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Tradição, espiritualidade e natureza no Caminho de Kumano

A Japan House São Paulo foi palco, no domingo (18), de um encontro dedicado ao Kumano Kodo, uma das mais tradicionais rotas de peregrinação do Japão. O evento apresentou ao público brasileiro a riqueza histórica, cultural e espiritual desse patrimônio japonês, aproximando os visitantes de uma tradição milenar que continua viva na sociedade contemporânea.

Idealizado por Mitsue Kinoshita (Nara Kenjinkai), Shizuka Suzumori (Wakayama Kenjinkai) e Yuko Fujita (Mie Kenjinkai), “Kumano Kodo (Caminho de Kumano): caminho de peregrinação para o futuro” reuniu uma plateia seleta para apresentar diferentes aspectos da antiga rota de peregrinação que atravessa as províncias de Wakayama, Mie e Nara.

Correalizado pelo Consulado Geral do Japão em São Paulo e Japan House São Paulo, a programação destacou a importância dessas regiões para a preservação e a divulgação da herança cultural japonesa.

Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, o conjunto de caminhos de peregrinação de Kumano Kodo atravessa paisagens naturais, florestas e montanhas da região de Kii, no Japão. Há séculos, essas trilhas são percorridas por peregrinos em busca de espiritualidade, contato com a natureza e conexão com as tradições religiosas japonesas.

A programação contou com palestras de especialistas ligados às rotas de peregrinação, além de apresentações artísticas que proporcionaram ao público uma experiência mais ampla da cultura japonesa.

Um dos destaques foi a apresentação de Yoshinori Yamada, que anda, em média, cerca de 2 mil quilômetros por ano e costuma percorrer com frequência tanto o Caminho de Kumano como o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha — recebeu o certificado de peregrinação duplo. Pela primeira vez no Brasil, ele explicou que o Caminho de Kumano é composto por seis rotas principais: Iseji, que liga o Santuário de Ise Jingu ao Kumano Sanzan; Kiiji, que conecta Kyoto e Osaka à região de Kumano; Nakahechi, a rota historicamente mais utilizada pelos peregrinos; Kohechi, que liga Kyosan ao Kumano Hongu Taisha; Omine Okugaklemichi, que une Yoshino e Kumano por trilhas montanhosas; e Ohechi, que acompanha o litoral da Península de Kii.

Yoshinori destacou que todas as rotas passam pelas três províncias e que há muitos templos e santuários no trajeto. Segundo ele, o mais fascinante é a oportunidade de conhecer pessoas diferentes durante a peregrinação.

No final, o público foi convidado a degustar o Mehari-Zushi (arroz envolto em folhas de mostarda em conserva, semelhante ao charuto) — uma especialidade da região de Kumano e apreciada até hoje em Wakayama, Mie e Nara — ao som do shakuhachi de Shen Ribeiro e do acordeon de Gabriel Levy.

(Aldo Shiguti)