
O termo japonês “kinoko” antes designava simplesmente cogumelos, elementos integrantes da culinária nipônica. Contudo, após o fatídico 6 de agosto de 1945, essa palavra ganhou um novo significado, associando-se ao apocalipse desencadeado pela bomba atômica em Hiroshima. Bony Deguchi, autor brasileiro e neto de avós que viveram na região durante a Segunda Guerra, apresenta agora seu mais recente trabalho literário, “Kinoko”, lançado em Franca pela Ribeirão Gráfica Editora.
O livro em poemas baseado na obra “Navio Negreiro”, de Castro Alves, narra a dor e o sofrimento do povo japonês diante da tragédia ocorrida em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Os sobreviventes dos ataques das bombas atômicas (hibakushas) sofrem pelas consequências da exposição radioativa. A dor não é somente física, mas muito mais emocional pela perda de entes queridos e pelo preconceito que eles têm que arcar.
A obra tem como intuito deixar que o grito de sofrimento dos sobreviventes continue ressoando através dos versos. Mergulha nas memórias transmitidas pelos ascendentes de Deguchi, revelando relatos, assim como as consequências devastadoras do evento. O livro, dividido em três partes, reflete a influência de poetas como Castro Alves e Drummond, utilizando a tragédia como elemento essencial.
A capa simbólica, reminiscente da bandeira japonesa, e a contracapa ilustrada com lanternas flutuantes sobre o rio Ota, simbolizam o desejo de paz. O subtítulo, “Uma Tragédia Japonesa”, alerta para a necessidade de recordação, visando evitar que tais eventos se repitam.
Deguchi incorpora haicais, forma poética japonesa, para encerrar “Kinoko”, desviando-se das convenções ao abordar temas que transcendem as estações do ano. Em meio a termos específicos, o autor fornece esclarecimentos, ampliando a compreensão do leitor sobre o contexto histórico.
O livro pode ser adquirido na Amazon (buscando por “Kinoko”) e é um lançamento da Ribeirão Gráfica Editora.



