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Cônsul geral do Japão em SP visita o Parque Ecológico Imigrantes e se surpreende

No dia 8 de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher, a cônsul geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki, aproveitou o domingo de sol – pelo menos no período da manhã – para conhecer o Parque Ecológico Imigrantes. Localizado no Km 34,5 da Rodovia dos Imigrantes, no município de São Bernardo do Campo, o parque foi inaugurado em 29 de novembro de 2018 como um presente da Fundação Kunito Miyasaka (FKM) à sociedade brasileira por ocasião dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil.

De bata, luva, chapéu e tênis, a cônsul chegou acompanhada do cônsul Taku Ichiyama e sua esposa. No local, um grupo formado por diretores da FKM já a aguardavam. Estiveram presentes o presidente da Fundação, Teodoro Sato; o vice, Roberto Nishio; o superintendente, Ykuo Tamaru; o presidente do Conselho, Atsushi Miyake e os diretores, Elio Yamamoto, Tosio Umeda, Gilberto Kasai, Márcio Takiguchi e Augusto Tatibana.

Antes de iniciar a caminhada pela passarela suspensa, a cônsul caprichou no protetor solar – que foi oferecido também aos demais. No caminho, Davi Costa, um dos monitores – ele se revezou com Jonathan Amaral – explicou ao grupo que a filosofia principal do parque é despertar uma consciência ambiental nos visitantes – para conhecer o local é preciso fazer agendamento prévio, que tanto pode ser através de escolas ou individualmente.

“A proposta não é apenas passear pelo parque, mas despertar uma consciência ambiental”, disse Davi. Aliás, estar acompanhado(a) por um monitor é uma das regras para quem quer conhecer o local.

Com 484 mil metros quadrados de Mata Atlântica, o passeio é uma oportunidade de conhecer um ambiente natural e vivenciar a diversidade de plantas e animais que povoam a reserva e as imediações.

Serpentes e esquilos – De acordo com o Davi, com um pouco de sorte, é possível avistar desde pequenos animais, como insetos, pássaros, serpentes e esquilos, até animais de grande porte, como o veado-catingueiro, a anta e até mesmo sussuaranas. Claro que ver esses bichos no caminho não é tão simples. “Os animais preferem ficar um pouco distante da presença humana. Mas é o lar deles e a gente convive pacificamente”, explica Davi. No dia do passeio da cônsul, infelizmente, nenhum morador quis aparecer.

Voltando à passarela suspensa, que é, sem dúvida, uma das atrações do passeio, elas foram construídas de forma palafitada, sem contato direto com o solo. Nos pontos mais altos é possível caminhar à altura da copa das árvores, o que confere uma sensação única ao visitante.

Em seguida, o grupo seguiu pela trilha no meio da Mata Atlântica e durante todo o percurso os monitores – ora Davi, ora Jonathan – abordaram o que é feito no dia a dia, ou seja, a educação ambiental, demonstrando as estruturas do parque, que foram todas feitas pensando na reutilização de recursos.

Certificação – Como exemplo, as passarelas suspensas foram construídas com madeira plástica (composta por serragem e garrafas PET) e aço reciclável para reduzir resíduos e evitar cortes de árvores. Além disso, o parque possui um sistema de captação de água da chuva no telhado do portal de entrada, que é armazenada e utilizada nos lagos, e utiliza energia solar e eólica, inclusive em postes próximos à entrada e para iluminação em LED.

Vale lembrar ainda que o PEI é o primeiro parque a receber a certificação internacional de construção sustentável Aqua-HQE.

Cambuci e araçá – Atenta às explicações, a cônsul também fez muitas perguntas durante o trajeto. Em termos de vegetação, ficou sabendo que o parque “tem de tudo, desde frutíferas até flores”. “Aqui a gente pode presenciar não só o manacá-da-serra – e aí, sim, estavam floridos, conferindo um colorido todo especial ao parque – como também a embaúba e diversas espécies de samambaias, além de frutíferas como o cambuci [árvore frutífera nativa da Mata Atlântica, usado na produção de geleias, sorvetes, sucos, licores, mousses, bolos e até em bebidas alcoólicas] e o araçá [da mesma família da jabuticaba e da goiaba, rico em vitamina C]”, explicou Davi.

Preparo físico – Em uma hora e meia de caminhada, onde mostrou um preparo físico invejável – em nenhum momento esboçou sinal de cansaço – a cônsul passou por trilhas até chegar a estação bondinho, de onde voltou com um funicular – que oferece uma vista privilegiada da Mata Atlântica.

No final, ela ajudou a plantar um pé de ipê e recebeu um vaso de flor, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Yoriko Suzuki disse que, para quem passa na Rodovia dos Imigrantes, dificilmente imagina que possa existir um lugar tão maravilhoso a poucos metros dali. “E somente a 30 minutos de São Paulo. Fiquei realmente muito impressionada”, disse a cônsul, que agradeceu toda a equipe da Fundação Kunito Miyasaka por manter o parque acessível à população.

Segundo ela, o passeio vale muito a pena. “Fica longe da bagunça, em meio à natureza, com um cheiro bem agradável. É bem diferente mesmo”, aprovou.

Astral – Presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Teodoro Sato elogiou a “praticidade” e o “astral” da cônsul geral. “Quando a convidamos para conhecer o parque ela aceitou de imediato e acho que seu astral melhorou até o tempo, pois o domingo amanheceu ensolarado após uma semana instável”, explicou Teodoro Sato, acrescentando que “ficamos felizes com suas palavras de reconhecimento ao trabalho educativo dos monitores”. “Estendemos nossos agradecimentos também ao cônsul Taku Ichiyama e sua esposa, que tornaram esse dia memorável para todos nós”, concluiu.

Agendamento – O Parque Ecológico Imigrantes abre de segunda a sexta-feira, a partir das 9 horas. Para conhecer o local os visitantes precisam fazer o agendamento com antecedência para que possam efetuar os passeios em grupos e acompanhados por monitores.

As reservas para todos os visitantes (válido para agendamento individual ou em grupo) são realizadas por meio da contribuição de R$20,00 (conforme orientação durante o agendamento). As visitas para alunos das Rede de Ensino Público Municipal e Estadual que possuem parceria com o PEI são gratuitas.

Mais informações acesse: https://parqueecologicoimigrantes.org.br/

(Aldo Shiguti)


Parque Ecológico Imigrantes busca parceiros para construção de Centro Cultural de Estudos

Diretor do PEI, Márcio Takiguchi disse que, desde que foi inaugurado, em novembro de 2018, o parque já recebeu cerca de 20 mil visitantes, sendo a sua maioria estudantes e idosos, “cumprindo assim o seu objetivo, tornando-se um Centro de Estudos da Mata Atlântica, somado à vários trabalhos desenvolvidos pela UNIFESP – Campus de Diadema – Biologia.

“Dentro dos trabalhos que desenvolvemos está o meliponário, que visa ensinar as pessoas a importância da preservação das espécies nativas das abelhas sem ferrão, porque sem abelha não existe a polinização, e sem polinização não existe alimentos”, disse Márcio, acrescentando que, recentemente, o parque iniciou um trabalho com viveiro de mudas de espécies da Mata Atlântica rastreável, que tem como objetivo contribuir com a reposição da Mata Atlântica, um dos Biomas mais devastados.

“Estamos buscando parceiros, através do PRONAC, que queiram contribuir com a expansão do Parque Ecológico Imigrantes, contribuindo com a construção do Centro Cultural de Estudos da Mata Atlântica”, conta Márcio, explicando que, “sem dúvidas, o PEI é um grande legado deixado pela Fundação Kunito Miyasaka. E como disse a cônsul geral Yoriko Suzuki, ‘um local tão agradável e próximo à cidade'”.

(Aldo Shiguti)