No dia 29 de abril, o governo japonês anunciou os nomes dos cinco contemplados com a Condecoração da Primavera do 8º ano da Era Reiwa. Um condecorado, o ex-presidente da Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil – Toshio Ichikawa, pertence à jurisdição do Consulado Geral do Japão em São Paulo – que abrange os Estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e parte do Triângulo Mineiro. Os outros condecorados pertencem à Embaixada do Japão (Kenji Kawano, presidente da Kenbridge Consultant); Consulado Geral do Japão no Recife (Armando Hideki Shinohara, professor do Centro de Tecnologia e Geociências da Universidade Federal de Pernambuco); Consulado Geral do Japão em Manaus (Euler Esteves Ribeiro, professor Emérito da Universidade Estadual do Amazonas e reitor da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade) e Consulado do Japão em Belém (Kozaburo Mineshita, ex-presidente da Cooperativa Agrícola de Tomé-Açú).
Saiba mais sobre os condecorados:

Toshio Ichikawa, brasileiro, 78 anos, residente em São Paulo (SP), foi condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro e Prata, é ex-presidente da Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil e atual presidente da Associação Toyama Kenjin do Brasil.
Como presidente da Kenren empenhou-se na revitalização das atividades das associações de províncias, incentivando a formação de jovens talentos e a sucessão geracional nas entidades. Além disso, contribuiu de forma significativa para o fortalecimento da cooperação entre a comunidade nipo-brasileira e o Japão através da assinatura do Memorando de Cooperação com a Jica, intitulado “Unidos pelo Futuro”, bem como pela realização do “Encontro dos Kenjinkais”.
No âmbito do “Festival do Japão”, organizado pela Kenren, liderou a continuidade das atividades mesmo durante o período da pandemia, esforçando-se para a retomada dos eventos presenciais e para a difusão do Festival em diversas regiões do Brasil. Contribuiu também para a promoção de produtos de várias regiões do Japão por meio da realização da Exposição “Furusato Iimono Ten”.
Como presidente da Associação Toyama Kenjin do Brasil, contribuiu para a promoção da amizade entre a província de Toyama e a comunidade nipo-brasileira através de iniciativas como o intercâmbio de estudantes e estagiários, a realização de projetos comemorativos e a publicação de livro de sua autoria.

Kenji Kawano, japonês, 72 anos, residente em Brasília (DF), foi condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Prata, é presidente da Kenbridge Consultant Ltda.
Empenhou-se na recuperação dos créditos do setor público e privado japonês decorrentes da crise da dívida brasileira na década de 1980, contribuindo para a restituição de fundos ao Tesouro Japonês. Além disso, em 1991, em colaboração com o então ministro da Fazenda do Brasil, participou na mudança de política para a liberalização internacional do mercado automobilístico, abrindo caminho para a entrada de empresas japonesas no mercado local nos anos posteriores. Em 2008, no jantar comemorativo do centenário da imigração japonesa no Brasil, que contou com a presença do então Príncipe Herdeiro, conseguiu realizar a exibição de fogos de artifício japoneses com o recurso financeiro próprio. No mesmo ano, quando o então presidente Lula visitou o Japão por ocasião da Cimeira de Toyako (G7), ele acompanhou-o como intérprete do Congresso Nacional e, aproveitando a oportunidade de conversar com o presidente, transmitiu-lhe a importância dos projetos de cooperação internacional do Japão (inclusive o desenvolvimento do Cerrado), o que mais tarde contribuiu para a boa compreensão do presidente sobre a cooperação internacional do Japão. Realizou voluntariamente palestras na sua terra natal, Fukuoka, contribuindo para a compreensão intercultural, a promoção do intercâmbio e a formação da próxima geração.
Também prestou apoio à Embaixada do Japão no Brasil, indo além das suas funções empresariais, ao disponibilizar gratuitamente a sua rede de contatos e conhecimentos para apoiar as atividades diplomáticas. Durante muitos anos, desempenhou o papel de ponte entre as autoridades governamentais em Brasília e as empresas japonesas sediadas em São Paulo, respondendo gratuitamente a diversos pedidos e apoiando as empresas nipônicas.

Armando Hideki Shinohara, brasileiro, 63 anos, residente em Recife (PE), foi condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro com Laço, é atualmente professor do Centro de Tecnologia e Geociências da Universidade Federal de Pernambuco.
Tem contribuído de forma significativa para a promoção do intercâmbio acadêmico e do entendimento mútuo entre o Japão e o Brasil. Ele tem realizado intercâmbios acadêmicos com o Japão em áreas como as de energias renováveis marinhas, atuando como uma ponte entre o Japão e o Brasil.
Além disso, paralelamente às suas atividades principais como pesquisador, ele continua contribuindo para a difusão da cultura e da língua japonesas por meio de atividades como o estabelecimento de um curso de língua japonesa na Universidade Federal de Pernambuco, bem como o seu trabalho como diretor da Associação Cultural Japonesa do Recife.

Euler Esteves Ribeiro, brasileiro, 84 anos, residente em Manaus (AM), condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro com Laço, é professor Emérito da Universidade Estadual do Amazonas e reitor da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI).
Em 2001, como deputado federal, participou do Programa de Treinamento para Terceiros Países da Jica “Curso Internacional de Geriatria”. Sob a orientação do professor Yukio Moriguchi, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), que atuava como instrutor desse curso, ele obteve o título de doutor em Gerontologia Biomédica em 2006.
Em 2007, fundou a Universidade Aberta da Terceira Idade vinculada à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que em 2018 se tornou independente como Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI). Ele implementou um modelo de saúde e bem-estar para pessoas idosas, desenvolvido pioneiramente no Japão, demonstrando internacionalmente a eficácia e o caráter avançado das políticas japonesas de envelhecimento.
Entre 2013 e 2019, participou de pesquisas conjuntas financiadas pela Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia (JST) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e em 2015 realizou uma palestra na Tokyo Metropolitan University.
Recentemente, promoveu uma demonstração de culinária japonesa na Cozinha Escola da FUnATI, construída com apoio do programa Assistência para Projetos Comunitários (APC) do governo japonês, contribuindo para a divulgação da cultura alimentar japonesa. Além disso, em colaboração com ex-bolsistas da JICA que estudaram no Japão temas como “cuidados de saúde em equipe através da colaboração multidisciplinar e a implementação prática do Sistema de Cuidados Integrados Baseados na Comunidade” e o “método Yura Ritmo”, tem incentivado a difusão dessas práticas. Ao longo de mais de 20 anos, vem contribuindo significativamente para o intercâmbio acadêmico e a promoção do entendimento mútuo entre o Japão e o Brasil na área da geriatria.

Kozaburo Mineshita, japonês, 86 anos, residente em Tomé-Açú (PA), condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Prata, é ex-presidente da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu.
De 1979 a 1997, Mineshita desempenhou cargos de diretor, diretor executivo e presidente da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu durante 18 anos, período no qual atuou para a reestruturação da Cooperativa em seu período de grande dificuldade econômica, promovendo com sucesso a transição geracional da administração, apoiando os futuros líderes, contribuindo sobremaneira para a estabilidade e o desenvolvimento da comunidade nikkei de Tomé-Açu.
Além disso, como um dos pioneiros na implementação da técnica agrícola, o sistema agroflorestal de Tomé-Açu, recebeu em sua fazenda Sua Alteza Imperial a Princesa Mako durante a sua visita a Tomé-Açu em 2018, ciceroneando-a e explanando sobre essa tecnologia. Recebeu também a visita de inúmeras autoridades governamentais japonesas e brasileiras ao longo dos anos, concedendo entrevistas a mídias de comunicação locais e estrangeiras, contribuindo significativamente para a prática e divulgação do sistema agroflorestal dentro e fora do Brasil.
De 1999 a 2002, foi enviado em uma missão para a República Dominicana como especialista agrícola pela JICA, contribuindo para aumento da produção agrícola nas comunidades o que proporcionou a elevação da renda e as condições de vida dos moradores locais.






