Home / Comunidade / Pavilhão Japonês do Ibirapuera é reaberto após restauro com ajuda do Consulado Geral do Japão

Pavilhão Japonês do Ibirapuera é reaberto após restauro com ajuda do Consulado Geral do Japão

Localizado no Parque do Ibirapuera, na zona Sul de São Paulo, o Pavilhão Japonês foi reaberto à visitação pública no dia 25 de abril após quatro meses de reformas. E a reabertura aconteceu num sábado de sol, como bem lembrou o presidente da Comissão de Administração do Pavilhão Japonês, Gioji Okuhara, um dia típico para passear no parque com a família. E, sem dúvida, foi um dia especial.

A cerimônia reuniu autoridades, empresários, voluntários e apoiadores para celebrar a conclusão das obras que devolveram o brilho a um dos símbolos mais emblemáticos da amizade Brasil-Japão. O evento contou com a presença do embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi; da cônsul geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki; do presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Roberto Nishio; do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Cidade de São Paulo, Rodrigo Hayashi Goulart; da secretária municipal de Relações Internacionais, Ângela Gandra; do diretor comercial da Urbia Parques, Samuel Lloyd; do vereador Kenji Ito; do diretor da SP Negócios, Aurélio Nomura; do vice-presidente da Comissão de Administração do Pavilhão, Claudio Kurita e do ex-diretor de Convênios da Secretaria Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, Walter Ihoshi; entre outros.

Autoridades contemplam o lago das carpas, um dos símbolos do Pavilhão

Gioji Okuhara abriu o evento lembrando o sistema construtivo do prédio. “Aqui a gente tem a madeira de encaixe, que é como foi construído o pavilhão japonês. Não usa pregos. É um trabalho de encaixe, um trabalho de união. E por isso a gente está aqui hoje: para agradecer a cada um de vocês, porque sem vocês a realização desse trabalho não teria sido possível”, disse Okuhara, lembrando que o Pavilhão japonês “é um espaço único” dentro do Parque Ibirapuera.

Administrado pelo Bunkyo, o equipamento foi construído conjuntamente pelo governo japonês e pela comunidade nipo-brasileira e doado à cidade de São Paulo em 1954, na comemoração do IV Centenário de sua fundação.

“É motivo de muito orgulho a gente poder estar aqui, de ter esse espaço, de a gente ter participado dessa construção. E é um agradecimento dos nossos descendentes por termos sido recebidos de braços abertos pelo povo brasileiro. E também representou a união da comunidade nikkei na época, porque no período pós-guerra existia ainda muita dissidência entre os japoneses. Então o pavilhão representou essa união de polos divergentes para que, na época, fosse construído nesse espaço que simboliza essa união e essa conexão”, explicou.

Cerimônia reuniu autoridades, empresários, e apoiadores para celebrar a conclusão das obras

Agradecimento – Segundo ele, passados 72 anos, o equipamento precisava de intervenções. O telhado apresentava deterioração e a calha não cumpria mais sua função. Okuhara lembrou que a iniciativa do restauro partiu do então presidente do Bunkyo – hoje presidente de honra – Renato Ishikawa, e do ex-presidente da Comissão de Administração do Pavilhão, Claudio Kurita.

Com apoio do governo japonês, por meio do programa de Assistência a Projetos Comunitários e Culturais, o telhado ganhou zinco, material mais resistente e sustentável. “A gente espera que talvez ele não vá durar 72 anos, mas pelo menos por mais 30, 40 anos vai durar”, disse Gioji Okuhara, que fez um agradecimento especial ao povo japonês e ao Consulado Geral do Japão em São Paulo pela doação de cerca de US$70,000 (equivalente a aproximadamente R$ 400 mil) para o Projeto de Manutenção do Telhado do Pavilhão Japonês.

Além do apoio japonês, recursos da Lei Rouanet viabilizaram etapas com patrocínio da Sakura, Maekawa e Daikin. O lago de carpas, um dos ícones do local, teve a lona trocada por versão maior e mais sustentável, com apoio da Sansuy, da Associação Brasileira de Nishikigoi e da Nutricon. O paisagismo foi refeito pela Shouri Paisagismo, com pedras originais restauradas e novas espécies plantadas.

Local foi construído conjuntamente pelo governo japonês e pela comunidade

O vereador Kenji Ito destinou emenda de R$ 63 mil via Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. Parte do projeto foi bancada pelo “Grupo de Amigos do Pavilhão”, formado por 14 pessoas, empresa e organização que doaram R$ 25 mil cada, totalizando R$ 350 mil. Com o valor, foram instalados 14 bancos de madeira plástica, desenhados pela arquiteta Cris Wakamatsu. Cada banco recebeu uma placa com o nome do doador e ficará no local por cinco anos.

Gioji Okuhara lembrou que o projeto deu continuidade às obras iniciadas na gestão de Claudio Kurita, que incluiu elevador e rampas de acesso com apoio do então vereador e hoje secretário Rodrigo Goulart. Agora, degraus internos foram eliminados e decks de madeira foram refeitos. As cadeiras originais da inauguração ganharam novo couro e verniz. O piso interno, que estava com buracos, foi substituído. O tatame da sala de treinamento, original de 1954, foi restaurado. Portas de correr receberam trilhos importados do Japão. Na área externa, o jardim brasileiro deu lugar a uma ampliação do jardim japonês, mas as espécies foram preservadas e realocadas. A sinalização foi modernizada e a placa de 1954, que marca a doação da colônia japonesa à cidade, passou por limpeza e restauro.

Símbolo de Amizade – O presidente do Bunkyo, Roberto Nishio, lembrou que o pavilhão foi montado e desmontado no Japão, transportado de navio e remontado no Ibirapuera. “É o símbolo mais emblemático da amizade entre as duas nações Brasil e Japão.” Ele reforçou o compromisso feito em 1954 pelo fundador, Kiyoshi Yamamoto, de manter o espaço sem custo para a Prefeitura. “Durante 72 anos o Bunkyo manteve essa palavra”, disse Nishio.

Personalidades da comunidade celebraram o novo Pavilhão Japonês

Representando a concessionária Urbia, Samuel Lloyd valorizou o local. “É o nosso lugar preferido, a vista mais bonita do Parque do Ibirapuera. O pavilhão japonês ocupa esse lugar especial, mas é mais que uma beleza arquitetônica. É espaço de respiro, de pausa, de contemplar a natureza em conexão com os valores de harmonia, equilíbrio e respeito”, disse Samuel, destacando que, para a Urbia, “é uma grande alegria ver que o Pavilhão Japonês acompanhou nos últimos cinco anos o Parque do Ibirapuera, que foi inteiramente restaurado, com mais de 350 milhões de reais investidos. E o Pavilhão Japonês está aí, se mostrando com todo o vigor para o futuro”, disse, acrescentando que “queremos que toda a cultura que existe dentro desse espaço tão especial no Parque do Ibirapuera, seja um convite para que mais brasileiros e também estrangeiros visitem o parque e para que eles tenham em mente que o Pavilhão Japonês é uma parada obrigatória”.

Futuro – Representando o prefeito Ricardo Nunes, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart, destacou a parceria da Prefeitura com a iniciativa privada. “Essa parceria dá certo. O cérebro do parque está aqui, no nosso Pavilhão Japonês”, disse Rodrigo Goulart que, como vereador, empenhou recursos para obras de acessibilidade do Pavilhão.

Ele também lembrou a atuação do diretor da SP Negócios, Aurélio Nomura, que, como vereador, garantiu que o espaço permanecesse com a comunidade nikkei durante a concessão do parque. “Hoje vim aqui só para agradecer o investimento da comunidade para a preservação e manutenção desse importante símbolo de amizade entre o Brasil e o Japão. Um presente do governo japonês para a cidade de São Paulo que preserva o que passou mas, ao mesmo tempo, está conectado com o futuro”, destacou Goulart.

Experiência única – Para a cônsul-geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki, “o Pavilhão Japonês tornou-se um símbolo da amizade duradoura entre o Japão e o Brasil”. “Foi uma honra para o governo japonês contribuir para a manutenção dos telhados desse edifício por meio do programa de assistência a projetos comunitários e culturais”. Segundo ela, o espírito conjunto de preservação ao longo de sete décadas tem criado os cuidados e permitido que o Pavilhão continue a inspirar todos que passam pelo local.

“Para muitos visitantes, é uma surpresa encontrar, em meio ao ritmo de São Paulo, um ambiente que remete de forma tão fiel aos elementos da cultura japonesa. A combinação entre arquitetura, paisagem e atmosfera cria uma experiência única, rara de se encontrar com a do Japão”, disse a cônsul, que agradeceu a dedicação de gerações de lideranças do Bunkyo.

Gioji Okuhara com Teodoro Sato

O embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi, ex-cônsul em São Paulo, ressaltou a impressão das autoridades japonesas que visitam o local. “Ficam muito impressionadas pela conservação da tradição japonesa muito antiga. Esperamos que essa tradição se conserve para sempre.”

Renato Ishikawa prestigiou evento

Livro – Toda a reforma foi registrada em um livro comemorativo distribuído aos presentes, contando a história do pavilhão e o processo de restauro. Gioji Okuhara encerrou agradecendo a equipe do pavilhão: seis colaboradores que se dedicaram nos últimos quatro meses. “Vamos cuidar para preservar esse espaço. É uma amostra dessa união”, disse ele, revelando que um novo projeto já está em estudo. “Trata-se da revitalização da entrada do Pavilhão, que por enquanto, ainda é um sonho”, afirmou.

Após a cerimônia os convidados visitaram os espaços renovados.

(Aldo Shiguti)