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 Exposição fotográfica na Assembleia de SC traz a sutileza da tradição das gueixas nipônicas

A fotógrafa Annete Owatari, neta de imigrantes japoneses, apresenta desde o início do mês a exposição “Mundo Gion: Nuances do Hanamachi” no Espaço Cruz e Sousa, no Palácio Barriga Verde, sede da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). A mostra integra a celebração dos 118 anos da imigração japonesa no Brasil e segue em exibição até o dia 19 de junho.

O trabalho reúne fotografias de gueixas e geikos, suas aprendizes, registradas por Owatari em Gion, distrito de Kyoto conhecido como hanamachi, ou “cidade das flores”. Gion é o mais famoso entre os cinco distritos históricos da cidade onde essas profissionais atuam como artistas e guardiãs da cultura tradicional japonesa, especializadas em dança, música, cerimônia do chá e conversação.

As imagens foram coletadas entre 2009 e 2011, ao longo de viagens ao Japão, e integram o que a fotógrafa chama de trabalho autoral, ao qual se dedica há quatro anos. “Este recorte da exposição original reflete um olhar brasileiro”, afirma Owatari. Para captar parte das fotos, ela aguardou em frente a casas de gueixas, fotografando-as no momento em que saíam para compromissos profissionais, inclusive dentro de um táxi.

A proposta se afasta da representação exótica associada a essas figuras e busca registrar gestos, texturas e detalhes que compõem o cotidiano dessas mulheres. A mostra já passou pelo Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina, pelo Museu da Escola Catarinense, ambos em Florianópolis, e pelo Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville.

O espaço expositivo também reúne peças de cerâmica, leques e artesanatos da província de Aomori, considerada província-irmã de Santa Catarina. Aomori é conhecida pela produção de maçãs e foi de lá que, na década de 1960, imigrantes japoneses trouxeram para Santa Catarina as primeiras mudas de macieiras Fuji. Para Yoshihico Kaneoya, da Nipocultura, entidade criada em 2008 para valorizar a cultura japonesa no estado, a exposição traduz o espírito nipônico de “mínimo de materialidade, máximo de expressividade”.

(Foto em destaque: Daniel Conzi/Alesc)