A Cotia Seinen Renraku Kyoguikai tem novo presidente. Trata-se do segundo vice-presidente Sergio Masaki Fumioka, que assumiu automaticamente o cargo com a renúncia do presidente Tatsuhiro Hirose, que alegou motivos pessoais, e com a impossibilidade de a primeira vice-presidente, Izumi Honda, ficar com a vaga. Assim, Sergio é o primeiro nissei a presidir a associação dos Cotia Seinen – jovens japoneses entre 18 e 25 anos que vieram para o Brasil a partir de 1955 para suprir e qualificar mão-de-obra na agricultura, atendendo a uma demanda da então Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC).
Formalizada na Assembleia Geral Ordinária realizada em fevereiro, em uma das salas da Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil –, no bairro da Liberdade, em São Paulo, a decisão já era esperada. Faltava formalizar.
Na comemoração do 70º aniversário dos Cotia Seinen realizada no dia 14 de setembro do ano passado, no Ginásio de Esportes do Parque Bunkyo Kokushikan, em São Roque (SP), Hirose já dava indícios de que não continuaria no cargo.
Na oportunidade, ele fez um apelo para que a segunda geração, ou seja, os filhos dos Cotia Seinen, dessem continuidade à associação, “adaptando-a aos seus próprios propósitos e sua época”. “Os jovens, que na época tinham 20 anos, em média, hoje estão com mais de 70 anos. É uma questão de sobrevivência”, disse ele.
Importância – Filho de Masaru Fumioka, que migrou para o Brasil em 1965, vindo da província de Kagoshima, como membro da 7ª turma do 2º grupo dos Cotia Seinen, Sergio Fumioka conta que ficará no cargo até 27 de fevereiro de 2027, quando será convocada uma nova eleição.
Até lá, disse que seu desejo é colaborar. Apesar de ser um mandato-tampão, Sergio Fumioka pretende contribuir ativamente para dar continuidade às atividades da associação.
“Cresci ouvindo as histórias do meu pai, mas nunca trabalhei na lavoura, nunca puxei enxada”, explica Sergio, acrescentando que, embora não tenha vivenciado as dificuldades da lavoura diretamente, compreende a importância da agricultura, especialmente por conta do que seu pai relatava. “Observando a comunidade, percebo que muitos jovens da terceira geração estão envolvidos na lavoura.
Meu objetivo é auxiliar esses jovens a estabelecer uma conexão com o Japão, aproveitando os contatos que tenho”, disse Sergio, que preside também a Associação Cultural Kagoshima do Brasil e é um dos vice-presidentes da Kenren.

Projetos – Atualmente, explica, a associação realiza reuniões mensais e participa de atividades como o mallet golf. Segundo ele, aorganização envia um informativo para 450 pessoas, mas o número de associados que contribuem financeiramente é pequeno, em torno de 50 famílias.
“Pretendemos realizar um recadastramento e, em colaboração com a diretoria, buscar contato com os filhos dos associados, muitos dos quais não participam dos eventos”, diz Sergio, explicando que a ideia é conscientizar a segunda e terceira gerações de agricultores sobre a importância da participação, visando o aproveitamento da força da instituição e a geração de benefícios para a categoria.
Diante desse cenário, o primeiro passo para o desenvolvimento desse projeto é a finalização do livro comemorativo do evento realizado recentemente. A publicação, que deve ser lançada ainda este ano, tem como objetivo registrar a história e as memórias dos Cotioa Seinen. O livro, que incluirá fotos e um álbum comemorativo, abrangerá momentos marcantes, como a chegada dos imigrantes ao Brasil e o início de suas atividades. Para enriquecer o material, estão sendo coletadas fotos, solicitando-se aos descendentes que compartilhem imagens antigas de suas famílias.
Viagem ao Japão – “O intuito é criar um álbum memorável, resgatando a história e celebrando o legado da associação”, destaca Sergio, afirmando que, em paralelo, a associação planeja dar continuidade à tradição das viagens ao Japão, promovendo a quinta viagem para a terceira geração (sansei). A viagem, que tem como objetivo proporcionar o contato com as origens e fortalecer os laços da comunidade, está programada para janeiro de 2027.
“Vamos tentar viabilizar essa viagem em memória aos 70 anos da associação”, afirma, acrescentando que a jornada deve ter 15 dias de duração. O roteiro inclui visitas a Hiroshima, Osaka, Kobe, Kyoto e Tóquio,com foco em locais relacionais à imigração japonesa explorando pontos ligados à história dos Cotia Seinen.
“O objetivo é dar continuidade ao trabalho da associação, destacando às novas gerações a importância desse legado”, finaliza Sergio Fumioka.
(Aldo Shiguti)





