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Consulado do Japão em SP realiza Cerimônias de entrega de Diplomas de Honra ao Mérito

O Consulado Geral do Japão em São Paulo realizou, nos dias 5 e 6 de março, Cerimônias de entrega de Diplomas de Honra ao Mérito do Ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão do Sétimo Ano da Era Reiwa. No dia 5 de março foram homenageados: o fundador e proprietário da Adega de Sake e primeiro sul-americano a receber a certificação de Sake Samurai, Alexandre Tatsuya Iida; o ex-diretor Cultural e 3º Vice-Presidente do Bunkyo, Carlos Harasawa; o assessor especial do secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, Gilberto Kassab, Carlos  Takahashi; o Professor Titular do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica da USP, Kazuo Nishimoto; a especialista da Jica em Moçambique, Lucy Sayuri Ito; a Associação Brasileira de Ex-Bolsistas Gaimusho Kenshusei e a Federação de Rádio Taissô do Brasil.

Em sua saudação, a cônsul geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki, explicou que “a homenagem expressa o reconhecimento do governo do Japão àqueles que contribuíram de forma profunda e duradoura para a aproximação entre o Japão e o Brasil, seja através da educação, do diálogo cultural, da saúde e bem-estar, da política ou da economia”.

Em seguida, apresentou um breve currículo dos homenageados:

Alexandre Iida – Em 2004, Alexandre Iida fundou a Adega de Sake. dedicando-se ativamente à expansão do mercado de alimentos e bebidas japonesas. Criou o primeiro site em português especializado na bebida e conquistou certificações internacionais como a de Saque Samurai, primeiro nomeado da América do Sul.

Adegão – como é carinhosamente chamado pelos amigos – explicou que “nada se faz sozinho” e compartilhou a honraria “com cada um que consome saquê”. “Sem eles [consumidores], nosso trabalho ia morrer”, afirmou.

Carlos Harasawa – Sobre Carlos Harasawa, a cônsul destacou que ele tem se dedicado à difusão das artes e tradições japonesas no Brasil, liderou concertos e apresentações de música tradicional e promoveu eventos culturais de grande relevância, inclusive em colaboração com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e a Sala São Paulo. “Sua atuação reafirma o poder da cultura como elo de solidariedade e de compreensão mútua”, disse Yoriko Suzuki.

Em sua fala, Carlos Harasawa disse que “sempre gostou de música, de todos os gêneros” e que “talvez por isso não tenha sido coincidência que, após uma carreira como executivo em empresas, foi atuar na Fundação Osesp, entidade responsável pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e da Sala São Paulo”.

Em 2019, assumiu o cargo de Diretor Cultural do Bunkyo e desde então tem sido responsável pelo planejamento e execução de eventos relacionados à cultura japonesa promovidos pela entidade onde adotou o que viria a ser a linha mestra da sua atuação e alinhamento com a própria missão do Bunkyo: a conexão no Brasil e no Japão.

Carlos Takahashi – Sobre Carlos Takahashi, a cônsul disse que há décadas contribui para o fortalecimento da comunidade nipo-brasileira e das relações bilaterais e atua na organização de celebrações marcantes, como os aniversários da imigração japonesa e, notadamente, o Festival do Japão em São Paulo.

Segundo Takahashi, em seus 63 anos de vida, “o que eu fiz, vivi e conquistei, foi graças à generosidade de muitas pessoas”.  Disse que sempre procurou servir à sociedade brasileira da melhor forma possível, “mas com uma atenção voltada às entidades nikkeis, que me acolheram durante tantos anos”. Citou personalidades que  fizeram parte de sua trajetória e reafirmou seu compromisso de trabalhar ainda mais pelas relações amistosas e frutíferas entre o Brasil e o Japão, “para que nossos povos desfrutem de maior prosperidade e felicidade, que tanto merecem”.

Kazuo Nishimoto – Além de sua ativa atuação como pesquisador, o professor Kazuo Nishimoto dedicou esforços consideráveis à promoção do intercâmbio acadêmico entre universidades e instituições japonesas e brasileiras. À frente do programa de pós-graduação em Engenharia Oceânica, viabilizou a cooperação entre universidades japonesas e brasileiras com acordos institucionais, intercâmbio docente e seminários em parceria com empresas japonesas contribuindo para o avanço conjunto da engenharia e da pesquisa.

Lucy Ito – Médica por vocação, Lucy Sayuri Ito conta que foi a Medicina que a fez servir em diferentes países como Paraguai, Angola e Peru, entre outros. “Entre todos eles, Moçambique ocupa um lugar especial na minha vida. Foram mais de 15 anos de trabalho dedicados à melhoria da saúde e ao desenvolvimento humano, anos de aprendizagem, de desafios e de esperança ao lado de profissionais dedicados de comunidades resilientes. Ali aprendi que cuidar de vidas vai além do conhecimento técnico: existe respeito, presença e humanidade”, disse Lucy.

Gaimusho Kenshusei – A Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei, que integra líderes nikkeis formados pelo Programa de Intercâmbio do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, foi representada pela sua atual presidente, Márcia Mariko Nakano. Acompanharam a presidente os ex-bolsistas Dr. Kazuo Watanabe, Dr. Kiyoshi Harada, Ministro Massami Uyeda, Tério Uehara, Rodrigo Goulart e Fábio Maeda.

Em nome da associação, Márcia Nakano disse que “esse diploma chega em um momento muito importante da nossa associação, momento em que acabamos de completar 60 anos do programa de bolsas, o nosso Kanreki”. “Simbolicamente é o início de um novo ciclo, um momento de transformação.  E por ser um ano especial, realizamos uma visita comemorativa ao Japão que, graças ao apoio do Consulado, tivemos a honra de sermos recebidos pela família imperial em uma audiência carregada de emoções e significados, um momento histórico que demonstrou a importância que tem o programa Gaimusho Kenshusei e renovou em cada um de nós o sentimento de gratidão e de compromisso em sermos o elo entre o Brasil e o Japão”, afirmou, acrescentando que, “esse diploma também chega em momento em que a Associação cria estratégias de engajamento e fortalecimento dos ex-bolsistas das várias regiões do Brasil com a criação de diretorias regionais em cada estado onde há jurisdição do consulado, promovendo a representatividade, a união e a conexão dos esbocistas de todo o Brasil”.

Rádio Taissô – Por fim, representando a Federação de Rádio Taisso do Brasil, Yoshio Yamamoto explicou que está há dois como presidente da entidade e compartilhou a homenagem com os dirigentes pioneiros. Ele lembrou que a Fertbra está comemorando 48 anos de fundação e hoje conta com 47 associações. E destacou os benefícios da ginástica rítmica para seus praticantes.

06 de março – No dia 6 de março, foi a vez do ex-professor da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – USP, Akihiko Ando; do ex-presidente da Associação Pró-Excepcionais Kodomo no Sono, André Korosue; do ex-presidente da Sociedade Beneficente Casa da Esperança (Kibô-no-Iê), Jairo Uemura; do presidente da Kenren, José Taniguti; do ex-presidente da Associação Japonesa de Santos, Sergio Norifumi Doi; do ex-professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo e ex-presidente da Associação Brasil-Japão de Pesquisadores – SBPN, Sunao Sato e do ex-presidente da Comissão Organizadora da Campos Sakura Home, Yuzo Tsuji serem agraciados com o Diploma de Honra ao Mérito do Ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão referente ao Sétimo Ano da Era Reiwa.

Professor Akihiko Ando –  Após se formar em Agronomia na Universidade de Tóquio e estabelecer-se no Brasil, dedicou-se ao ensino e à Pesquisa na Universidade de São Paulo. Foi pioneiro na introdução da tecnologia de melhoramento vegetal e genético por meio do uso da energia nuclear. Desempenhou também papel de liderança em projetos conjuntos nipo-brasileiros, fortalecendo o intercâmbio acadêmico entre os dois países.

Professor Sunao Sato – Atuou como docente e pesquisador  da USP. Desenvolveu pesquisas sobre biomassa de algas e produção de etanol por meio da fermentação, contribuindo para aplicações inovadoras. Além disso, presidiu a Associação Brasil-Japão de Pesquisadores, fortalecendo o intercâmbio científico. Dirgiu também a Ikoi-no-Sono, aprimorando a assistência aos idosos nipo-brasileiros.

André Korosue – Presidiu a Associação Pró-Excepcionais Kodomo no Sono e por muitos anos apoiou a gestão da instituição, assegurando sua estabilidade por meio de campanhas e doações e eventos beneficentes. Também incentivou a inclusão social das pessoas com deficiência por meio de apresentações de taiko e sua participação em atividades culturais, promovendo o bem-estar da comunidade nikkei.

Jairo Uemura, – Como diretor e presidente da Kibô-no-Iê, empenhou-se em promover a melhoria das instalações e do ambiente de reabilitação da entidade, ampliando o bem-estar dos residentes com deficiência física e intelectual. Como presidente da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei, contribuiu igualmente para o fortalecimento do intercâmbio entre o Japão e o Brasil.

Sergio Doi – Presidiu a Associação Japonesa de Santos e liderou a restauração da sede da entidade,bem como a organização da escola de língua japonesa – a única presente na cidade. Também promoveu o Festival da Cultura Japonesa de Santos, ampliando a participação  e a união da comunidade local, fortalecendo a amizade e o entendimento mútuo entre os dois países.

José Taniguti – Presidente da Kenren e da Associação Wakayama Kenjinkai. Tem-se dedicado ao desenvolvimento da comunidade nikkei, ao fortalecimento dos laços com o Japão e tem liderado a organização do Festival do Japão. Também tem se empenhado na articulação enttre diversas entidades nikkeis, fomentando o diálogo e a troca de experiências.

Yuzo Tsuji – Presidiu a Sakura Home Residencial Senior, localizada em Campos do Jordão. Dedicou-se à gestão da instituição voltada ao bem-estar de idosos nikkeis e ao desenvolvimento da Festa da Cerejeira em Flor – um importante evento da cidade e fonte de recursos da entidade.

Agradecimentos – Os discursos dos homenageados foram de agradecimentos. Presidente da Kodomo-no-Sono de 2014 a 2020, André Korosue conta que teve seu primeiro contato com a instiutição em 1971, época em que seu cunhado foi internado – e permanece até hoje. Disse que, apesar do nome, kodomo (criança, em japonês), a faixa etária dos assistidos é hoje de 57 anos, em média. “Mas para mim serão sempre crianças, crianças que todos amam”, disse André, acrescentando que “é um trabalho árduo manter a instituição”. “É um custo muito alto, mas com a ajuda de todos estamos conseguindo seguir adiante”, disse ele, que destacou o “trabalho fantástico” da equipe atual e de todos que passaram por lá.

Jairo Uemura dedicou a homenagem aos familiares e a todos que ajudam a manter instituições como a Kibô-no-Iê. “Nós estamos com 68 residentes, a maioria órfãos e carentes de quase tudo que se possa imaginar, especialmente amor e carinho. Buscamos suprir as carências com dedicação e empenho e graças a vocês, que tem nos ajudado ao longo dos anos, não tem faltado nada para eles”, disse Jairo, que agradeceu também o governo japonês pela oportunidade de, em 2013, ir ao Japão como bolsista.

Natural de Mogi das Cruzes, Sergio Doi falou sobre sua trajetória até fixar residência em Santos e começar a fazer parte da comunidade nikkei local, em especial na Associação Japonesa de Santos e no Clube Estrela de Ouro. Assumiu a presidência da Associação Japonesa de Santos em 2009 e, durante sua gestão, liderou a restauração do edifício, que havia sido confiscado pelo governo brasileiro  como consequência da 2ª Guerra  e devolvido à comunidade nipo-brasileira em 2008.

Contribuiu também para estruturar a Escola de Língua Japonesa, admiunistrada pela mesma associação e concluída conclúida em 2012.

Presidente da Kenren, José Taniguti lembrou sua infância, de como foi criado por seu pai com a cultura japonesa e registrado como “cidadão japonês”. Já em “processo de aposentadoria”, decidiu dedicar seu tempo a atividades que pudessem ser úteis à sociedade. “Fico muito feliz porque consegui contribuir de alguma maneira para nossa comunidade e enquanto estiver vivo, pretendo ainda continuar me dedicando para o engrandecimento da nossa comunidade nipo–brasileira”, disse Taniguti.

(Aldo Shiguti)