No dia 30 de maio, o Pavilhão Japonês do Parque Ibirapuera, na zona Sul de São Paulo, abriu suas portas para um evento especial: a inauguração do Instituto Hideko Honma. Inspirado em valores presentes nas tradições culturais japonesas e brasileiras – omoiyari (responsabilidade coletiva e empatia social); mottainai (consciência ambiental); wa (promoção entre culturas e gerações); kogei, mingei (valorização do fazer manual) e kaizen (melhora a cada dia), o Instituto Hideko Honma busca conectar mestres, artistas e diferentes públicos, fortalecendo a preservação do patrimônio material e imaterial.
Por meio de programas de formação, experiências culturais e exposições, o Instituto Hideko Honma, em parceria com o Pavilhão Japonês do Parque Ibirapuera, propõe a cultura como espaço de aproximação humana e comunhão, onde valores historicamente presentes nas tradições japonesas encontram continuidade e novas interpretações no contexto brasileiro.
A inauguração foi marcada por uma série de performances, como a do músico Shen Ribeiro ao shakuhachi na área do lago das carpas do Pavilhão Japonês; dança kabuki com Satie Hideshima (Companhia de Dança Fujima-Ryu do Brasil) e marimba com Fernando Hashimoto.
Peças da exposição Outono, com obras de cinco artistas (Tati Polo, Gabriel Ribeiro, Rafael Dai Izumi, Flávia Sakai e Hideko Honma) e uma demonstração do ritual da cerimônia do chá completaram o cenário.
Estiveram presentes a cônsul geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki; o presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Roberto Nishio; o presidente da Comissão de Administração do Pavilhão Japonês, Gioji Okuhara; o diretor da Fundação Japão, Daigo Tamura; o presidente da Japan House, Carlos Augusto Roza; o presidente da Enkyo – Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo –, Paulo Saita; a presidente da Sociedade Beneficente Casa da Esperança Kibô no iê, Dirce Shimomoto; o presidente da Assistência Social Dom José Gaspar Ikoi-no-Sono, Izumu Honda; e o ex-presidente da Associação Pró-Excepcionais Kodomo-no-Sono, Sergio Oda, entre outros.

Em seu pronunciamento, a cônsul Yoriko Suzuki disse que “ao longo de décadas, Honma sensei vem construindo um legado singular por meio da cerâmica Kōgei”. “Seu trabalho preserva e transmite valores profundamente enraizados na cultura japonesa através da criatividade, do ensino e da formação de novas gerações. Suas peças expressam, com sensibilidade e originalidade, o encontro entre as técnicas tradicionais japonesas e a rica matéria-prima brasileira”, explicou a cônsul, lembrando que “sua relevante contribuição ao intercâmbio cultural nipo-brasileiro foi reconhecida pelo governo do Japão com a Honra ao Mérito do Ministro dos Negócios Estrangeiros no ano passado”.
“A criação do Instituto Hideko Honma representa a continuidade e a expressão natural dessa missão. Em um mundo cada vez mais acelerado, iniciativas como esta têm papel fundamental na preservação dos saberes tradicionais, na valorização do trabalho ancestral e na aproximação entre culturas e gerações”, destacou Yoriko Suzuki, afirmando que “não poderia haver um local mais apropriado para esta inauguração do que o Pavilhão Japonês, símbolo da amizade entre o Japão e o Brasil há mais de 130 anos, e que reabriu as portas há dois meses”.
“Tenho certeza de que o instituto florescerá como um espaço de inspiração, aprendizado e encontros humanos”, concluiu a cônsul.
Para a diretora do Instituto, Karina Honma Nitta, “os valores da cultura japonesa têm o poder de mostrar que existe um outro caminho, aquele que aceita que somos humanos, que somos imperfeitos, mas que temos potencial para sermos mais e melhores, para nos desenvolvermos com um aprendizado gradativo e constante, com consciência, intenção e disciplina”.
Hideko Honma disse acreditar que “a integração dos ensinamentos da cultura japonesa à realidade brasileira pode enriquecer o nosso modo de viver”. “E que a arte possa se tornar um propósito visível, concreto e, mais importante do que isso, que ela possa ser acessível e compartilhada com todos”, afirmou.
(Aldo Shiguti)





