Home / Comunidade / 27ª edição do Festival do Japão encerra com 168 mil visitantes e saldo positivo

27ª edição do Festival do Japão encerra com 168 mil visitantes e saldo positivo

O Festival do Japão, maior evento de cultura japonesa fora do Japão, realizado pela Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil – nos dias 10, 11 e 12 de julho, no São Paulo Expo, chegou ao fim com programação intensa e números que mantêm o evento como referência nacional e internacional.

Após três dias de atividades, a organização registrou 168 mil visitantes na 27ª edição. Em 2025, quando o festival celebrou os 130 anos da amizade entre Brasil e Japão, o público chegou a 187 mil pessoas — uma redução de cerca de 10% no fluxo geral.

O presidente da Comissão Organizadora, Ritsutada Takara, explicou os motivos da leve queda: “A dificuldade de acesso ao São Paulo Expo, o que fez muita gente desistir no caminho, as concorrências com a Copa do Mundo e uma outra feira realizada nos pavilhões de 1 a 3. Além disso, tivemos problemas com cartazes de divulgação nas estações de metrô e, principalmente, sentimos reflexos de fatores econômicos.” Takara já foi escalado — e aceitou — comandar a edição de 2027.

Segundo ele, mesmo com a redução no número total de pessoas, um dado chamou a atenção positivamente: o movimento na praça de alimentação — considerada o carro-chefe do evento — não registrou queda, mostrando que o público presente participou ativamente e consumiu os serviços e produtos oferecidos.

Takara ressaltou que as novidades implementadas nesta edição são motivos para comemoração. “Apesar da variação no público, temos muitos pontos positivos a celebrar. As atrações, as exposições e as novidades que preparamos agradaram muito quem esteve conosco”, destacou. Entre os destaques, citou a implantação do Projeto de Sustentabilidade, “um importante marco na evolução do Festival do Japão”, e o Espaço Kizuna, que também veio para ficar. Celebrou ainda o sucesso do show da cantora japonesa Yumi Matsuzawa e o encontro de 17 representantes da tribo indígena Guarani, de Itariri, cidade do Vale do Ribeira, com a cônsul geral do Japão em São Paulo, que, segundo ele, reforçou ainda mais a importância do tema deste ano, Kizuna – Laços que Unem.

A cerimônia de abertura, realizada no sábado, 11, também apresentou novidades, como o desfile dos representantes dos kenjinkais com seus respectivos noboris e o desfile dos mascotes das províncias.

Para o presidente da Kenren, José Taniguti, o Festival do Japão alcançou sua atual dimensão graças ao trabalho incansável e contínuo daqueles que, desde o início, acreditaram na magnitude do evento, hoje reconhecido como o maior do gênero no mundo. Segundo ele, o festival tornou-se referência para as diversas comunidades que realizam eventos similares em suas respectivas cidades.

“O evento consolidou-se como um polo de difusão da cultura japonesa, proporcionando aos visitantes experiências inesquecíveis através da culinária, artes marciais, danças tradicionais e expressões musicais que encantam todas as gerações”, disse Taniguti. “Além de sua relevância cultural, o Festival é uma oportunidade fundamental para as associações de províncias, cujas vendas de pratos típicos regionais viabilizam a manutenção de suas atividades e o fortalecimento do vínculo entre seus associados. É, simultaneamente, um espaço estratégico para a promoção das marcas de nossos patrocinadores junto a um público seleto, bem como um motor econômico que movimenta centenas de pequenos comerciantes”, destacou.

Representando todos os patrocinadores, o diretor de Relações Institucionais da Yamaha Motor do Brasil, Rafael Lourenço, destacou o tema, “uma escolha extremamente feliz, pois simboliza precisamente a conexão que, há mais de um século, une o Japão ao Brasil”.

Para o vereador George Hato, “sempre que participamos desta celebração, renovamos o sentimento de honra pela nossa ancestralidade”. Segundo ele, “vivemos um momento desafiador, marcado por intensas divergências políticas, mas reafirmo que nós, parlamentares e lideranças comprometidas com a nossa comunidade, mantemos a unidade em prol do futuro do nosso país”.

O deputado federal Kim Kataguiri, que durante muitos anos atuou como voluntário no estande de Nara, disse que “os voluntários são a alma deste festival, e a gastronomia, para mim, é o seu ponto alto”. Lembrou que em janeiro deste ano realizou o sonho de conhecer Nagano, a terra de seus avós. “Foi uma experiência marcante visitar o túmulo de minha família, conhecer a casa onde meus avós cresceram e reencontrar minha tia-avó”, afirmou.

Representando o prefeito Ricardo Nunes, o diretor da SP Negócios, Aurélio Nomura, disse que é necessário refletir sobre a essência do festival. “Primeiramente, é um gesto de gratidão ao povo brasileiro por ter acolhido os pioneiros da imigração japonesa, permitindo que prosperassem nesta nação. Em segundo lugar, trata-se de uma homenagem a esses pioneiros que, há 118 anos, com trabalho árduo, dedicação e sacrifício, contribuíram para a construção do nosso país.”

O embaixador representante do ERESP (Escritório de Representação do Itamaraty em São Paulo), Alfredo Camargo, lembrou que “a imigração japonesa em breve completará 120 anos — uma marca histórica de grande relevância”. “Não é exagero afirmar que a identidade nipônica é parte integrante da própria formação da identidade brasileira. Considerando a trajetória do Brasil, uma nação de história recente, as contribuições trazidas pela comunidade japonesa são imensuráveis, não apenas pelo tempo cronológico, mas pela profundidade de seu legado: na gastronomia, na cultura, no senso de coletividade e na busca pela prosperidade”, afirmou.

Para o embaixador do Japão, Yasushi Noguchi, que serviu como cônsul geral em São Paulo de 2017 a 2020, “é extremamente emocionante estar aqui novamente, seis anos depois, e contemplar este festival pleno de vida e alegria”. Segundo ele, o Festival do Japão alcança sua 27ª edição de sucesso “graças ao esforço contínuo de todos em cultivar os laços que unem nossas comunidades”.

O pré-candidato a deputado estadual Antonio Goulart disse que mantém uma relação pessoal e profunda com a comunidade japonesa. “Sou casado há 44 anos com uma esposa maravilhosa, Kazuko Hayashi Goulart, e temos dois filhos fantásticos, Rodrigo e Fábio. Sempre prestigiei o Festival do Japão e acompanhei as celebrações. Ver as 47 províncias representadas por seus estandes e gastronomia típica, e observar nossa comunidade realizar o maior festival do gênero no mundo, é um motivo de grande orgulho”, afirmou.

Para o ex-prefeito de Suzano e pré-candidato a deputado estadual, Rodrigo Ashiuchi, o Festival evidencia a dimensão da amizade entre Brasil e Japão. “É fundamental continuarmos fortalecendo esses laços e trabalhando para que as futuras edições superem as anteriores. Este evento é um catalisador de oportunidades, geração de empregos e desenvolvimento, além de difundir os valiosos preceitos da cultura japonesa.”

Para o vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo e pré-candidato a deputado federal, Walter Ihoshi, “é impressionante observar o crescimento do evento ao longo dos anos”. “Ver a grandiosidade que o evento alcançou hoje é gratificante, e sinto-me honrado por ter, de alguma forma, contribuído para esse desenvolvimento.”

Ritsutada Takara disse ao Brasil Nikkei que a participação das 47 associações de províncias e o trabalho dos cerca de 10 mil voluntários foram fundamentais para o sucesso do evento.

(Aldo Shiguti)