Por Asami Kojima, colaboração especial para o Diário Brasil Nippou e Portal Nippon Já

Já se vão sete anos que me mudei para a Alemanha. Por aqui, sempre tive curiosidade de ir para o maior festival japonês do continente europeu, o “Japan Expo”. Como já conhecia o Festival do Japão no Brasil, queria saber: qual a diferença de um evento para o outro?


Depois de dois anos sem o evento e com 35ºC de temperatura no dia de abertura (14), a 21ª edição do Japan Expo reabriu as suas as portas para quatros dias de feira. No parque de exposições de Paris-Nord Villepinte, a feira toda é tomada de visitantes curiosos, que só vieram para conhecer, e pessoas fantasiadas – os cosplayers -, que acrescentem ao evento por suas vestimentas e aparência. A quantidade de cosplayers é explicada com uma das principais atrações do evento, afinal, lá acontece o famoso concurso de Cosplay. É a maior competição do segmento no continente europeu.
Na década de 80 e 90, na França, o animê se tornava moda entre as crianças. Crescendo nessa época, os três fundadores do evento – Jean-François Dufour, Sandrine Dufour e Thomas Sirdey – começaram o protótipo da feira. O que se passava na tv francesa nessa época eram animês como Dragon Ball e Sailor Moon. Posteriormente, os três visitaram o Japão e a paixão só aumentou com a viagem, dedicando-se ainda mais na organização do evento. Conforme o sucesso da cultura pop japonesa crescia no país, o projeto crescia junto.





A diferença entre o Festival do Japão do Brasil e o Japan Expo Francês – Tendo início em 1998, o festival brasileiro, e em 2000, o francês, os dois eventos se parecem muito. Mas a versão brasileira é organizada pela Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil (Kenren), e um dos seus focos é na culinária, onde cada associação oferece um prato da sua região. Traz uma cultura gastronômica que remete a “saudade” da terra natal. Já o evento francês se baseia no imaginário do “exótico Japão” que é compartilhada por muitos amantes do país.


Ambos os festivais trazem conceitos um pouco diferentes, mas os dois festivais têm certas características em comum. O máximo de visitantes que o festival brasileiro conseguiu foi 200 mil, e o francês foi 250 mil. O número maior francês, talvez se deva por Paris ser uma capital de fácil acesso.
Entrando na questão dos pratos servidos, no festival francês, os pratos são: oniguiri, yakissoba, takoyaki ou pratos típicos japonese. Para um país tão gastronômico como a França, faltou variedade. Mas seguindo o gosto do público, “comidas de animê e mangá” ou “a comida japonesa que os estrangeiros imaginam” acabam sendo a preferência.

Em um estande era vendido um livro de receitas de comidas dos filmes do Studio Ghibli, que reflete essa vontade de comer comidas vistas nessas obras animadas. Podendo ser até uma dica para os kenjikais que estão com dificuldades em vender seus pratos.
O Japan Expo é um pedido de apelo do fã da cultura pop japonesa; o Festival do Japão do Brasil é um lugar para apreciar as comidas típicas japonesas. Cada uma com sua característica. A colunista desse texto, chega nessa conclusão ao avistar um cosplay de bichinho de pelúcia num dia quente de verão, e decide ir embora da feira.

Japan Expo de Paris ‘ferve’ de sucesso
A Japan Expo de Paris voltou depois de dois anos de pandemia. Sendo a 21ª Edição Japan Expo, a edição acontece nos mesmos dias que o Festival do Japão em São Paulo.
Começando no dia 14 de julho, o evento durou quatro dias seguidos (14, 15, 16 e 17). Conhecida como o maior festival sobre cultura japonesa na continente europeu, é realizado no Parque de Exposições de Paris-Nord Villepinte, com 140 mil m² de arena, e com mais de 800 estandes.

Começando em 2000, com apenas 3000 visitantes na época, o festival foi crescendo aos poucos. Até chegar no seu pico de 2019, que foi de 250 mil visitantes. Ficando entre um dos maiores eventos franceses de público.
As atrações do evento começaram com mangá e anime. Mas com o tempo, o videogame também foi acrescido. Mas o evento tem outras atrações, como o maior concurso de cosplay do continente europeu. Pessoas de vários países se deslocam para França só para assistir à competição. Também chamando atrações do Japão, como artistas e ilustradores; o diferencial do festival brasileiro fica na parte culinária, onde não há o mesmo destaque para os pratos de cada região do Japão. Focando mais na cultura pop japonesa.
Uma prova de sucesso do evento francês foi quando o público encheu o local cantando a música abertura para assistir uma pré-estreia do animê “One Piece”. Além disso, também há um espaço chamado “Wabisabi” -reservado à tradição e cultura regional- usada por grandes empresas japonesas para conhecer o consumidor francês.
Depoimentos dos visitantes.
“Estou muito ansiosa para assistir o concurso de cosplay, vem gente do mundo todo para participar”, disse Maniela Lazito.
“Sou Lolita por 10 anos, estou encontrando aqui amigos que nunca conheci pessoalmente, só por internet”, falou Ildy Defriese, que veio da Bélgica vestida de Lolita.



