*Por Vanessa Shiroma Tinem
De “Kyuyô Kyokai” em 1926 à atual Associação Okinawa Kenjin do Brasil, a entidade completa um século em 2026. Pioneira na luta pela retomada da imigração okinawana e no auxílio às vítimas da guerra, a associação se consolidou como representante oficial da comunidade uchinanchu no Brasil. Hoje, com sede na Liberdade e 37 filiais, segue promovendo cultura, assistência e a integração entre Brasil e província de Okinawa.
A Associação Okinawa Kenjin do Brasil foi fundada em 22 de agosto de 1926, sob o nome de “Kyuyô Kyokai”, teve por objetivo não só a confraternização e ajuda mútua entre os associados; mas também desenvolver uma campanha de revogação total da proibição da imigração de okinawanos ao Brasil por parte do governo japonês (que ocorreu em duas ocasiões). Após ter o pedido atendido junto às autoridades, a emigração de Okinawa foi retomada, graças ao apelo e dedicação dos líderes da época.
Logo depois, a associação também teve importância fundamental no auxílio às vítimas da guerra em Okinawa, com a formação do Zaihaku Okinawa Kuyen Renmei, fundada em 1947, que depois foi renomeada como Comitê Brasileiro de Auxílio às Vítimas da Guerra em Okinawa (Okinawa Kyuen Iinkai), que arrecadou fundos e donativos aos irmãos okinawanos.
Já em 1950 esta entidade passou a se chamar Okinawa Bunka Kyusai Kyokai (Associação Cultural e Assistencial Okinawa), dando lugar três anos depois à Zenpaku Okinawa Kaigai Kyokai (Associação Ultramarina Okinawa do Brasil), que seria a continuação da associação dissolvida no período da Guerra do Pacífico.
Já em 1955 a associação foi rebatizada como Zaihaku Okinawa Kyokai e em 1977, Zaihaku Okinawa Kenjinkai, tornando-se finalmente Associação Okinawa Kenjin do Brasil, em 1988.
A primeira sede própria foi inaugurada em 1960, no 23º andar do edifício da Bolsa de Cereais, localizado à Avenida Senador Queiroz, no centro da capital paulistana. Já em 1978 foi inaugurada a nova sede, na R. Dr. Thomaz de Lima, 72, no bairro da Liberdade, onde está localizada até os dias de hoje e que agora passou por um processo de revitalização, com a modernização das instalações, ampliações de espaço e reforma estrutural.
Apesar das diversas fases e nomenclaturas, o objetivo da associação sempre foi a de confraternização e ajuda mútua entre os okinawanos, tão representados nas expressões “Ichariba choodee” (Ao nos encontrarmos nos tornamos irmãos) e “Yuimaaru” (ajuda mútua). Além disso, a entidade também sempre representou a comunidade uchinanchu do Brasil junto ao governo de Okinawa, servindo como “ponte” para manter os laços da província-mãe e seus descendentes do outro lado do mundo.
Ao longo de seus 100 anos de história de fundação, a Associação Okinawa Kenjin do Brasil foi se adaptando conforme as necessidades da comunidade, acompanhando as transformações da própria sociedade brasileira; seja trabalhando na retomada da imigração okinawana no país; na assistência às vítimas da guerra em Okinawa; no trabalho para retomar a entrada de imigrantes pós-guerra; bem como trabalhar na divulgação e difusão da cultura tradicional okinawana entre as novas gerações; além de representar os okinawanos do Brasil junto ao governo de Okinawa.
Atualmente a associação conta com 37 filiais espalhadas em diversas regiões do país, como São Paulo (Grande São Paulo e interior), Paraná (Londrina e Curitiba) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande), mantendo os valores e a cultura herdadas dos pioneiros e fundadores; visando preservar e levar adiante esse legado às futuras gerações.
*Vanessa Shiroma Tinem é jornalista do Utiná Press






