O Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – e o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (MHIJB) inauguraram, no dia 28 de abril, a exposição “130 anos de Relações Brasil-Japão: Pontes de Integração Cultural – Bunkyo 70 anos” em comemoração aos 130 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão e aos 70 anos da entidade, celebrados em 2025. Realizada no nono andar do Museu, que fica no Edifício Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo, a solenidade reuniu autoridades brasileiras e japonesas, parlamentares, empresários e membros da comunidade nikkei.
Estiveram presentes a cônsul geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki; a vice-cônsul, Yuka Nogami; o presidente do Bunkyo, Roberto Nishio; a presidente da Comissão de Administração do MHIJB, Lídia Yamashita; o representante chefe da Jica (Japan International Agency Cooperation), no Brasil, Akihiro Miyazaki; o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Cidade de São Paulo, Rodrigo Hayashi Goulart; o vereador Kenji Ito; o presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Teodoro Sato; o ex-prefeito de Suzano e ex-secretário municipal do Verde e Meio Ambiente da Cidade de São Paulo, Rodrigo Ashiuchi; o ex-diretor de Convênios do Estado de São Paulo, Walter Ihoshi; e o diretor da SP Negócios, Aurélio Nomura, entre outros.
Fundado em 1955, o Bunkyo é hoje a principal entidade representativa dos nipo-brasileiros. Além do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, administra o Pavilhão Japonês do Ibirapuera, que foi reaberto no dia 25 de abril, e o Parque Bunkyo Kokushikan, em São Roque (SP).
A mostra reúne oito paineis medindo 1,50m x 2,00m com temas que mostram desde a sua fundação até os dias atuais, conta ainda documentos sobre a construção da sede e plantas desenhadas por Takeshi Suzuki, o primeiro engenheiro-arquiteto japonês formado no Brasil, além de quimonos e registros audiovisuais.

Espírito coletivo – Em sua saudação, o presidente do Bunkyo, Roberto Yoshihiro Nishio, destacou o papel da entidade ao longo das décadas. “Setenta anos representam uma trajetória marcada por dedicação, perseverança e espírito coletivo. Ao longo dessas sete décadas, gerações de homens e mulheres se uniram em torno de um propósito comum: preservar a cultura japonesa, honrar a memória dos imigrantes e fortalecer os laços de amizades Brasil e Japão”, disse Nishio, que expressou sua gratidão aos associados, conselheiros, diretores, funcionários, voluntários e apoiadores (pessoas físicas e jurídicas) que, “ao longo dos anos, não mediram esforços para possibilitar o desenvolvimento e o engrandecimento desta entidade”.
“Cada contribuição, cada gesto de dedicação e cada hora de trabalho ajudaram a construir o Bunkyo que hoje conhecemos e admiramos”, afirmou.

Nishio também fez um agradecimento especial ao Governo do Japão “pelo constante apoio, orientação e pelas valiosas contribuições com que nos distinguiu ao longo dos anos”. “Nosso reconhecimento ao Consulado Geral do Japão em São Paulo, na pessoa da cônsul-geral, Yoriko Suzuki; à Embaixada do Japão no Brasil, hoje sob a liderança do embaixador Yasushi Noguchi, e à Jica, na pessoa de seu representante-chefe, Akihiro Miyazaki, cujas dedicações fortalecem continuamente os laços de amizade, cooperação e respeito entre nossas nações”.
O presidente do Bunkyo destacou, com “muito orgulho, o especial carinho e consideração que a Família Imperial do Japão demonstra dedicar ao Bunkyo”. “A pedra fundamental da construção deste edifício-sede foi cimentada por sua Alteza Imperial Príncipe Mikasa no Miya. E tivemos a honra de receber as visitas de Suas Majestades Imperador Emérito Akihito e Imperatriz Emérita Michiko, de Sua Majestade Imperador Naruhito, de Suas Altezas Príncipe Herdeiro Akishino e Princesa Kiko, de Sua Alteza Imperial a Princesa Mako de Akishino e, no ano passado, de Sua Alteza Imperial, a Princesa Kako de Akishino”, recordou Nishio, acrescentando que “ao olharmos para o futuro, renovamos nosso compromisso de preservar esse legado e inspirar as novas gerações.”
Segundo ele, “celebrar 70 anos é também reverenciar aqueles que vieram antes de nós – pioneiros e líderes que, com visão e coragem, lançaram as bases desta instituição e deixaram um legado que hoje nos enche de orgulho. A eles, nossa eterna gratidão e respeito”, concluiu.
Pontes – A presidente da Comissão de Administração do Museu, Lidia Yamashita, explicou o conceito da exposição. “Quando pensamos em conceber essa exposição, pensamos em construir uma ponte, uma ponte que nos permitisse identificar a história do Bunkyo desde a sua fundação. Uma trajetória ainda pouco conhecida por muitos, mas profundamente ligada à história do Pavilhão Japonês do Parque do Ibirapuera. Ao longo destes 70 anos, o Bunkyo construiu pontes que atravessam o tempo e o espaço. Pontes entre Brasil e Japão, entre culturas, entre gerações, entre pessoas e entre comunidades de norte a sul, leste e oeste do país. Pontes que também unem instituições, empresas parceiras, profissionais de diferentes áreas e todos aqueles que acreditam na força da cultura como elemento de conexão e transformação. E é com esse mesmo espírito que desejamos que esta exposição também se torne uma ponte em movimento”, disse Lidia.

A ideia, conta, é tornar a exposição itinerante. “Queremos levá-la às associações regionais que desejarem recebê-la para que essa história possa alcançar aqueles que não tenham a oportunidade de vê-la no Museu”, disse Lidia, explicando que “essa história não pertence apenas a nós e apenas a este lugar, mas ela pertence a todos nós”. “E continuará sendo construída especialmente pelas novas gerações que darão novos sentidos a esse legado”, destacou Lidia.
Evolução – Para a cônsul-geral Yoriko Suzuki, a exposição é “um convite para percorrer uma trajetória construída ao longo de 130 anos”. “Para o Japão, o Brasil ocupa um lugar muito especial. Mais que um parceiro com o qual compartilha valores, princípios como liberdade, democracia, estado de direito e respeito aos direitos humanos, é um país que acolheu e viu florescer a maior comunidade nikkei do mundo”, afirmou.
Segundo ela, essa relação, construída ao longo das gerações, “é um dos pilares que sustenta a relação entre os nossos países”. “Ao longo desse caminho, o Bunkyo tem desempenhado um papel essencial. Durante sete décadas, tem preservado valores, transmitido tradições e fomentado novos encontros. Trata-se de um trabalho contínuo que conecta o passado, o presente e o futuro”, frisou a cônsul que, observando rapidamente a exposição, disse ter constatado a evolução da entidade ao longo dos anos.
Para ela, o Bunkyo tem desenvolvido e tem mostrado a história da imigração e a diversidade que a imigração japonesa trouxe para o Brasil.
“E o Museu tem preservado a história da imigração e mostrado os legados da nossa imigração para a comunidade brasileira e, também, talvez para o mundo através dos turistas que vêm aqui para conhecer a imigração japonesa que é muito relevante mundialmente”, explicou, acrescentando que “as visitas de membros da Família Imperial e de altas autoridades japonesas evidenciam a importância desta entidade na trajetória da comunidade nipo-brasileira, importância ressaltada pela recente visita de sua Alteza, Princesa Kako, que trouxe um significado ainda mais especial às celebrações dos 130 anos de amizade, fortalecendo e renovando os laços que unem nossos povos”.
Ela concluiu sua fala lembrando que, em 2028, celebraremos os 120 anos da imigração japonesa no Brasil. “Será uma oportunidade de lembrarmos as trajetórias dos imigrantes, reforçarmos suas contribuições para a sociedade brasileira e projetarmos novos caminhos para a nossa relação”, disse Yoriko Suzuki.
Referência – O representante da Jica, Akihiro Miyazaki, lembrou o papel da entidade como parceira. “O Bunkyo teve grande destaque com diversos eventos, principalmente a recepção da Princesa Kako em 2025. Como a principal entidade representativa da comunidade nikkei, o Bunkyo desempenha um importante papel, servindo de ponte entre Brasil e Japão, seja junto com o governo de ambos países, bem como perante a família imperial. Entendo que esta exposição é uma oportunidade para muitos conhecerem melhor o Bunkyo e suas histórias, sua importância hoje e para o futuro”, explicou Miyazaki.
Representando o prefeito Ricardo Nunes, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Hayashi Goulart destacou o valor simbólico da exposição. “Pude ficar sabendo mais sobre a vinda dos meus avós quando visitei o Museu da Jica, em Yokohama”, disse o secretário. “A gente sabe da importância, até emocional, desses museus”, afirmou.
O ex-secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Rodrigo Ashiuchi ressaltou a relevância da instituição. “Hoje celebramos 130 anos do Tratado de Amizade e também 70 anos do nosso Bunkyo de São Paulo, que é uma referência não só para a cidade, para o estado, para o país. Que a gente possa continuar rumo ao centenário do Bunkyo.”
O vereador Kenji Ito, que prestou uma homenagem à entidade, lembrou a trajetória de seus avós contada por sua mãe. Uma história, assim como a de todos os pioneiros, construída com muito respeito. Já Walter Ihoshi parabenizou o Bunkyo por levar “essa ponte do passado, do presente para o futuro, para as novas gerações”.
“130 ANOS DE RELAÇÕES BRASIL-JAPÃO: PONTES DE INTEGRAÇÃO CULTURAL – BUNKYO 70 ANOS”
Onde: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil – Rua São Joaquim, 381, 9º andar, Liberdade
Quando: Até 31 de maio. De terça a domingo, das 13h às 17h (última entrada até as 16h)
Entrada Gratuita: todas as quartas-feiras
Contribuição adulto: R$ 25,00
Estudantes com carteirinha: R$ 12,00
Crianças de 5 a 11 anos: R$ 12,00
Idosos acima de 60 anos: R$ 12,00
Informações pelo telefone: Tel.: (11) 98179-1185














