Familiares de duas vítimas japonesas que participavam de uma comemoração de Halloween em Seul, na Coreia do Sul, identificaram os corpos nesta segunda-feira (31). Após um tumulto, mais de 150 pessoas morreram pisoteadas durante a celebração, no sábado (29).
Mãe da estudante de língua coreana Mei, de 26 anos, Ayumu Tomikawa voou de Hokkaido, no norte do Japão, para a Coreia do Sul no domingo com outros dois membros da família para o reconhecimento do corpo. An Kozuchi, uma estudante de idiomas de 18 anos da província de Saitama que foi a outra japonesa que morreu, também foi reconhecida por familiares.

A queda, que aconteceu na noite de sábado, foi o acidente mais mortal na Coreia do Sul em quase uma década e ocorreu em um beco inclinado e estreito durante as festividades de Halloween no distrito de Itaewon, uma área de vida noturna popular em Seul.
Em Saitama, o avô de An Kozuchi disse: “É tão repentino que não tenho palavras. Estou tão triste”. Ele também disse que “parece que meu coração vai ser dilacerado”.
Cerca de 100.000 pessoas estavam previstas para se reunir, mas apenas 137 policiais foram mobilizados no dia do incidente. A polícia sul-coreana disse que as medidas de segurança estavam focadas em reprimir o crime, admitindo que não havia manual sobre controle de multidões na ausência de um organizador central.
A polícia está analisando imagens de esmagamento feitas por câmeras de vigilância, bem como vídeos carregados em plataformas de mídia social na esperança de encontrar pistas sobre a causa da tragédia. O governo sul-coreano disse que seis dos mortos eram estudantes do ensino fundamental e médio.
Segundo o pai de Mei, ela estudava coreano em Seul desde junho e esperava encontrar um emprego nos próximos meses. Ele se comunicou pela última vez com a filha por volta das 19 horas de sábado, quando ela disse que estava saindo com um amigo francês.
Ela não pôde ser contatada por telefone na manhã de domingo e, após várias ligações, um policial local atendeu seu telefone e disse que foi encontrado no local do tumulto.
O pai então acionou o Ministério das Relações Exteriores do Japão e enviou uma foto da filha. Ele foi informado por volta das 17h de domingo pelo ministério que a impressão digital de uma vítima correspondia à de sua filha.
“Eu acreditei até o último minuto que ela estava bem”, disse o pai.
De acordo com um amigo japonês de Mei em Seul, ela viajou para a Coreia do Sul para estudar coreano, depois de se formar em uma escola técnica e trabalhar por cerca de cinco anos no Japão. “Ela disse que queria ficar na Coreia do Sul mesmo depois de terminar de estudar coreano”, disse a amiga.

Das vítimas, 26 eram estrangeiros de 14 países, incluindo Irã, China, Rússia e Estados Unidos, segundo o governo sul-coreano. Em Tóquio, o secretário-chefe do gabinete, Hirokazu Matsuno, disse que o governo japonês expressa sinceras condolências às vítimas.
“O governo apoiará o máximo possível” as famílias das duas vítimas japonesas, disse o principal porta-voz do governo em entrevista coletiva.
A tragédia é considerada como a mais mortal na Coreia do Sul desde o naufrágio da balsa Sewol em 2014, que matou mais de 300 pessoas, a maioria estudantes do ensino médio, segundo a mídia local.
O presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol e sua esposa visitaram na segunda-feira um altar montado em Seul como local de luto para as famílias e associados das vítimas. Um período de luto nacional de uma semana foi declarado até sábado.
No mesmo dia, o primeiro-ministro sul-coreano Han Duck Soo pediu ao governo que “investigasse minuciosamente a causa do acidente e fizesse o possível para revisar as políticas necessárias para que tal tragédia não se repetisse”, segundo a agência de notícias Yonhap.
(Kyodo News)

