes entre os dois países. Para ele, não basta dominar o idioma japonês. É necessário conhecer profundamente a cultura e as práticas das empresas japonesas.
A proposta é que jovens passem um ano estagiando em empresas de setores nos quais suas províncias tenham destaque, enquanto aprimoram o idioma. Depois, estudariam os setores industriais em que a província realiza investimentos, em contato com órgãos de comércio e indústria e câmaras empresariais, antes de retornar ao Brasil.
A ideia é que esses profissionais atuem posteriormente como consultores e facilitadores de negócios, utilizando os kenjinkais como instrumentos de intercâmbio econômico.
Suzuki reconhece que os resultados de um projeto dessa natureza podem levar pelo menos dez anos. Ainda assim, considera urgente formar uma nova geração de pessoas capazes de aproximar Niigata e o Brasil.
Ele revela que “quase desistiu de seu projeto” mas que, “como um sonho que se torna realidade”, o governador Hanazumi reuniu representantes de quase dez empresas privadas para fortalecer o intercâmbio econômico e conseguiu trazer uma delegação a São Paulo para realizar uma feira de produtos de Niigata. “Essa conquista determinará nossas políticas futuras e dedicaremos a nutrir jovens nipo-brasileiros que amam Niigata a considerarem seu segundo lar”.
Respeito – Em seu discurso, o governador Hideyo Hanazumi manifestou respeito ao trabalho do Kenjinkai na união de seus membros, no apoio aos imigrantes e seus descendentes e na manutenção dos vínculos com a província.
Para o embaixador Yasushi Noguchi, a celebração representa uma oportunidade de fortalecer a ligação entre a província e a comunidade nipo-brasileira.
Noguchi também chamou atenção para a presença de empresas de Niigata, que trouxeram tecnologias e produtos ao Brasil. Segundo ele, São Paulo apresenta um ambiente favorável, especialmente pela forte presença da gastronomia japonesa e pelo interesse crescente dos brasileiros por produtos e soluções japonesas.
A expectativa é que a visita permita aos empresários de Niigata conhecer melhor o mercado brasileiro e identificar novas oportunidades comerciais.
Nova etapa nas relações – A cônsul-geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki, ressaltou que a preservação da cultura e das tradições de Niigata no Brasil, aliada ao intercâmbio entre gerações, consolidou uma importante ponte entre Japão e Brasil.
Ela destacou a oportunidade de realização de rodadas de negócios em São Paulo para promover produtos e marcas de Niigata e afirmou acreditar no potencial da gastronomia e dos produtos da província para conquistar consumidores brasileiros.
Para a cônsul-geral, o 70º aniversário deve representar um novo ponto de partida, com a ampliação dos intercâmbios econômicos e o fortalecimento dos vínculos de amizade entre os dois países.
A celebração dos 70 anos, assim, marcou não apenas a preservação de uma história iniciada em 1956, mas também o início de uma nova fase para o Niigata Kenjinkai: transformar os laços construídos por sete décadas em oportunidades para as próximas gerações.
(Aldo Shiguti)





