Realizado de 6 a 11 de abril, no bairro da Liberdade, um dos principais pontos turísticos de São Paulo e reduto das comunidades asiáticas, a 60ª edição do Hana Matsuri – Festa das Flores – tradicional evento que celebra o nascimento do Buda Shakyamuni, contou com a presença do embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi. Numa ação conjunta da Acal – Associação Cultural e Assistencial da Liberdade –, Federação das Escolas Budistas do Brasil, Associação dos Admiradores do Buda Shakyamuni e Aliança Feminina Budista do Brasil, o evento une fé, tradição, cultura e espiritualidade.
De segunda a sexta, o público foi convidado a participar da celebração realizando o ritual do chá derramando a bebida na imagem do pequeno Buda no altar montado no Jardim Oriental.
No sábado, com a presença de autoridades e participação do Coral Mirian Otachi, a programação teve como ponto alto o Cortejo do Elefante Branco pelas ruas do bairro acompanhada por escoteiros e, este ano, pela parada taiko.
Além do embaixador Yasushi Noguchi, estiveram presentes o cônsul para assuntos consulares, Taku Ichiyama; o presidente da Acal, Danilo Fujita; o presidente da Butsuren, reverendo Chiko Tsukamoto; o subprefeito da Sé, Coronel Marcus Vinicius Valério; o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Cidade de São Paulo, Rodrigo Hayashi Goulart; os vereadores George Hato e Kenji Ito; o presidente da Enkyo – Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo – Paulo Saita; o presidente da Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil –, José Taniguti; o presidente da Federação de Sakura e Ipê do Brasil, Pedro Yano; e o presidente do Conselho Deliberativo e o vice-presidente Executivo do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social –, respectivamente, Jorge Yamashita e Oston Hirano; além de representantes das Forças Armadas.

Homenagem – Em sua saudação, o embaixador manifestou sua alegria em estar na Praça da Liberdade-África-Japão e agradeceu aos organizadores, autoridades e à comunidade nipo-brasileira, destacando o amor do povo brasileiro pela cultura japonesa.
Ele lembrou que, de 2017 a 2020, serviu como cônsul geral do Japão em São Paulo e frequentava muito a Liberdade. “Estou retornando após cinco anos, agora como embaixador do Japão, e o bairro da Liberdade continua atraindo muita gente, sobretudo aos fins de semana, a maioria não descendentes de japoneses, o que me deixa muito feliz por saber que a cultura japonesa e o bairro da Liberdade são amados pelos brasileiros”, disse o embaixador, que aproveitou a ocasião para saudar o empresário Hirofumi Ikesaki (1927-2022), “um nikkei brasileiro que trabalhou muito para conservação da cultura japonesa”.
Reflexão – O cônsul Taku Ichiyama destacou que “o Hanamatsuri, ao celebrar o nascimento do Buda, convida-nos a refletir sobre valores universais como a paz, a serenidade, o respeito ao próximo e a harmonia”. Segundo ele, “são valores que seguem atuais e que podem ser compartilhados por pessoas de diferentes origens e diferentes religiões”.
“O bairro da Liberdade tem uma importância especial na história da imigração japonesa, em São Paulo. Ao mesmo tempo, é hoje um bairro marcado pela convivência de diversas culturas, tradições e comunidades que juntas constroem a riqueza humana e cultural desta região”, disse o cônsul, acrescentando que “esta diversidade torna esta festa ainda mais significativa, pois ela mostra como uma tradição de origem japonesa pode ser acolhida e celebrada de forma ampla pela sociedade brasileira”.


“Hoje, a Liberdade é um dos símbolos mais vivos da amizade entre Japão e o Brasil. Eventos como este demonstram que esta amizade se fortalece não apenas pelos laços históricos, mas também pelo convívio diário e pelo respeito mútuo e pela valorização da diversidade racial”, afirmou.
Compromisso – Nomeado pelo prefeito Ricardo Nunes no dia 11 de março como novo subprefeito da Sé, Marcus Vinicius lembrou que o Hana Matsuri era seu primeiro compromisso no bairro da Liberdade. “É uma grande alegria, mas principalmente uma grande honra poder participar de um evento tão importante, tão significativo como o Hana Matsuri, e que representa tanto para a comunidade budista e para a comunidade da Liberdade”, disse o subprefeito, explicando que antes de assumir a Subprefeitura da Sé estava como administrador na região da Mooca.

“Trago o compromisso de que a Subprefeitura da Sé e a Prefeitura de São Paulo, junto com a comunidade aqui da Liberdade, estarão cada vez mais unidas, estarão cada vez mais próximas com o objetivo de transformarmos o centro de São Paulo em um lugar cada vez melhor, um local que possa ser frequentado por todas as pessoas, com muita segurança, com muita limpeza e com muita organização”, afirmou.
União – O secretário Rodrigo Goulart destacou que, “hoje, o grande desafio das entidades da comunidade japonesa é promover a renovação e, ao mesmo tempo, aprender muito com a experiência”. Ele citou como exemplo o caso de Danilo Fujita, “que vem mostrando que isso é possível aqui à frente da Acal, mas sempre lembrando de queridos amigos como o senhor Ikesaki, que fez e continua fazendo muita história na Liberdade”.

Falando sobre sua ascendência japonesa – por parte de mãe – disse que a cultura dos nossos antepassados mostra o quanto é possível a diversificação de raças na Liberdade. E desejou que, através da oferenda de chá à imagem do pequeno Buda, “possamos manter toda essa diversidade religiosa e celebrarmos cada vez mais a união Brasil-Japão”.
Valores essenciais – Presidente da Acal, Danilo Fujita propôs uma reflexão sobre a trajetória de Sidarta Gautama, o Buda. Segundo ele, uma das lições que mais o toca é a superação do interesse individual em favor do bem comum e traçou um paralelo com a vida pública, que exige abrir mão de interesses pessoais para servir a coletividade.

“Nesta cerimônia tão simbólica, considero justo valorizar àqueles que aceitaram essa missão de trabalhar pelo coletivo, contribuindo, cada um a sua maneira, para uma sociedade mais humana, mais justa e mais consciente de seu destino comum”, afirmou Fujita, que concluiu sua fala afirmando que é motivo de orgulho “ver a Liberdade sendo palco de tradições culturais que inspiram valores essenciais para o presente e para o futuro”.
Na sequência, todos seguiram em procissão seguindo o Cortejo do Elefante Branco pelas ruas da Liberdade até a sede da Acal.


(Aldo Shiguti)






