A delegada de Polícia Civil Raquel Kobashi Gallinati foi a convidada do Encontro REN Mulheres SP realizado no dia 4 de abril, na Associação Cultural Gunma Kenjin do Brasil, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Durante o encontro, que reuniu profissionais de diferentes áreas, a policial falou sobre a luta das mulheres policiais no Brasil e, no seu caso, uma “mescla” de pai italiano com mãe japonesa. Ex-secretária de Segurança Pública de Santos e ex-deputada estadual, ela lembrou que as 13 primeiras policiais do 1º Grupamento Policial Feminino, criado em maio de 1955 – que marcou o início da participação feminina nas forças de segurança no Brasil e na América Latina –, tiveram que superar desconfianças e abordou ainda os preconceitos na polícia.
Ao jornal Brasil Nikkei, a delegada destacou a importância do evento. “A segurança pública no Brasil ainda é um campo predominantemente masculino. Alguns desafios que nós encontramos não podem ser encarados como obstáculos e sim como etapas a serem concluídas para que a gente consiga atingir os nossos objetivos”, conta a delegada, que foi a primeira mulher eleita para ocupar o cargo de presidente do Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo).
Segundo ela, “as experiências, por diversas áreas que sejam, de uma certa forma elas têm a congruência do mesmo denominador, ou seja, que ainda existe uma barreira invisível para que mulheres tenham ascensão, inclusive profissional na área que ela escolha por barreiras invisíveis. Então, quando a gente troca informações, de uma forma transversal, a gente consegue ter um conhecimento muito mais amplo e abrangente sobre a problemática”, disse a policial, que falou sobre o aumento de casos contra mulheres. Ela destacou a dificuldade em formular políticas públicas eficazes devido à falta de reconhecimento legal desses crimes por muito tempo.
Políticas públicas – “A gente fala de feminicídio desde 2015. Até então, as mortes de mulheres, pelo fato de serem mulheres, eram colocadas numa zona comum, numa estatística comum de homicídio”, conta a delegada. Para ela, “a gente vê uma evolução lenta e vagarosa da própria sociedade em enxergar que atos são criminosos quando praticados contra mulheres”.
Após a palestra, as participantes se reuniram para uma roda de conversa.






