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Urnas redesenham representação nipo-brasileira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

O resultado das urnas trouxe novos nomes para a 21ª Legislatura da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo — que terá início no dia 1º de fevereiro de 2027 — e marcou a saída de representantes que buscavam permanecer no cargo. Foram registrados 23,2 milhões de votos em todo o estado, o maior colégio eleitoral do país. Ao todo, 14 diferentes legendas estarão representadas na Casa.

Com 55 parlamentares reeleitos, a Alesp terá uma renovação de 39 cadeiras. Uma vez empossados, as deputadas e os deputados representarão a população paulista pelos próximos quatro anos.

Na disputa por uma das 94 cadeiras na Alesp, nomes como Marcio Nakashima (PSD) e Felipe Franco Murakami (União), que tentavam a reeleição, não obtiveram êxito. Em contrapartida, três nomes ligados à comunidade nipo-brasileira conquistaram vagas: Rodrigo Ashiuchi (PL), Rafael Minatogawa (Missão) e Mariana Conti Takahashi (Psol).

Ex-prefeito de Suzano por dois mandatos, entre 2017 e 2024, e ex-secretário do Verde e do Meio Ambiente da cidade de São Paulo, Rodrigo Ashiuchi foi eleito com 162.562 votos, tornando-se o 15º mais votado do estado e o 5º mais votado do PL. Seu principal reduto foi o Alto Tietê, com 124.610 votos (76,65% do total). Em Suzano, alcançou marca histórica: 71.237 votos, o equivalente a 44,71% dos votos válidos para deputado estadual no município — a maior votação já registrada na cidade para o cargo, tanto em números absolutos quanto proporcionalmente.

“É difícil colocar em palavras o que representa receber 71 mil votos na cidade onde construí a minha história. Recebo esse resultado com muita gratidão, mas principalmente com a responsabilidade de trabalhar ainda mais pela nossa cidade e por toda a nossa região”, afirmou Ashiuchi.

Outro eleito é Rafael Minatogawa (Missão), com mais de 185 mil votos. Com trajetória na administração pública, foi chefe de gabinete do deputado federal Kim Kataguiri e subprefeito da Vila Mariana. Após o resultado, Rafa Minato destacou a parceria com a comunidade nikkei. “A partir de agora é trabalhar ainda mais para honrar cada voto de confiança. Quero que a comunidade nikkei saiba que terá mais um mandato parceiro, assim como já acontece com o mandato do deputado Kim Kataguiri”, disse Rafa.

A eleição de Mariana Conti Takahashi (Psol) representa outro marco. Vereadora por três mandatos em Campinas — por duas vezes a mais votada da cidade —, foi eleita deputada estadual com 126.344 votos. Ela será a primeira mulher nikkei eleita a assumir uma cadeira na Alesp.

O sobrenome Takahashi vem da família paterna. Mariana explica que seu pai é nissei e que, portanto, ela é sansei, terceira geração da família no país. A família Takahashi tem origem em Itapetininga, no interior paulista, onde Mariana ainda mantém parentes. Seu pai mudou-se para a região de Campinas e Americana há décadas, inicialmente para estudar, e residem por lá até hoje.

Ao Brasil Nikkei, disse que os costumes japoneses também permanecem presentes no cotidiano familiar. “A gente incorpora hábitos no cotidiano, seja na comida, seja na forma de educação mesmo, disciplina e pontualidade”, afirma Mariana, lembrando que foi na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde cursou Ciências Sociais, que iniciou sua trajetória de militância.

A atuação política começou ainda no movimento estudantil. Ela conta que participou da luta pelo passe livre e, nesse período, teve contato com o movimento feminista. Posteriormente, ingressou no Psol e passou a atuar em diferentes frentes, entre elas a defesa da educação pública e das universidades, além de movimentos contra privatizações.

“Agora, mais recentemente, nossa luta é contra a privatização da Sabesp, e em defesa do meio ambiente. A gente também tem feito uma luta importante aqui no interior do estado de São Paulo com relação aos Data Centers que estão sendo instalados. Trata-se de uma verdadeira invasão das Big Techs, que estão de olho na nossa água, na nossa energia e que depois nós compramos. Ele vem, usam dos nossos recursos naturais, produzem grande poluição sonora e depois vendem para nós plataformas ou processos de Inteligência Artificial. Ou seja, estamos defendendo a soberania de dados, que é um elemento geopolítico importantíssimo, a defesa da soberania brasileira, o enfrentamento à extrema direita e ao fascismo”, conta Mariana, acrescentando que, no ano passado, participou da Global Sumud Flotilla, uma missão humanitária internacional com dezenas de barcos de mais de 40 países que partiu de Barcelona em agosto de 2025 com o objetivo de levar suprimentos médicos e alimentos à Faixa de Gaza e romper o bloqueio israelense.

Como deputada estadual, destaca o caráter inédito de sua eleição para sua trajetória política e para a representação do interior paulista. “Sou eleita deputada estadual com o desafio de chegar na Alesp a partir do interior como a primeira mulher de esquerda de Campinas e a primeira deputada do Psol eleita no interior”, afirma, acrescentando que pretende levar ao Legislativo as pautas que marcaram sua atuação política e enfrentar o avanço da extrema direita.

No Rio de Janeiro, a deputada estadual Elika Takimoto foi reeleita para mais um mandato com 135.271 votos.

Na Câmara dos Deputados, Kim Kataguiri (Missão) será o único representante da comunidade nikkei de São Paulo em Brasília. Ele agradeceu o apoio e destacou a nova configuração. “Fiquei grato pelo apoio da comunidade em mais essa eleição. Poderão contar comigo, como sempre. Sigo trabalhando para carregar com honra essa responsabilidade de representar o Estado de São Paulo e a comunidade nikkei”, afirmou Kim, que na próxima legislatura não terá a companhia dos nikkeis Luiz Nishimori (PR) e Pedro Aihara (MG), que não foram reeleitos. Mas ganhou a companhia de Lu Ogawa, do PP do Pará, eleito com 136.774 votos.

(Aldo Shiguti)