Realizada no dia 22 de março, na sede da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Araçatuba, a 66ª Assembleia Geral Ordinária da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste abriu espaço para a apresentação de propostas de pré-candidatos nikkeis à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e à Camara dos Deputados. Estiveram presentes o diretor de Convênios do Estado de São Paulo, Walter Ihoshi; o ex-prefeito de Suzano e secretário municipal do Verde e Meio Ambiente da Cidade de São Paulo, Rodrigo Ashiuchi; o deputado estadual Márcio Nakashima; o vereador por São Vicente, Jhony Sasaki; e o ex-prefeito de Tupã, Caio Aoqui.
Na oportunidade, também foram apresentados e aprovados os Relatórios de Atividades e Financeiro de 2025 bem como o planejamento para 2026.

Estiveram presentes o presidente da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste, Hideto Honda; a presidente do Nipo de Araçatuba, Elizabete Matsui; o secretário municipal de Governo de Araçatuba, Marcelo Teixeira; o presidente de honra da Federação, Kazoshi Shiraishi; o presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Roberto Nishio; o presidente de honra e o presidente do Conselho Deliberativo da entidade, respectivamente, Renato Ishikawa e Jorge Yamashita; a presidente da Comissão de Administração do Museu Histórico da Imigração Japonesa do Bunkyo, Lídia Yamashita; o presidente do Instituto Paulo Kobayashi, Victor Kobayashi; e a diretora de Arte Koguei do Bunkyo, Olga Ishida, além de representantes das 30 associações filiadas à Federação.
Língua Japonesa – Antes da Assembleia da Federação foi realizada a reunião do Centro de Difusão da Língua Japonesa da Noroeste. A presidente Célia Miyada lamentou a diminuição do número de escolas japonesas e solicitou apoio em sua luta para tentar reabrir as que fecharam. “Quando cheguei em Araçatuba, há cerca de 20 anos, existiam aproximadamente 30 escolas de línguas japonesas. Hoje, só restam quatro”, explicou Célia ao Brasil Nikkei, lembrando que, além do Nipo de Araçatuba, que conta com cerca de 90 alunos (de forma presencial e online), estão em funcionamento nihongakos em Lins e na 1ª e na 2ª Alianças, em Mirandópolis, além de Promissão, que, por enquanto, não está filiada.
Akira Hayashida, associado do Nipo de Araçatuba, chamou a atenção para o que considera “problema estrutural”, ou a falta de apoio das associações para abrir – ou manter – seus departamentos de ensino da língua japonesa. Já para Clarice Yoshie Suguitani, de Tangará 7, o problema é a falta de incentivo dentro das próprias casas.
Célia Miyada propôs abertura para que também alunos de escolas particulares participem das atividades do Centro de Difusão da Língua Japonesa da Noroeste e estimulou a retomada das escolas que estão desativadas. Por fim, agradeceu o apoio financeiro da Fundação Kunito Miyasaka.
Na sequência teve início a 66ª Assembleia Geral Ordinária da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste com a execução dos hinos nacionais do Brasil e do Japão.
Assembleia – O presidente Hideto Honda abriu o encontro explicando que a presença de tantas autoridades tinha o intuito de buscar o melhor para a região Noroeste enquanto o presidente de honra, Kazoshi Shiraishi, destacou a presença de jovens e lembrou que daqui a dois anos a comunidade japonesa irá comemorar os 120 Anos da Imigração Japonesa no Brasil.
Presidente de honra do Bunkyo, Renato Ishikawa falou sobre a necessidade de a comunidade ter representantes nikkeis nas três esferas – municipal, estadual e federal. Disse que, quando assumiu a presidência do Bunkyo, em 2019, para o primeiro de seus três mandatos frente à entidade, elegeu como prioridades “dar protagonismo aos jovens” e “incrementar as relações, sejam, elas interpessoais, entre entidade e até mesmo entre países”. E mencionou os oito valores identificados pelo Projeto Geração do Bunkyo: Responsabilidade, Aprendizado, Integridade, Coletividade, Perseverança, Gentileza, Gratidão e Respeito.
Jorge Yamashita, presidente do Conselho Deliberativo do Bunkyo, lembrou que foi na região Noroeste que surgiram as primeiras associações nipo-brasileiras.
Presidente do Bunkyo, Roberto Nishio parabenizou a ABCEL – Associação Beneficente, Cultural e Esportiva de Lins – pelo seu Centenário – comemorados uma semana antes (leia nas páginas 10 e 11 desta edição). Chamou a atenção para o fato de a comunidade nipo-brasileira contar atualmente com um contingente formado por 2,700 milhões de pessoas, “mas quando olhamos para a Câmara dos Deputados constatamos que temos apenas três representantes nikkeis”. Segundo ele, a comunidade contribuiu decisivamente para o desenvolvimento do país em todos os setores, em especial na agricultura, e deveria ter mais vereadores, deputados estaduais e deputados federais. “Precisamos ter boas pessoas que contribuam para o desenvolvimento do país em todas as áreas”, disse Nishio.
Influência – Prefeito de Alto Alegre e presidente da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Penápolis, Carlinhos Sussumi Ivama falou sobre a influência dos valores da cultura japonesa passados de pai para filho e que influenciam não só na vida pessoal como na carreira escolhida que, no seu caso, é de gestor público. Para o chefe do executivo de Alto Alegre, é importante ter representantes que levem esses valores para a política. “Se nos calarmos, aí sim, teremos cada vez mais corrupção na política”, afirmou, acrescentando que ele foi eleito presidente do Nipo de Penápolis aos 32 anos, em 2014, e que seu atual vice e xará, Carlos, está com 32 anos. “Ele já está sendo preparado para ser o próximo presidente, em 2028. Daí a importância de fazermos essa transição gradativamente. Vamos apostar nos jovens para que eles possam levar adiante a nossa cultura, a nossa tradição e para que nossas associações se fortaleçam cada vez mais, porque esta é a nossa missão enquanto líder e enquanto associado e membro dessa comunidade que nos proporciona hoje, por exemplo, estar aqui representando o nosso povo”, frisou Carlinhos.
Dekassegui – Abrindo as apresentações dos pré-candidatos, Jhony Sasaki, comunicador, repórter, jornalista e atualmente vereador por São Vicente, lembrou que morou muitos anos no Japão, “viu de perto e até aprendeu com o movimento dekassegui, do qual registrou diversos momentos”.
“Vi o sofrimento dos brasileiros no Japão, as dificuldades, inclusive a barreira do idioma, a saudade de casa. E em 2011, quando teve terremoto e tsunami, fui o primeiro repórter brasileiro a chegar às áreas atingidas”, contou, afirmando que, ali, viveu uma experiência transformadora.
Contou que a difícil vida dos brasileiros no Japão o fez resgatar sua própria história, “a história do meu pai, que é um imigrante japonês também”. “E foi com esse espírito e com essa vontade de poder transformar não só a minha cidade e hoje poder discutir o estado de São Paulo que eu me tornei político”, afirmou.
Jhony Sasaki encerrou sua fala preocupado com a questão do envelhecimento no Japão e disse que honrará “o legado da minha ancestralidade e também de uma comunidade brasileira que é pouco falada e vista e discutida, que está lá do lado do mundo”.
Vínculo – Deputado federal por três mandatos, Walter Ihoshi destacou sua relação afetiva com a Noroeste — sua mãe nasceu em Guaiçara — e que, quando esteve em Brasília, trabalhou em prol da região e que pretende manter esse vínculo com a região. “A região Noroeste trabalha muito bem a questão da preservação dos costumes e tradições japoneses. Aqui vocês fazem um trabalho fantástico, levando a nossa cultura, mas principalmente os valores japoneses para uma sociedade onde hoje os valores estão invertidos. E quando essas associações nikkeis propagam a educação, a cultura, e os valores que os nossos antepassados trouxeram, nós estamos fortalecendo a nossa sociedade e o nosso país. Acho que esse é o grande desafio das nossas associações nikkeis hoje no Brasil. É fazer com que as nossas entidades estejam presentes e contribuindo para a sociedade brasileira”, afirmou Ihoshi.
Valores – Deputado estadual e pré-candidato à reeleição, Márcio Nakashima disse que em fevereiro deste ano esteve no Japão a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros do governo japonês e solicitou ajuda para manter as associações nikkeis. “Recebo, todos os anos, os representantes das 47 províncias japonesas no Brasil, os kenjinkais. Uma das coisas que eu sempre peço é que fortaleçam a nossa comunidade japonesa. Nós somos a maior comunidade fora do Japão e nós precisamos do apoio do governo japonês para poder continuar fomentando tudo isso”, frisou Marcio Nakashima, que destacou também a importância de entender as dificuldades das associações locais.
Ex-prefeito mais jovem e mais votado da história de Tupã, Caio Aoqui disse que aprendeu, desde muito cedo, a conviver com os valores japoneses dentro de casa. Vereador pela primeira vez aos 20 anos de idade, ele conta que “sempre tive muito orgulho de poder mostrar minha raiz e os valores que a gente defende”. “A gente precisa sempre buscar essa representatividade porque sabemos que para preservarmos a nossa cultura nós precisamos de força política nesse sentido”, afirma.
Revolução em Suzano – Ex-prefeito de Suzano – com índice de aprovação de 93% – e atual secretário municipal do Verde e Meio Ambiente da Cidade de São Paulo, Rodrigo Ashiuchi destacou que, em seus dois mandatos como chefe do executivo de Suzano, “fez uma revolução na cidade” de cerca de 320 mil habitantes.
“Pegamos uma cidade destruída, com muita gente da comunidade nikkei querendo ir embora naquele momento. Mas depois do nosso trabalho, graças a Deus, graças à coletividade, até porque ninguém faz nada sozinho, muita gente retornou para a cidade. Tivemos recorde de obras e mais do que isso, voltamos a dar orgulho ao povo da cidade, e orgulho principalmente à comunidade nipo-brasileira, que é muito grande na região do Alto Tietê”, disse Ashiuchi, lembrando que foi presidente do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) por três oportunidades e em 2019 foi convidado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Governo Japonês a visitar o Japão, onde teve oportunidade de conhecer a Família Imperial, o Palácio e, “mais do que isso, ter uma conectividade maior ainda com os valores e de todos aqueles que fizeram essa viagem do outro lado do mundo até o Brasil”.
Lembrou que foi convidado pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, a ser secretário do Verde e Meio Ambiente da maior cidade da América Latina, com 12 milhões de habitantes e orçamento climático de mais de 40 bilhões de reais nos últimos dois anos. “Quando vocês verem ônibus elétricos, caminhões compactadores de resíduos movidos a biometano, revitalização de parques e áreas verdes, vocês vão ver um pouquinho do nosso trabalho”, concluiu Ashiuchi.
Escola japonesa – Representando o prefeito de Araçatuba, Lucas Pavan Zanatta, o secretário municipal de Governo, Marcelo Teixeira, destacou a relação da cidade com a comunidade japonesa. “O navio Kasato Maru, que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, atracou no porto de Santos no mesmo ano da fundação de Araçatuba, em 1908. Araçatuba teve como primeira escola uma escola de ensino japonês. Hoje nós andamos pela cidade e enxergamos muitos momentos de homenagem imigrantes”, explicou Teixeira, acrescentando que a ligação de Araçatuba com a comunidade nipônica “é profunda”.
Outros assuntos – A Assembleia prosseguiu com a discussão sobre o valor da anuidade, o 49º Encontro de Agricultores da Noroeste, o 58º Bon Odori da Noroeste e, ao final, o presidente da Mesa, Shinichi Yassunaga, solicitou uma contribuição maior para os tyotins.

O encontro terminou com palestras da presidente do Centro de Difusão da Língua Japonesa da Noroeste, Celia Miyada; da presidente da Comissão de Administração do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, Lidia Yamashita, e do fundador e presidente do Instituto Paulo Kobayashi, Victor Kobayashi.
(Aldo Shiguti)






