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Polêmica: filme baseado em assassino de Shinzo Abe causa revolta no Japão

Um filme baseado no assassino do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, morto há três meses, está gerando controvérsia após ser exibido em alguns cinemas no dia de seu funeral de Estado.

Um cinema acabou cancelando a exibição planejada após receber uma onda de protestos contra o filme, que é baseado em Tetsuya Yamagami, de 42 anos. Denominada “Revolution+1”, a obra foi dirigida pelo também controverso diretor Masao Adachi, um ex-membro de 83 anos do extinto Exército Vermelho Japonês, que realizou ataques terroristas em todo o mundo nas décadas de 1970 e 1980.

Adachi descreve como o personagem principal – inspirado em Yamagami – fez uma arma caseira e a utilizou para um ataque. A versão inicial do filme foi lançada com 50 minutos, filmada em oito dias a partir do final de agosto. Já a versão completa está programada para ser concluída em novembro e ser exibida nos cinemas de todo o país. Abe foi morto a tiros enquanto fazia um discurso de campanha na cidade de Nara, no oeste do Japão, em 8 de julho.

A versão especial seria exibida em 13 cinemas, mas o plano foi arquivado após uma série de telefonemas e e-mails ameaçadores. “Os protestos foram recebidos até mesmo pela instalação comercial que abriga o cinema”, disse um funcionário do local. “Cancelamos a exibição para a segurança dos clientes”, acrescentou.

Em entrevista, o diretor justificou a obra: “eu me pergunto o que forçou Yamagami a ficar encurralado. Só queria retratar o passado de um jovem, em vez de vê-lo como um herói”. Adachi também disse que a versão especial de 50 minutos continha uma mensagem de protesto contra o funeral de estado, que foi realizado em Tóquio, no dia 27 de setembro, enquanto o público estava dividido sobre o evento. “Concordo com críticas e objeções (contra a realização e gastos públicos referentes ao funeral)”, disse ele.

Kenta Yamada, professor de direito da fala na Universidade Senshu em Tóquio, disse que “não deve haver obstrução à exibição de filmes em termos de liberdade de expressão, mesmo que vozes fortes sejam levantadas contra diferentes princípios e reivindicações”.

Mafumi Usui, professor de psicologia social da Universidade Niigata Seiryo, na cidade de Niigata, disse que o lado da produção “deve ter um pouco mais de cuidado antes de lançar o filme”, ​​pois o incidente do tiroteio ainda está sob investigação. “O sentimento dos familiares enlutados também deve ser considerado”, disse ele.

(Jiji Press – Translated by Nippon Já)

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