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Após quase 50 anos, abertura do forno Noborigama da Kodomo no Sono é um sucesso

No dia 29 de março, dirigentes da Associação Pró-Excepcionais Kodomo no Sono, ao lado de parceiros e colaboradores, comemoraram o sucesso da abertura do forno noborigama em sua sede, em Itaquera.

“Esperávamos muitas dificuldades para esta queima, mas graças ao eficiente trabalho de ceramistas voluntários e da equipe da Kodomo no Sono, o resultado superou as nossas expectativas”, afirmou o ceramista Makoto Fukuzawa, que coordenou os trabalhos com Miha Nakatani.

Em seu discurso, o presidente Sérgio Oda lembrou que, ainda na década de 1970, a direção da Kodomo no Sono já sonhava em inserir a cerâmica como atividade terapêutica e produtiva, inspirando-se em um projeto de uma instituição similar no Japão.

Em 1977, o plano começou a se materializar com a vinda do técnico japonês Kazuo Morita. No ano seguinte, o forno noborigama foi construído no terreno da sede. “Uma queima experimental não muito bem-sucedida fez a instituição optar pelo uso de um forno a gás, e o forno a lenha deixou de ser utilizado”, lembrou Oda.

Histórico – Há cerca de quatro anos, a convite do ex-presidente Luiz Okamoto, o mestre ceramista Akinori Nakatani — que ao lado de Kenjiro Ikoma e outros artistas ajudou na implantação da atividade na Kodomo no Sono — visitou a instituição e sugeriu a recuperação do noborigama.

Apesar do ceticismo inicial, a diretoria decidiu levar o plano adiante. Infelizmente, pouco tempo depois, o falecimento do mestre Nakatani interrompeu o projeto. Recentemente, a entidade foi informada pelo ceramista voluntário Kenta Demizu, que Miha Nakatani (filha do mestre Nakatani) e seus familiares estavam dispostos a retomar a reconstrução proposta por seu pai.

Após meses de trabalho intenso com a participação de Kenta Demizu, Bruno Carvalho da equipe de cerâmica da Kodomo e do ceramista Makoto Fukuzawa, o noborigama ficou pronto e foi testado após 48 anos.

Cronologia da queima – No dia 19 de março, um grupo de 20 ceramistas iniciou o trabalho ininterrupto de preenchimento das três câmaras e fechamento do forno. A queima começou no dia 20, às 9 horas. O forno foi então selado para um processo de resfriamento natural de 10 dias. Após a abertura das câmaras, as peças foram encaminhadas de mão em mão para a tenda de exposições, ao lado. Na sequência, teve início a cerimônia oficial com a presença de personalidades e especialistas.

(Osmar Maeda, especial para o Brasil Nikkei)