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AOKB inaugura sede revitalizada e 1º Escritório de Representação de Okinawa na América do Sul

A série de atividades comemorativas alusivas ao Centenário da Fundação da Associação Okinawa Kenjin do Brasil – AOKB teve início no dia 30 de julho, na sede da entidade, na Liberdade, com dois marcos históricos: a Cerimônia de Entrega das Obras de Revitalização e a Inauguração do Escritório de Representação da Província de Okinawa na América do Sul.

O processo de revitalização da sede teve início no ano passado e incluiu melhorias na estrutura predial e na requalificação de espaços. O objetivo, segundo o presidente da AOKB, Rui Chibana, é perpetuar o legado dos pioneiros às futuras gerações.

Entre as entregas estão a Galeria de Ex-Presidentes, o Museu ampliado, o novo acervo da biblioteca, a sala de reuniões e o salão principal, que teve a capacidade aumentada de 320 para 450 lugares.

O ponto alto foi a inauguração do Escritório de Okinawa na América do Sul, em cerimônia que contou com as presenças do vice-governador de Okinawa, Hajime Oshiro; do presidente da Assembleia Legislativa de Okinawa, Kyoki Nakagawa; e do embaixador do Japão, Yasushi Noguchi.

A iniciativa atende a uma demanda das associações locais e terá como objetivo aprofundar os intercâmbios humanos, culturais e econômicos com a região, onde vive um grande número de imigrantes e descendentes de okinawanos.

As diretrizes iniciais focam em expandir as atividades para Brasil, Peru, Bolívia e Argentina, oferecendo suporte a redes de descendentes, coleta de informações econômicas e comerciais, além de apoio a negócios locais.

Após diálogos com as associações, o governo de Okinawa concluiu ser imprescindível fortalecer a comunicação e a rede regional no continente. O escritório será liderado por Karina Satomi Matsumoto e Renata Naomi Otto Kawano.

Chimugukuru – O governador da Província de Okinawa, Denny Tamaki, enviou carta oficial lida durante a solenidade pelo vice-governador, reiterando o compromisso do governo em oferecer todo o apoio necessário para que o escritório se consolide como um elo vital entre Okinawa e a América do Sul.

Segundo o governador, a inauguração do Escritório de Representação na América do Sul “é fruto do profundo sentimento de ‘chimugukuru’ dos membros das Associações Okinawa Kenjhin na América do Sul que, tendo como base a história da imigração, construíram a Rede Uchiná e desejam transmiti-la para as próximas gerações”.

Segundo Tamaki, uma das mais importantes missões atribuídas ao Escritório será o de ampliar significativamente esse círculo de relações para abranger uma ampla gama de áreas, incluindo o intercâmbio econômico.

Anseio – Em sua fala, o presidente da Assembleia Legislativa da Província de Okinawa, Kyoki Nakagawa, lembrou que a abertura do Escritório, que teve início com uma resolução da Assembleia Geral da AOKB em 2001, passando por petições enviadas à Assembleia Legislativa em março de 2023, “representa a concretização de um anseio mantido por um quarto de século mantido pelos uchinanchus da América do Sul e não simboliza apenas os laços de amizade que unem Okinawa e a América do Sul, mas também amplia enormemente as possibilidades para o futuro”.

Yuimaru – Presidente da AOKB, Rui Chibana, destacou a importância do novo escritório. “A inauguração do Escritório de Representação da Província de Okinawa na América do Sul é, sem dúvida, um marco histórico para todos nós, descendentes de okinawanos nas Américas. A rica cultura de Okinawa é amplamente difundida nas Américas, fato que atribuímos ao espírito do Yuimaru, que simboliza a cooperação mútua em prol do futuro. É esse mesmo espírito que inspira este importante passo no fortalecimento dos laços entre a Província e sua comunidade no exterior”, disse Rui, acrescentando que “esta iniciativa promoverá uma aproximação ainda maior nas esferas cultural, educacional, econômica e institucional, estreitando os vínculos entre Okinawa e suas comunidades e assegurando que este legado seja transmitido às próximas gerações.”

Afeto – A representante-chefe do escritório, Karina Satomi Matsumoto, agradeceu a confiança. “É uma honra ter sido selecionada, juntamente com minha colega Renata Kawano, para assumir este projeto que atravessou diversas gestões. Pessoalmente, sinto-me gratificada pela escolha de duas mulheres, duas descendentes de okinawanos, para desempenhar esta função. É com profundo afeto por Okinawa, pelo Brasil e por toda a América Latina que trabalharemos para fortalecer nossas comunidades e os nossos laços. Este escritório representa uma oportunidade singular de apoiar Okinawa — nossa terra ancestral —, aplicando o conhecimento adquirido ao longo de mais de um século de vivência nestas terras”.

Nova etapa – A co-representante, Renata Naomi Otto Kawano, reforçou o compromisso. “Este escritório não inicia sua história hoje; ele nasce dos caminhos abertos pelos imigrantes e do trabalho realizado pelas comunidades ao longo de diversas gerações. Sua inauguração marca uma nova etapa nas relações de Okinawa com a comunidade da América do Sul. Como representante da Província de Okinawa, meu compromisso será fortalecer esse diálogo, aproximar pessoas e instituições e contribuir para que informações, projetos e oportunidades circulem em ambas as direções. Gostaria de recordar o termo Yuimaaru, que expressa a reciprocidade e a união em torno de um objetivo comum. Acredito que esse espírito deve nortear o trabalho que iniciamos hoje”, concluiu Renata Kawano.

(Aldo Shiguti)


Rui Chibana e Takeyoshi Teruya destacam legado da revitalização

Na sequência, já no reformado salão da AOKB, o presidente da AOKB, Rui Chibana, fez um discurso de agradecimentos e lembrou que a celebração do centenário da Associação Okinawa do Brasil foi o principal motivo que impulsionou a revitalização da sede. “Este importante marco para a nossa instituição somente foi possível graças à dedicação, ao empenho e à união de muitas pessoas, às quais gostaria de manifestar o meu mais sincero reconhecimento”, disse Rui Chibana, que fez um agradecimento especial aos pioneiros, ex-presidentes e ex-diretores. O presidente também destacou o foco da reforma nas futuras gerações.

Novas gerações – “Pensamos, especialmente, nas novas gerações, que muitas vezes não tiveram a oportunidade de vivenciar a cultura de Okinawa por meio do convívio direto com seus avós e bisavós. Esta revitalização foi planejada para que nossa sede seja um espaço de visitação, estudo e convivência, onde nossos jovens possam reencontrar suas raízes por meio da história, da literatura, do museu, da música e das artes tradicionais. Desejamos que este local seja também um ponto de acolhimento para todos aqueles que, mesmo não sendo descendentes, admiram e desejam conhecer a cultura de Okinawa.”

História – Presidente da Comissão de Revitalização, Takeyoshi Teruya resgatou a história da entidade. “Há 100 anos, 29 líderes visionários uniram esforços em um espírito de comunhão. Foi a coragem, a união e a determinação desses pioneiros que deram vida à nossa associação. Neste momento solene, prestamos nossas mais profundas homenagens aos precursores que lançaram as bases desta história e tornaram possível tudo o que celebramos hoje”, afirmou Takeyoshi.

União – Ele lembrou que em 1971 teve início a construção do atual edifício, inaugurado em 1978, e que desde então tornou-se o lar da comunidade okinawana no Brasil. “Após quase 50 anos, tornou-se evidente a necessidade de revitalizar este patrimônio. Elaboramos um projeto que, preservando nossa trajetória, preparasse esta sede para as próximas gerações, modernizando a biblioteca, o espaço dedicado à imigração e os ambientes destinados às atividades culturais, artísticas e comunitárias”, disse Takeyoshi, que destacou o espírito comunitário que possibilitou angariar os recursos para a obra.

“Como ocorre em iniciativas desta dimensão, enfrentamos o desafio de viabilizar os recursos necessários. Foi então que nossa comunidade demonstrou, mais uma vez, sua maior virtude: a união. Nossos associados, colaboradores e apoiadores promoveram eventos beneficentes e destinaram integralmente os valores arrecadados, contando, ainda, com generosas contribuições de nossos patrocinadores”, afirmou.

Respeito – Ao final, Takeyoshi reforçou o significado da entrega. “Ao revitalizar esta sede, buscamos honrar o legado edificado pelo trabalho, pela dedicação e pelo espírito de coesão de inúmeras gerações. Esta conquista reafirma um dos ensinamentos fundamentais da cultura de Okinawa: quando caminhamos unidos, somos capazes de transformar desafios em grandes realizações. Agradeço a confiança depositada nesta comissão. Continuaremos trabalhando para que esta casa permaneça como um espaço de convivência, aprendizado e unidade, onde a cultura e os valores do povo okinawano sejam preservados e transmitidos às futuras gerações. Que todos possam ocupar esta sede renovada com o mesmo orgulho daqueles que a ergueram e com a mesma esperança daqueles que continuarão a escrever a história de nossa associação”, concluiu.

Presidente do Bunkyo, Roberto Nishio disse que “esta sede simboliza a perseverança de um século, o respeito ao passado e a confiança no futuro”. “Ela fortalecerá a identidade da comunidade okinawana, ampliará o alcance de suas atividades socioculturais e servirá como um exemplo inspirador para toda a comunidade nipo-brasileira”, afirmou Nishio.

Referência – Para o vereador George Hato, “ao completar cem anos, a associação consolidou-se como uma referência para toda a comunidade nikkei, funcionando como um espaço de convivência, apoio e encontro entre famílias”. “É um local onde os mais velhos transmitem suas experiências, enquanto as novas gerações aprendem a valorizar a própria trajetória. A identidade cultural uchinanchu é singular e manifesta-se com vigor na música, na dança, na culinária e, sobretudo, no espírito de união que define esta comunidade. Preservar essa cultura é também reconhecer a valiosa contribuição do povo okinawano para o desenvolvimento de São Paulo e do Brasil”, destacou o parlamentar.

A comemoração teve direito a bolo e apresentações artísticas. À noite, a Banda Begin fez um show especial no Bunkyo para convidados.

(Aldo Shiguti)