
* PARTE 1 DA ENTREVISTA
Por Lika Shiroma
De tempos em tempos, a música pop japonesa faz um “boom” no Brasil. Desde os anos 80 tem acontecido tal fenômeno, com artistas que chegam por aqui e, de repente, conquistam o coração de milhares de brasileiros. Foi assim com a banda de heavy metal Loudness; a explosão do J-Rock e Visual Kei (estilo que une o visual andrógino e músicas pesadas) nos anos 90 com o X-Japan; com o pop romântico de Utada Hikaru nos anos 2000 (quem foi adolescente nessa época lembra muito bem da música “First Love”); e, agora, com o performático grupo One n’ Only. Sucesso absoluto na rede TikTok, com mais de 4 milhões de seguidores, eles são o maior expoente atual da música pop japonesa em escala global. Por aqui, o sucesso não passou batido: dessa base total de seguidores, boa parte são de fãs da América do Sul – especialmente do Brasil. Estima-se que mais de 100 mil perfis brasileiros sigam os meninos.
O sucesso em terras tupiniquins chamou tanta a atenção que eles até já gravaram uma música em português no ano passado, “L.O.C.A”, que fala de desilusões amorosas e curtir a vida. O single foi um estouro, com 1,5 milhão de visualizações no YouTube e alavancou ainda mais o nome deles por aqui. A base de seguidores também é bastante organizada: existe um expressivo fã-clube deles – o One N’ Only Brasil – que traz praticamente todas as atualizações referentes ao grupo. Conexão Brasil-Japão em real time.
Formado por seis membros, a boy band japonesa remete a 2018, quando lançou o single “I’m a Swag”, e é agenciada pela Stardust Promotion. Os vocalistas são Tetta, Rei e Eiku. Completam o time os rappers e dançarinos Hayato, Kenshin e Naoya. A performance vocal aliada a danças complexas deram origem, inclusive, a um novo estilo musical, que eles mesmos definem que não é J-Pop nem K-Pop, mas “JK-POP”.
A meteórica carreira trouxe muito reconhecimento, pois o One n’ Only já ocupou as primeiras colocações no famosos ranking semanal da Oricon (parada de sucesso no Japão) e da Billboard Japan. Seus shows são sempre lotados de fãs que interagem constantemente e fazem, de forma perfeita, as coreografias das músicas. A visibilidade deles chamou a atenção até de artistas do mainstream internacional, pois a cantora Shakira curtiu, comentou e compartilhou uma dança que o grupo fez da música “Don’t Wait Up”.
Em um bate-papo exclusivo por videoconferência com o Nippon Já, os membros da banda fizeram um balanço até aqui do sucesso conquistado, compartilhando experiências e vivências. Falaram sobre o atual cenário da música, curiosidades sobre a vida de “estrelas musicais”, influências e até mostraram acessórios que não desgrudam deles. Confira:
Nippon Já: O grupo ONE N’ ONLY é, atualmente, um grande fenômeno nas redes sociais – especialmente no TikTok. Aqui no Brasil, o sucesso do grupo é muito grande, com milhares de seguidores que acompanham os posts. Na opinião de vocês, qual o segredo para chegar a um alcance tão grande em termos globais?
Hayato: – Ainda não temos uma noção real de quantos fãs temos no Brasil. Mas vemos muitos comentários nas nossas redes sociais, como no TikTok, e ficamos muito gratos com isso”
Todos os membros: – Verdade!
Hayato: – Então o que tentamos fazer é interagir com fãs através desses comentários e perguntar que tipo de conteúdos gostariam que fizéssemos mais. Por mais que estejamos distantes, temos muito desejo de manter contato aproveitando dessas ferramentas
Naoya: – Somos muito unidos e nos divertimos muito com qualquer coisa. Acredito que no TikTok, isso fica bem evidente, lá mostramos como somos de verdade. Por isso mesmo fico feliz que isso diverte também fãs estrangeiros e principalmente brasileiros. Os comentários são nossa motivação, agradeço por isso
Nippon Já: Gostaria de abordar um pouco mais sobre a história da banda. Sabe-se que o ONE N’ ONLY veio após uma junção de “Satori Boys Club (SBC)” e “EBiSSH”. Vocês já se conheciam dessa época e qual foi a “química” que aconteceu quando vocês se reuniram? O objetivo do grupo era justamente criar um “super grupo” que revolucionasse o mercado fonográfico no Japão à época?
Todos os membros: – Se rolou química???
Tetta: – É, vamos ser sinceros. Os meninos do Satori são todos mais novos do que eu. Mas já estivemos juntos nos treinos, temos esse ponto em comum, por isso já tínhamos uma certa proximidade, nós conversávamos… Então acho que a química aconteceu de uma maneira rápida
Hayato: – Desde o começo?
Tetta: – Desde o começo! Na minha opinião, acho que desde o começo conseguimos nos dar bem
Hayato: – Pra mim, como já nos encontrávamos nos treinos do SBC e EBiSSH, por isso mesmo eu acabava vendo o outro grupo como rival. Esses três são do EBiSSH, e eu tinha uma rivalidade contra eles
Tetta: – No começo isso era bem nítido mesmo. No primeiro ensaio em conjunto, ele estava sozinho dançando muito sério. Estava com olhos de predador, dava para sentir a sua rivalidade

Kenshin: – Já tínhamos uma identidade para SBC e para EBiSSH, mas sempre falamos que podemos mostrar uma nova face quando juntamos os dois grupos. Realmente tínhamos rivalidade, mas isso foi um bom estímulo que resultou nas músicas e performances que temos hoje. Desde o começo, nos desafiamos em tentar coisas que jamais faríamos, acho que isso também fez nós termos uma postura proativa
Nippon Já: Atualmente, o Japão e o mundo vivenciam uma verdadeira onda do K-Pop. No caso de vocês, o que os diferenciam de outros grupos que fazem o estilo K-Pop? E como surgiu a questão do novo estilo criado por vocês, o “JK-Pop”?
Hayato: – Bom, todos nós somos japoneses. Mas nosso produtor, June, que faz nossas músicas, é coreano. Isso resulta em uma pitada de K-Pop só que interpretado do nosso jeito. Interpretar o K-Pop cantando em japonês foi um estilo que desenvolvemos quando se criou o grupo ONE N’ ONLY. Queremos popularizar ainda mais esse estilo. Como disseram, K-Pop é uma tendência mundial. Têm muitos brasileiros que nos demonstram reações positivas quando dançamos músicas coreanas. Então, espero que ONE N’ ONLY se torne um grupo que mesmo que sejam fãs de K-Pop acabem se interessando por um grupo japonês
Eiku: – As nossas músicas também apresentam um estilo bem inovador. Por exemplo, as letras nós cantamos em japonês, mas soa como se estivéssemos cantando em inglês. Acho que isso também é uma característica do JK-POP

Nippon Já: Vocês gravaram vídeos (para redes sociais) com bastante referência ao Brasil. Desde o famoso funk, passando por desafios incluindo o time do Flamengo, que tem a maior torcida no Brasil. Todo esse esforço deu muito resultado, com o grupo atraindo, cada vez mais, a atenção dos jovens brasileiros. Quando vocês decidiram que incluiriam desafios com temas brasileiros, como vocês se preparam, especialmente para gravarem “L.O.C.A”? Demorou muito tempo para adaptarem uma dança, aprender algumas palavras e gravarem os vídeos? Creio que vocês tiveram que estudar bastante não só as músicas brasileiras que interpretaram, como também questões da cultura brasileira.
Hayato: – Chegamos a dançar muitas músicas brasileiras mesmo, principalmente funk e samba, até músicas um pouco mais antigas. Nisso sentimos diferença com o jeito japonês de dançar, tipo um molejo, é totalmente diferente mesmo. Quando fomos gravar a versão em português da música ‘L.O.C.A’, primeiro sentimos dificuldade por ser uma outra língua.
Tetta: – Completamente diferente mesmo. Comparado com a letra da versão japonesa, tem muito mais palavras para encaixar. Sofremos para conseguir cantar todas as palavras no ritmo certo. Além disso, percebemos uma diferença na pronúncia, comparando com a versão demo e como nós cantávamos, apanhamos aí também. Tanto que levamos horas só para conseguirmos gravar um verso. Realmente achamos difícil, mas em compensação o sentimento de dever comprido e felicidade quando vimos o resultado final foi grande, eu me diverti bastante
Hayato: – No quesito ‘dança’, a coreografia é a mesma tanto para versão japonesa quanto para portuguesa. Teve uma vez que apresentamos a versão portuguesa no Japão, aí tentei prestar mais atenção com ritmo, no molejo… porque essa levada que os brasileiros tem, acho que é algo que vem de dentro, é muito característico e sempre admirei isso. E quero trazer um pouco dessa essência nas nossas performances também

Nippon Já: Mas, por quê Brasil? Por que quando decidiram investir no mercado estrangeiro escolheram o Brasil?
Hayato: – Na verdade, já fizemos músicas de diversos países. Desde o início já tínhamos um pouquinho de seguidores do Brasil e contando que é um país com bastante habitantes, pensamos que poderia aumentar o número de SWAGS, que é como chamamos os nossos fãs. Além disso, sempre quisemos retribuir com os fãs de alguma forma, por sempre nos apoiarem. Nisso, tivemos a ideia de tentar dançar música brasileira e, para nossa surpresa, o vídeo viralizou no TikTok. Acho que foi a partir daí que decidimos investir mais no Brasil, já que demonstram tanto carinho por nós.
Kenshin: – Mesmo antes de começarmos a fazer mais músicas brasileiras no TikTok, já recebíamos comentários de fãs brasileiros toda vez que lançávamos videoclipe no YouTube. Foi uma surpresa ver que os nossos vídeos chegavam até o Brasil. Por isso, eu também sempre quis retribuir a isso.

Nippon Já: Hoje, com a grande repercussão no Brasil, vocês têm conhecido novos artistas daqui? Há algum artista específico ou um gênero que tem chamado a atenção de cada um de vocês?
Hayato: – A música mais nova que nós dançamos foi o lançamento da Anitta. Já dançamos outras músicas dela algumas vezes. Acho que ela é uma artista muito popular, que já fez música junto com outros artistas também famosos, como rapper dos Estados Unidos. Acho que esse ritmo meio latino e gênero trap que estão na moda nos países da América do Sul, inclusive no Brasil, combinam bem com rap. São bem avaliados mundialmente também, entrando em charts internacionais. Por isso eu tenho acompanhado mais esse gênero. Toda vez que a Anitta lança música nova, eu pego para dançar. Eu realmente gosto e acompanho. Então… Fico pensando se… Um dia não poderíamos fazer algum projeto junto…
Eiku: – Eu conheci “Nem de Graça” do Pixote através do TikTok e eu curti. Então fui ver o vídeo do show deles no YouTube, e o que mais me marcou das músicas deles foi a plateia cantando junto, isso me fez gostar do Pixote.
Nippon Já: Essa conexão com os fãs brasileiros tem sido bem constante, incluindo videocalls com fãs. Mesmo tão distante um país do outro, vocês imaginariam que o grupo fosse conquistar tantos fãs brasileiros? E, durante os encontros com os fãs brasileiros, quais são as características que mais chamaram a atenção de vocês em relação aos demais fãs de outros países e até do Japão?
Naoya: – Acho que as pessoas do Brasil têm bastante paixão… Como posso dizer…? Se expressam bastante. Tanto que nós, todo mundo do grupo, temos várias esposas.
(Risada dos membros concordando.)
Naoya: – Toda vez que fazemos um videocall com as fãs, sempre dizem algo como “case comigo, case comigo”… Isso me faz ter a impressão de que o Brasil é um país de paixão. É muito gratificante.
Hayato: – Entre essas fãs, têm até quem usa nossos produtos oficiais, quem tatua “ONE N’ ONLY” aqui (mostrando o pulso esquerdo)… Isso transmite o sentimento que elas têm por nós. Também tem gente que dança as nossas músicas. Deu para perceber que realmente estão torcendo por nós.
Rei: – E quando vi elas dançando, percebi como elas dançam e ouvem as músicas de forma diferente das pessoas do Japão.

Nippon Já: O Japão, de tempos em tempos, sempre ganha destaque no Brasil por conta de algum artista que traz uma inovação. Na década de 80, a banda Loudness foi um grande sucesso com a música “Crazy Nights”; nos anos 90, o X Japan estourou com a música “Tears”, criando uma verdadeira legião de fãs do chamado “J-Rock” e “Visual Kei”; na década de 2000 foi a vez da canção “First Love”, de Utada Hikaru, estar no top 20 de uma das principais rádios do País por semanas, levando até ao lançamento do álbum dela no Brasil. Inclusive, até hoje nos karaokês os descendentes e não-descendentes de japoneses cantam esta música. Hoje, 20 anos depois, o ONE N’ ONLY segue o mesmo caminho, porém com a diferença que o público está todo na internet. O que o J-Pop tem de especial que atrai, em determinados períodos, a atenção do público ocidental?
(Nesse momento, todos os membros ficam eufóricos, empolgados ao ouvirem o nome do grupo sendo mencionado junto com os de outros grandes artistas japoneses.)
Hayato e Kenshin: – Sério mesmo? Tem certeza?
Kenshin: – É muita honra sermos mencionados como sucessores desses grandes artistas.
Tetta: – Que da hora!
Hayato: – Nossa reação de quando ouvimos o nome desses artistas, do X JAPAN e da Utada Hikaru, é tipo: woooow! Então, isso é realmente uma loucura.
Naoya: – Sim, eu amo (a cantora Utada Hikaru).
Tetta: – Porque nosso objetivo é chegar onde eles estão, né.
Hayato: – Bom… (voltando a pergunta). Através dos videocalls que realizamos com fãs, vejo que tem bastante gente que nos conheceu porque já gostava de cultura pop japonesa. Acho que os mais fortes atualmente são mangá e animê, então imagino que através dessas mídias pode ser que uma música viralize.
Naoya: – Acho que as coisas popularizam junto no Japão e no Brasil. Tipo, ‘Kimetsu no Yaiba’ e ‘Jujutsu Kaisen’ [dois animês muito populares atualmente], tem bastante brasileiros que assistem. TikTok também tem muitos usuários brasileiros. Acho que no ano em que os gostos do povo brasileiro e do japonês batem, as músicas lançadas nesse período viralizam.
Hayato: – Acredito que é porque o povo brasileiro é sempre bem antenado às tendências. Em outras palavras, quem já está nos acompanhando são descolados e tem bom senso. (Risada dos membros.)
Naoya: – Ficamos sabendo, através da nossa equipe brasileira, que o “visual kei” [movimento musical e visual que surgiu no Japão na década de 1980, caracterizado pela ênfase na estética andrógina] já esteve muito em alta no Brasil, mas que um grupo japonês de vocal e dança assim como nós ainda não teve precedentes. Isso nos deixa muito intrigados.
Hayato: – Até mesmo nas mídias japonesas somos abordados como o grupo japonês que tem chamado atenção no Brasil. Então, devemos muito aos fãs brasileiros. Nos promovam ainda mais aí, por favor.
Rei: – Também acho que temos conseguido chamar atenção do público brasileiro por termos músicas como ‘L.O.C.A’, que mesmo cantadas em japonês, os instrumentais são inspirados no ritmo latino.

Nippon Já: Gostaria de abordar um pouco sobre a parte técnica. Vocês fazem parte de um estilo que necessita de um extremo preparo físico tanto para ter alcance de voz quanto para sincronizar coreografias. Como funciona a parte criativa de uma música no ONE N’ ONLY? Do tipo, as etapas para se chegar em uma música final com letras, melodias e coreografias? Cada um traz suas ideias e vocês fazem um meeting para trabalhar em cima dessas ideias?
Hayato: – Como já mencionamos antes, o [produtor] June nos auxilia bastante, é ele quem cria a maior parte das nossas músicas. De pouco tempo para cá é que começamos a participar também do processo criativo, compondo letras. Mas, basicamente, é isso: ele cria a música para nós e nós gravamos. E é um processo bem minucioso, pois além de gravar, ele vai nos ensinando as técnicas vocais também. Depois criamos uma coreografia para essa música. Já a coreografia tem mais participação dos membros. Depois de criarmos a coreografia, segue com a etapa de sincronizar com todo mundo, acho que essa é a parte mais difícil. O timing, a sincronicidade… É importante estar todo mundo combinado.
Rei: – Acabei falando um pouco sobre isso antes e o Hayato também já comentou, mas como somos um grupo de ‘JK-POP’, prestamos bastante atenção com a pronúncia. Mesmo cantando em japonês, acentuamos bem as vogais e tentamos incorporar pronúncias estrangeiras, como de “th”, para soar agradável aos ouvidos de fãs estrangeiros também. São nesses pequenos detalhes que prestamos atenção durante a gravação.
Hayato: – Tem outras vezes que adotamos a técnica de acentuar bem os consoantes também, né.
Eiku: – Nós temos bastante música que são agressivas, que também são criações do [produtor] June. Ele nos apresenta uma versão cantada por ele mesmo, e tentamos adaptar e interpretar do nosso jeito. Chegando na gravação, o June nos orienta e dirige dizendo “essa parte é para cantar desse jeito”.
Nippon Já: Vocês disseram que a parte da coreografia tem mais participação dos membros. A coreografia inventada por quem é a mais aprovada?
(Todos apontam para Hayato. Hayato faz expressão de orgulho.)
Tetta: – Praticamente é tudo Hayato.
Hayato: – Na maioria das vezes o nosso coreógrafo e eu pensamos juntos. Mas não deixamos de pedir opinião dos outros membros também, tipo: “como vocês preferem?”. Então nós criamos juntos mesmo. Acredito que trabalhando dessa forma conseguimos deixar mais com a nossa cara e ficamos com mais vontade de apresentar algo que é nosso. Além disso, prestamos atenção na tendência, na dança também tem tendência. Tentamos incorporar um pouquinho disso nas coreografias, para criar algo que as pessoas de todo o mundo pensem: “isso está na moda”.
Nippon Já: A vida de “talent” no Japão é extremamente produtiva e incessante. Quantas horas por dia vocês trabalham? Nos momentos de folga, vocês conseguem se desligar da área musical e fazer outros tipos de atividades?
(Risada dos membros)
Tetta e Rei: – Vixe, não sei.
Hayato, Kenshin, Naoya e Eiku: – Acho que depende do dia.
Tetta: – Se considerarmos o tempo de ensaio e treino, é bastante, né?
MEMBROS: – Acho que sim.
Hayato: – Depende da época mesmo. Por exemplo, quando temos show marcado, temos ensaio geral; quando temos um lançamento, temos entrevistas…Então não temos um horário definido de trabalho por dia.
Tetta: – E, independentemente do que fazemos, estamos a maior parte do tempo juntos.
Hayato: – Nos vemos todos os dias, né.
Tetta: – Sim, nos vemos todos os dias.

Nippon Já: Até nos momentos de folga vocês estão juntos?
(Membros discutem um pouco entre eles, até que o Naoya toma a frente e começa a responder.)
Naoya: – Sim, estamos juntos.
Eiku: – Mesmo nas folgas passamos bastante tempo juntos.
Hayato (sussurrando): – É que o Eiku não consegue nem fazer compras sozinho…
(Eiku sorri com vergonha)
Tetta: – Ele não sabe se virar sozinho.
Eiku: – Eu não sou do tipo que sabe se virar sozinho mesmo.
Hayato (sussurra de novo): – É, carente…
Eiku: – Então, mesmo quando temos folga e vou ao shopping fazer compras, eu chamo alguém do grupo. Por isso, eu particularmente passo bastante tempo com eles.
Nippon Já: Vocês conseguem se desligar da área musical e fazer outros tipos de atividades nas suas folgas? Por exemplo, deixar de atualizar suas redes sociais?
Kenshin: – Mas isso que é o nosso trabalho, né. Até podemos dizer que trabalhamos todos os dias. Mas, na verdade, é mais pela vontade de compartilhar algo com os fãs do que só um trabalho mesmo, não sentimos como se fosse obrigação. Mesmo as publicações do TikTok que fazemos todos os dias, fazemos nos divertindo bastante, fazendo bagunça. Acho que é isso.
Hayato: – É que somos correspondidos por isso, né. Postando todos os dias, os fãs respondem ao nosso esforço. Então isso vira uma motivação para atualizarmos nossas redes sociais mesmo nos dias de folga.
Kenshin: – Independentemente se é folga ou não, de alguma forma todos os dias fazemos algo relacionado ao ONE N’ ONLY.
Hayato: – Verdade.
Rei: – Ficamos felizes quando recebemos comentários do tipo “vou me dedicar ao trabalho graças a vocês que são minha fonte de energia”. Nisso eu vejo o porquê de nos transmitirmos através das redes sociais.
Nippon Já: Como é a vida de vocês quando estão em turnê? O grande público imagina uma vida cheia de glamour, com shows, encontro com fãs, gravações de programas de tv, vídeos para o TikTok etc. Mas, ao chegar no fim de um dia de trabalho, quando cada um de vocês deita na cama, qual o sentimento de ter feito tantas atividades e poder levar a mensagem de vocês a milhões de pessoas?
Hayato: – O que eu penso antes de dormir… Por exemplo, quando nós postamos conteúdo destinado ao público estrangeiro, inclusive brasileiro, no TikTok, eu fico ansioso pensando “será que eles viram?”, até cair no sono.
Eiku: – Isso mesmo, isso mesmo.
Hayato: – Ficamos muito felizes quando viraliza, então acabo pensando muito nisso. Também tem a questão do horário que é completamente invertido, se aqui é noite, aí é manhã. Fico viajando pensando nessas coisas, lendo os comentários, tipo “ah, pode crer, lá é de dia ainda”. Me divirto assim antes de dormir.
Eiku: – Nós atualizamos nosso TikTok a noite. De manhã, quando acordamos, checamos as reações… Todos os dias.
Tetta: – Já é nossa rotina, né.
Eiku: – Tipo, “Será que viralizou???”
Tetta: – Isso nos deixa ansiosos mesmo.
Kenshin: – À noite, antes de dormir, quando checo as redes sociais, penso “nossos conteúdos estão atravessando mares”, eu fico muito feliz e me gabo um pouco “finalmente estamos chegando ao nível global” (risos).
(Hayato dá muita risada.)
Kenshin: – É realmente muito gratificante.
Nippon Já: Sobre inspirações musicais, gostaria de saber quais são os artistas que são referência para cada um (tanto no Japão quanto artistas fora do Japão) e por quê?
Rei: – Eu gosto de músicas do gênero R&B, então ouço artistas como Justin Timberlake e etc.
Kenshin: – Acho que acabo me inspirando bastante nas músicas de K-Pop, principalmente BTS e NCT. Ouço as músicas, assisto aos vídeos, as performances desses grupos de K-POP que fazem mais sucesso mundialmente. Quando vejo detalhes que me fazem pensar “nossa, que maneiro”, seja na música ou na performance, acredito que isso naturalmente viram minhas inspirações para as atividades do ONE N’ ONLY.
Naoya: – Eu também me inspiro bastante no BTS. Nós queremos nos tornar um grupo conhecido internacionalmente e ter destaque nas atividades individuais também assim como eles. Por isso, BTS é uma inspiração, nós nos espelhamos neles.
Hayato: – Eu ouço K-Pop desde pequeno. Ouvia bastante música americana também, gostava do Chris Brown. Continuo ouvindo as músicas desses artistas que gosto desde sempre. Mas, atualmente, desde que começamos a postar mais conteúdos brasileiros no TikTok, passei a me interessar mais pelas músicas com ritmo latino. Quando ouço músicas conhecidas mundialmente como as do J. Balvin, do Bad Bunny, que foram usadas como trilha do “Velozes e Furiosos”, eu passei a pensar mais em como posso incorporar a essência desse estilo de música também.
Eiku: – Dentro dos artistas japoneses eu gosto do Koji Tamaki. Tento imitar o jeito dele cantar, o seu jeito elegante. Dos artistas internacionais, gosto do Justin Bieber, que é bem famoso no Brasil também. Me inspiro não só no vocal, mas também na parte instrumental das suas músicas, tento reparar os sons que são usados.
Tetta: – Se tratando de performance e presença de palco, minha referência é K-Pop também: BTS, BIG BANG. Assisto aos vídeos de vários artistas. Na parte vocal e artistas ocidentais, eu me inspiro no Bruno Mars, Justin Bieber e, recentemente, tenho ouvido Jamie Miller… Eu tento incorporar a essência desses artistas. Quer dizer, eu quero cantar como eles, eles me dão motivação para cantar.
Nippon Já: Ainda na parte musical, as canções de vocês sempre dão a sensação de questões filosóficas da vida. No fundo, qual a mensagem que vocês sempre quiseram passar com as canções? E, como dizem, a música é uma linguagem universal, então vocês acreditam que os fãs do mundo todo conseguem entender perfeitamente a mensagem, mesmo que as músicas sejam cantadas em japonês?
Tetta: – Mesmo que não entenda a letra da música, não entenda japonês, acredito que expressão e interpretação que transmitimos através de shows e vídeos são universais. Por isso, tento prestar bastante atenção nisso. Por exemplo, quando precisamos transmitir tristeza, até na coreografia tem movimentos que representam o significado da letra. Então, acho que vendo nossa performance é fácil entender a mensagem da música.
Rei: – Como nossas músicas costumam ter um som agressivo, eu tento combinar a minha voz com esse estilo também. Em relação a mensagem da música, muitas vezes fazemos alguma crítica a sociedade, tratando temas como cyberbullying, preconceitos e estereótipos. Acho que é algo como nossa revolta e nosso grito é representado em nossas performances. Espero que isso toque o coração de quem vê, mesmo sem entender a língua.
Naoya: – Eu me dedico em outros aspectos, além de performance e interpretação, para que quem vê os nossos shows, nossos vídeos na internet, pensem: “quero assistir de novo”.
Nippon Já: Uma curiosidade é: quando vocês estão em turnê, existe algum acessório, utensílio ou amuleto que vocês nunca deixam de levar?
Tetta: – Sim, temos!
Hayato: – Vamos apresentar um por um!
Rei: – Começando comigo! As coisas que eu sempre levo nas turnês são essas daqui (mostrando alguns cosméticos em frente a câmera). Esse é sabonete para rosto, essas são loções e cremes… Eu sempre levo de casa. Foi o Naoya que me indicou esses produtos. Usando esses quatro produtos que eu estou acostumado, eu consigo manter a minha rotina e… Como posso dizer… Isso me acalma.

Hayato: – Próximo! Lá vou eu! Eu, Hayato, sempre carrego esse tênis para dançar. Uso ele já há muitos anos. Tenho um apego especial porque é muito confortável para dançar. Ele encaixa perfeitamente nos pés. É o meu tesouro precioso.

Kenshin: – Eu levo essa carteira. Ganhei de presente de aniversário da minha mãe, quando completei 20 anos. Vou cuidar muito bem dela para durar por muitas décadas. É meu tesouro.

Tetta: – Próximo! Meu tesouro é isso daqui (mostrando um microfone cheio de fitas adesivas coladas).

Hayato: – Isso não parece tesouro.
Rei: – Eca!
Tetta: – Como assim “eca”!? Bom, voltando… Isso é um microfone falso. Ele já está quebrado então não funciona mesmo ligando ele no cabo. Mas eu uso ele nos ensaios gerais, canto como se fosse no show mesmo. Usei tanto, por muitos anos, que já está bem velho, caindo aos pedaços. Aí fiz esses curativos nele, com as fitas das cores que eu gosto (apontando para as partes vermelhas e amarelas do seu microfone falso).
Hayato e Kenshin: – “Curativos”? [debochando, porque curativo só se faz em pessoas, não com objetos].
Tetta: – Assim encaixa melhor na minha mão também! Então, eu faço o ensaio geral com ele e levo ele no show também. O que seria de mim sem ele?
(Hayato e Eiku dão risada)
Tetta: – É meu amigo.
Kenshin: – Seu amigo.
Tetta: – Amigo.
Eiku: – Eu levo esse daqui, um chaveiro. Ganhei do Naoya de presente de aniversário. Eu já carreguei muito as chaves sem nenhum chaveiro, e toda hora eu ficava “onde eu guardei a chave?”. Então desde que ganhei o chaveiro, ele fica sempre no meu corpo. Vou cuidar bem do chaveiro.

Naoya: – Eu levo essa câmera. Eu sempre gostei de câmera analógica. No meu Instagram pessoal fico postando fotos que tiro dos membros. Essa câmera especificamente é a que eu sempre levo nas turnês e nas viagens para registrar memórias.

*A PARTE 2 da entrevista com o One n’ Only será disponibilizada em breve
Confira o último lançamento do grupo:
