Edson Iura
Água transparente (tema de abril)
Trata-se de um kigô moderno, derivado de outro mais antigo: água outonal. As chuvas de verão transportam terra e detritos para rios e lagos, tornando-os turvos. No outono, à medida que as chuvas rareiam, as águas recuperam sua transparência. O fundo pedregoso e as formas de vida que o habitam ficam nítidos aos olhos. Até mesmo os reflexos do mundo exterior, como paisagens, prédios e pessoas tornam-se mais definidos. Na cidade, encontrar um córrego de águas límpidas motiva alegria pela qualidade do ambiente. A quietude alia-se à transparência para aguçar os sentidos e os pensamentos: “Água transparente./ De tantos que já se foram/ ouvem-se os sussurros.” (Fujio Akimoto); “Dentro da caverna/ acumula-se no oblívio – / Água transparente.” (Sanki Saitô); “Água transparente./ Os olhos enamorados/ enxergam mais fundo.” (Chiyoko Katô).
Água transparente.
A criança é mergulhada
para o seu batismo.
Chieko Nakagawa
Da carpa no fundo
o vermelho conservado.
Água transparente.
Suwa Satô

