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Especial, 20º Festival do Japão de Campinas recebe cerca de 12 mil pessoas

Em clima de Copa do Mundo, o Instituto Cultural Nipo-Brasileiro de Campinas celebrou um marco significativo em sua história com a realização, nos dias 13 e 14 de junho, da 20ª edição do Festival do Japão. Inspirado no festival homônimo realizado anualmente pela Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil – o evento de Campinas foi realizado pela primeira vez em 2005. Idealizado por Tadayoshi Hanada – que também presidia o Nipo de Campinas à época –, o Festival do Japão de Campinas alcançou grande relevância e consolidou-se como uma das principais festividades nipo-brasileiras do interior paulista.

Não à toa, Tadayoshi Hanada confessou que ficou “um pouco nervoso” em seu discurso na cerimônia de abertura. “Quando visitei o Festival do Japão [da Kenren], ele ainda era realizado no pátio da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) – atualmente acontece no São Paulo Expo. Propus realizarmos um evento parecido em Campinas, mas como não tínhamos patrocinadores suficientes, decidimos fazê-lo inicialmente como uma Feira Oriental mais sofisticada, com inclusão da parte artística”, recordou Hanada, que aproveitou para agradecer os patrocinadores, apoiadores, diretoria, associados, bazaristas e os cerca de 200 voluntários.

Tadayoshi Hanada relembrou momentos especiais durante os vinte anos de evento

Chamando o prefeito Dário Saadi, a secretária municipal de Cultura e Turismo Alexandra Caprioli e o vereador Luis Yabiku, além de sua atual esposa, Cecília Shirassawa, para estar ao seu lado, explicou que, pela primeira vez, o Festival do Japão de Campinas recebeu uma emenda impositiva. Lembrou que o evento foi criado para celebrar o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil como forma de agradecer aos brasileiros pela acolhida aos pioneiros. E se emocionou ao falar que, ao longo dessas duas décadas, compartilhou trajetórias com muitas pessoas. Homenageou ex-presidentes e diretores que passaram pelo Nipo, e amigos.

“Guardo com muito carinho a memória da minha saudosa esposa, Masako Maeda Hanada, que foi fundamental na idealização e na concretização deste festival. Quando retornei de São Paulo com o sonho de realizar um evento desta magnitude, enfrentei desafios imensos e foi o apoio dela, nas madrugadas de planejamento e nas articulações com a diretoria, que tornou tudo possível. Durante muito tempo, mesmo após sua partida, eu ainda esperava vê-la cruzar aquela porta. Embora o destino não tenha permitido, ela me deixou um legado valioso e a força necessária para seguir”, disse Hanada, emocionado.

Mas como ele mesmo frisou, a vida reserva muitas surpresas. “Após enfrentar uma cirurgia cardíaca, recebi o suporte inestimável da minha atual esposa, Cecília Mayumi Shirassawa. Ela me estendeu a mão nos momentos de maior fragilidade e permanece ao meu lado como uma companheira admirável. Minha profunda gratidão a ela, a toda a minha família pelo apoio constante e a vocês, público, que vieram prestigiar este evento”, concluiu Tadayoshi Hanada.

Ao jornal Brasil Nikkei, que esteve presente na cerimônia de abertura, Hanada disse que a edição comemorativa atingiu o seu objetivo. Segundo ele, cerca de 12 mil pessoas prestigiaram o Festival nos dois dias, mesmo com os jogos do Brasil e do Japão na Copa do Mundo. Este ano, com o intuito de oferecer mais conforto e comodidade, o Nipo instalou tendas na rua como uma extensão da praça de alimentação. E funcionou.

Manifestando reconhecimento da cidade pela valiosa contribuição da comunidade japonesa na construção de um município que hoje conta com cerca de 1,2 milhão de habitantes e se destaca como um dos mais importantes do país, o prefeito Dário Saadi disse que “o Brasil é um país tão plural que, inclusive, tenho um filho japonês que carrega consigo a cultura japonesa, e sinto um imenso orgulho de sua dedicação e caráter”.

“O Festival do Japão é uma referência cultural indispensável em nossa cidade. Celebrar a cultura dos nossos imigrantes é celebrar a diversidade que construiu o Brasil e que continua a edificar Campinas”, frisou o chefe do executivo.

Ao jornal Brasil Nikkei, a secretária municipal de Cultura e Turismo Alexandra Caprioli destacou a longevidade do Festival do Japão. “Ao completar 20 anos, o Festival do Japão é hoje uma conexão da cidade com a cultura japonesa. O Nipo já é esse território que todo mundo identifica, que mantém as tradições, que faz com que o brasileiro também consiga ter acesso ao que é a cultura japonesa. E esse ano a gente está muito feliz porque o evento está inscrito como um termo de fomento, com um plano de trabalho, recebendo o recurso de emenda impositiva através da Secretaria de Cultura, dando possibilidade de o evento ser ainda mais grandioso, porque a gente sabe que é um desafio esse evento não perder força”, disse Alexandra, destacando a importância de mesclar as culturas brasileira e japonesa “e honrar o legado que os japoneses deixaram para nossa Campinas”.

Ao final da cerimônia, o prefeito Dário Saadi conduziu o brinde.

(Aldo Shiguti)