Home / Comunidade / 46ª Festa do Verde da Kibo-no-Iê celebra solidariedade, cultura e esperança

46ª Festa do Verde da Kibo-no-Iê celebra solidariedade, cultura e esperança

A Sociedade Beneficente Casa da Esperança — Kibô-no-Iê realizou, nos dias 26 e 27 de setembro, a sua 46ª Festa do Verde, um dos eventos beneficentes mais tradicionais da comunidade nipo-brasileira em São Paulo. Durante dois dias, a sede da entidade, em Itaquaquecetuba, ficou lotada de visitantes que prestigiaram a gastronomia preparada por voluntários, apresentações culturais, música, dança e kenko taissô.

O evento é vital para a manutenção da instituição. A Kibo-no-Iê dedica-se ao cuidado de pessoas com deficiência intelectual e idosos, atendendo 65 famílias em regimes de internato e centro de convivência.

Entidade atende 65 famílias em regimes de internato e centro de convivência

Na abertura oficial, a presidente Dirce Shimomoto fez um balanço emocionado sobre os desafios da entidade. Segundo ela, a instituição conta com uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, dentistas, fisioterapeutas e pedagogos. Manter essa estrutura exige investimento alto: apenas a folha de pagamento representa 54% das despesas.

“Conseguimos sustentar esse trabalho graças ao apoio da comunidade, por meio de iniciativas como o programa Nota Fiscal Paulista, ações entre amigos e nossos eventos. Estes últimos representam 25% do nosso faturamento anual, sendo fundamentais para a nossa manutenção. Cada contribuição é essencial”, reforçou.

O coordenador Mauricio Conradim destacou a emoção renovada a cada edição e homenageou o legado da fundadora Koko Ichikawa. “Sinto uma emoção renovada ao observar este espaço repleto de pessoas que dedicam o seu bem mais precioso: o seu tempo. Sem o apoio de vocês, este evento não seria possível”, disse.

Representando todas as entidades nikkeis em nome do Bunkyo, Valter Sassaki reforçou a luta pela sustentabilidade de instituições filantrópicas. “A manutenção de uma instituição desta envergadura, em meio aos desafios anuais de captação de recursos, representa uma luta constante e admirável. Ao prestigiarem esta praça gastronômica, vocês garantem que entidades sérias como esta possam prosperar por décadas ou séculos futuros”, afirmou.

O deputado Kim Kataguiri (Missão) elogiou o trabalho da entidade e lembrou uma lição do Japão sobre consideração ao próximo. “A Kibô-no-Iê realiza um trabalho excepcional, que reflete fielmente o espírito japonês: a preocupação constante com a comunidade. Qualquer recurso destinado a esta instituição não deve ser visto como um favor, mas como um reconhecimento do trabalho de excelência”, destacou.

O vereador George Hato (MDB) também prestigiou o evento e colocou o mandato à disposição. Ele citou viagem recente ao Japão ao lado do deputado Lucas Bove e encontros com a comitiva brasileira formada pelos senadores Sergio Moro e Damares Alves para fortalecer laços e buscar investimentos.

A parceria internacional foi ressaltada pela representante sênior da Jica, Yumiko Horiwaki. Ela lembrou que a agência do governo japonês mantém cooperação com a Kibô-no-Iê por meio de programas e envio de voluntários. “A Kibo-no-Iê tem sido pioneira nesse propósito, apoiando indivíduos antes mesmo que tais valores se tornassem amplamente debatidos. A instituição atua diretamente no fortalecimento da autonomia e na plena integração de cada pessoa”, disse.

Encerrando os pronunciamentos, a cônsul Yoriko Suzuki explicou o significado do nome da entidade e a troca de esperança que ela proporciona. “‘Kibô-no-Iê’, traduzido literalmente do japonês, significa Casa da Esperança. O trabalho dedicado de todos os que colaboram não apenas oferece esperança às pessoas com deficiência intelectual, mas também nos inspira. Ao observá-los vivendo com tanta alegria e saúde, somos nós que recebemos esse sentimento de renovação”, concluiu.

A 46ª Festa do Verde terminou com balanço positivo de público e arrecadação, reafirmando o evento como principal fonte de arrecadação da Kibô-no-Iê para a manutenção de suas atividades.

(Aldo Shiguti)